Posts Marcados violência contra a mulher

A “revoltante” incompetência das nossas vítimas.

Voltando a escrever depois de bastante tempo, espero (mesmo) conseguir manter o blog atualizado daqui pra frente.

Introduzo esse post com alguns dados da pesquisa “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”, da Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC.

A cada 2 minutos, 5 mulheres são espancadas no Brasil.

Embora apenas 8% dos homens digam já ter batido “em uma mulher ou namorada”, um em cada quatro (25%) diz saber de “parente próximo” que já bateu e metade (48%) afirma ter “amigo ou conhecido que bateu ou costuma bater na mulher”.

Como em 2001, cerca de uma em cada cinco mulheres hoje (18%, antes 19%) consideram já ter sofrido alguma vez “algum tipo de violência de parte de algum homem, conhecido ou desconhecido”.

Com exceção das modalidades de violência sexual e de assédio – nas quais patrões, desconhecidos e parentes como tios, padrastos ou outros contribuíram – em todas as demais modalidades de violência o parceiro (marido ou namorado) é o responsável por mais 80% dos casos reportados.

Tanto os dados estatísticos quanto o conhecimento empírico nos levam ao cenário da violência contra a mulher no Brasil: a maioria das pessoas no mínimo conhece uma mulher que sofreu com um marido violento dentro de casa. As que não conheceram de perto, com certeza já escutaram aqueles gritos histéricos de uma vizinha durante a noite, quando os familiares se entreolham em silêncio com os olhos arregalados e os ouvidos atentos, à espera de um ruído que confirme a agressão.Não que isso vá fazer alguma diferença, já que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, no máximo se mete um pitaco sobre o motivo da “coitada ter levado uma sova”.

A Lei Maria da Penha (13.340/2006) é uma tentativa de avançar na questão da proteção às mulheres no ambiente doméstico, que reconhece a necessidade do princípio de isonomia material, ou seja, tratar os grupos desiguais na medida das suas desigualdades. Não é de hoje que ouvimos muita gente reclamando “que somos todos iguais perante a constituição e todas as punições já estão previstas no código penal”, o que demonstra profundo desconhecimento (ou pura omissão) sobre a estrutura da nossa sociedade. Uns são muito mais iguais que os outros por aqui, esse é um fato completamente escandaloso! Temos minorias sociais (não necessariamente em número de indivíduos, mas grupos sub-representados na política) que de forma alguma têm suas demandas contempladas por uma constituição que trata a todos como se partissem do mesmo ponto, em igualdade de condições e direitos.

A história de mulheres,crianças, idosos, negros, índios, pobres, minorias sexuais e de gênero, deficientes e vários outros grupos nos revela uma trajetória de opressão, impotência e marginalização. O único que sempre foi e sempre será inteiramente beneficiado por uma constituição que trata todos da mesma forma é o homem adulto, heterossexual, branco e de classe média, nosso personagem modelo do privilégio social. A experiência das minorias traz marcas profundas de desigualdade, e a determinação de uma constitução única não anula essas diferenças, não tem como dar Crtl+Z no produto histórico da dominação e começar uma nova e maravilhosa sociedade da igualdade, liberdade e fraternidade. É reconhecendo as necessidades específicas de cada grupo hipossuficiente que damos um passo em direção à almejada igualdade, e para isso existem leis que amparam minorias em suas vulnerabilidades, como é o caso dos idosos e crianças, e agora as mulheres.

Mesmo assim, há quem acuse a Lei Maria da Penha de ser inconstitucional, e são as mesmas pessoas que obviamente se opõem a uma lei que criminaliza a homofobia, pois não são capazes de reconhecer as demandas de grupos particulares da sociedade, que não desfrutam dos mesmos direitos. É óbvio que a Lei Maria da Penha enfrenta problemas para sua aplicação, esbarrando em fatores sociais como a ausência de redes de apoio suficientes às vítimas, que muitas vezes permanecem dependentes financeiramente de seus agressores. Por essa razão, é comum que o alto número de desistências dos processos por parte das mulheres motive mais críticas contra a lei, feitas por quem não entende nada do ciclo de violência que elas vivem. Mas é sempre muito mais cômodo condenar as agredidas por sua “incapacidade” do que entender um terço do que se passa nessas famílias.

São muitos casos diferentes e ocorrem em todas as classes sociais, mas há um ciclo comum de violência contra a mulher que já é conhecido, descrito em 3 fases:

1. Fase de aumento da tensão: as tensões acumuladas pelo agressor criam um ambiente de perigo iminente para a vítima que é, muitas vezes, culpabilizada por tais tensões. Os pretextos para as brigas vão ficando cada vez mais banais, como por exemplo, acusar a vítima de não ter colocado sal suficiente na comida.

2. Fase do ataque violento: o agressor maltrata, física e psicologicamente a vítima , que procura defender-se. Este ataque pode ser de grande intensidade, podendo a vítima por vezes ficar em estado grave, necessitando de tratamento médico.

3. Fase do apaziguamento ou da lua-de-mel: o agressor, depois de descarregar a tensão sobre a vítima, demonstra arrependimento e promete que não vai voltar a praticar a violência.

As três etapas se repetem constantemente, cada vez com menor intervalo entre as ocorrências. E é importante observar que não se trata de um processo mecânico, em que as mulheres assistem de camarote seus corpos sendo agredidos pelo homem amado e suas vidas desmoronando como se fosse um filme, elas são as protagonistas inseridas em um turbilhão de emoções que passam pela raiva, tristeza, desespero, esperança e impotência. As pessoas parecem se esquecer da diferença entre a vivência e a observação dos fatos quando as vítimas são mulheres agredidas pelos companheiros, os primeiros julgamentos sempre se focam na incapacidade de reação delas, ao invés da indignação com a atitude do homem. É a velha lógica machista da culpabilização das mulheres, que procura inverter a situação acusando a vítima de não ter evitado sua própria agressão.

Pior, acusam as mulheres agredidas pela desistência dos processos, por retornar ao convívio com o agressor, criando os esterótipos da “mulher que gosta de apanhar“e da “mulher de malandro“. Claro que não podemos esperar muita empatia pelas mulheres em uma sociedade que historicamente as desvaloriza, mas ainda fico impressionada com a extrema falta de sensibilidade diante de uma situação de violência de gênero. São vários os fatores que levam uma mulher a perdoar seu agressor e permanecer em uma relação violenta, mas acredito que os mais graves sejam a dependência financeira, medo dos estigmas sociais e dependência emocional.

Além da óbvia dificuldade em encontrar um lugar para morar e se sustentar, muitas vezes acompanhada dos filhos, a decisão de abrigar-se em uma instituição destinada a mulheres agredidas e ameaçadas (quando disponível) é uma mudança de vida completamente brusca e repleta de desafios. A respeito dos estigmas, como se não fosse suficiente a imensa vergonha, frustração e tristeza dessas mulheres, ainda são bombardeadas por amigos, parentes e vizinhos com perguntas do tipo “O que você fez pra ele?”, “Por que não saiu de lá antes?”, “Mas já separou? E seus filhos?” entre outros absurdos. Não são poucas pessoas que ainda as condenam simplesmente por terem “desistido” do casamento, a tal instituição sagrada que não deve ser desfeita. A dolorida humilhação do olho roxo não termina dentro de casa, se estende no espaço público, com os olhares de reprovação daqueles que já deduzem que ela pode ter “merecido”, como diz o repugnante ditado popular “eu não sei porque estou batendo, mas ela deve saber porque está apanhando”.

A dependência emocional é um dos fatores mais complexos. Primeiro é preciso analisar a própria dinâmica das relações de gênero, em que culturalmente o homem ainda se baseia em um referencial de dominador, dotado de força, agressividade e controle, enquanto a mulher é educada para servir, ceder e compreender. Os ideais vigentes para os papéis de homens e mulheres, apesar de arcaicos, permanecem influenciando diretamente as relações de poder no casamento. Assim, tradicionalmente, o homem reivindica o controle e a posse da sua mulher, que por sua vez procura zelar pelo seu marido e o restante da família. É justamente nessa esfera privada do cuidado familiar que as agressões domésticas se iniciam, quando o homem descarrega sua tensão e exerce poder sobre a mulher através da violência, baseado na ideia de superioridade masculina justificada pela força física. Socos, chutes e estrangulamentos são considerados instrumentos comuns de resolução de conflitos para os homens, que desde pequenos são incentivados a expressar sua agressividade, e dessa forma procuram impor suas vontades às companheiras, que na maioria das vezes não possuem condições físicas ou habilidades para se defender – potencialidades que lhes foram negadas na construção de mulher. E o pior de tudo é que essa dinâmica de poder na relação heterossexual é considerada “normal”, o que torna aceitável testemunhar um marido agredindo a mulher e permanecer completamente omisso.

Dentro desse cenário, temos ainda o ideal do amor romântico que revela o homem amado como um protetor e salvador, um verdadeiro príncipe encantado na vida da mulher. Inspirada pelos grandes romances, a mulher procura entregar-se ao companheiro e sacrificar-se por ele, considerando que ainda temos um modelo de esposa e mãe virtuosa que anula a si própria pelo bem da família. Claro que nem todos os casamentos são cercados pela aura do romantismo, mas ao menos a noção de doação por parte da mulher está sempre presente na família brasileira. Agora basta imaginar que aquele homem confiável e amado, protetor e muitas vezes provedor da família, de repente se transforma em um agressor.

Impossível que seja tão difícil assim entender que existe um vínculo emocional fortíssimo e duro de ser rompido com o marido, e que o perdão parece o caminho mais sensato diante do homem com que se divide uma vida. É preciso lembrar que o agressor de mulheres não é aquele monstro já algemado, permanentemente ameaçador e rude que vemos no camburão, mas um homem comum do cotidiano, que dá beijinhos de despedida, acaricia as crianças e cumprimenta os vizinhos. É o homem com que ela se casou, que já a fez muito feliz, que motivos ela teria para dispensá-lo na primeira agressão? Qual é o preço disso? Não teria sido uma explosão de raiva e nada mais? Some a esses questionamentos o olhar arrependido do homem que traz flores no dia seguinte e chora ajoelhado implorando perdão. Tão difícil assim compreender porque a mulher perdoa e desiste do processo?

Não pretendo justificar o perdão, pois tenho convicção de que o homem que é capaz de coagir através da violência física uma vez, com certeza o fará novamente. Quero questionar o ódio misógino direcionado às mulheres vítimas da violência doméstica, que são transformadas em rés e deslocadas do seu papel de agredidas pelo imaginário popular. Por que, ao menor sinal de fraqueza, as mulheres que apanharam do marido são transformadas em culpadas? Cobra-se dessas mulheres que denunciem, que sejam fortes, valentes, intrépidas, absolutamente virtuosas e resistentes, e ai delas se não prosseguirem até o final, basta um deslize para que recebam a sentença: Merecem e gostam de apanhar. É claro que as mulheres não gostam de ser agredidas, e se as nossas mulheres estão abaixando a cabeça para uma situação de violência, é preciso investigar os motivos e oferecer ajuda ao invés de ridicularizá-las.

Cada vez que alguém faz uma piadinha ou utiliza ditados populares que reafirmam a culpa da mulher na situação de violência, perpetua-se o preconceito e o ódio contra todas as mulheres, especialmente aquelas que mais precisam de ajuda e não conseguem se livrar de uma vida de agressões cotidianas. Culpar a vítima pelo seu martírio é agredi-la duas vezes, é negar sua vunerabilidade e exigir um esforço desproporcional às suas condições. Se você também não se conforma com o mito da “vítima incompetente” que assombra as mulheres agredidas no ambiente doméstico, não incentive as práticas culturais que legitimam esse estigma. Muitas mulheres ainda apanham caladas pelos mais diversos motivos, mas não é apenas construindo mais abrigos e criando mecanismos legais que vamos vencer o problema,  cabe a nós destruir essas barreiras culturais e sociais que ainda as mantêm presas aos seus algozes.

“A violência contra as mulheres é uma manifestação de relações de poder historicamente desiguais entre homens e mulheres que conduziram à dominação e à discriminação contra as mulheres pelos homens e impedem o pleno avanço das mulheres…”

Declaração sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres, Resolução da Assembléia Geral das Nações Unidas, dezembro de 1993.

Para denunciar uma situação de violência contra a mulher, ligue para 180 (válido inclusive para brasileiras sob ameaça no exterior).

Acesse também o artigo “A constitucionalidade da Lei Maria da Penha”, de Andresa Wanderley de Gusmão Barbosa e Stela Valéria Soares de Farias Cavalcanti.

Vídeo “Sabe a diferença entre bater em numa mulher e numa bateria?“, sobre como a violência contra a mulher é vista como algo cotidiano.

PS: Apenas uma observação, já que normalmente abordam o caso dos homens que sofrem violência doméstica, lembro que há mecanismos legais para protegê-los também. Os homens que se sentem humilhados, ameaçados ou são agredidos pelas companheiras devem denunciar da mesma forma, o foco é mantido na violência contra a mulher por ser um problema de gênero muito mais evidente e abrangendo a absoluta maioria dos casos.

Anúncios

, , , , ,

Deixe um comentário

Caso Abdelmassih: O médico estuprador

“Roger Abdelmassih, 65, o especialista em reprodução in vitro mais conhecido no país, foi indiciado na manhã desta terça (23) pela Polícia Civil de São Paulo sob a acusação de estupro e atentado violento ao pudor. Mais de 60 pacientes acusam-no de abuso sexual.”

Veja a cobertura completa do caso aqui, que também é a fonte dos recortes apresentados.

cretino

Roger Abdelmassih não é apenas um tarado cheio de dinheiro protegido por uma fortuna e uma coleção de rabos presos, ele é um médico pioneiro e respeitado em todo o mundo por sua carreira brilhante. E acima de tudo, o cretino é muito esperto.

Como muitos estupradores, Abdelmassih sabe como se aproveitar do medo e do horror de uma mulher. Ele usa de todo o seu poder e prestígio para manter suas vítimas caladas e vulneráveis, e isso só é possível porque as mulheres já são inferiorizadas normalmente.

As mulheres que procuram a clínica de fertilização do Dr. Abdelmassih sonham com a maternidade, estão no seu momento mais delicado e investem pesado para isso – porque podem. A maioria dos abusos cometidos pelo médico ocorreu no momento pós-sedação, em que as mulheres se encontravam absolutamente indefesas e confusas.

“Acordando, ainda grogue, vi que eu estava com o pênis do doutor na mão. Tentei me levantar, cheguei a sentar na maca. Aí, o dr. Roger abaixou o jaleco, disse ‘calma, calma, calma’ e saiu da sala. E fui chorando ao encontro do meu marido, que aguardava na recepção da clínica.” Depoimento de Ivanilde Serebrenic

“[Ao acordar da sedação para retirada de óvulos] ele me deu um abraço e perguntou se podia me dar um beijo. Quando dei o rosto, ele veio com a língua e eu gritei: ’Para com isso, para!’. E ele disse: “Vai ser bom para você, você precisa relaxar.” Relato de Crystiane Souza

O quanto relaxante pode ser o beijo forçado de um velho violento? Abdelmassih sabe que as mulheres não desejam o contato sexual com ele, mas também se acha no direito de abusar delas apenas por serem mulheres. Ele sabe que sairá impune, por isso intimida suas vítimas e pede para que fiquem calmas, para que deixem o processo fluir já que é bastante comum sofrer abuso.

“Sob efeito de medicamentos e se sentindo frágil, sem forças, a paciente não pôde reagir quando o médico Roger Abdelmassih, 65, aproximou-se, levantou a camisola dela, abaixou a sua calça, pôs o pênis para fora e a estuprou. ” Sobre depoimento de uma paciente que não quis se identificar.

nojo

O mais engraçado nessa história é que acusam o médico de mais de 60 “abusos”, porém apenas um “estupro”. Estupro no caso seria apenas penetração, todo o restante do comportamento sexual violento não figura estupro algum.

“[O médico] passou a mão nos meus seios, na minha vagina e chegou a colocar o pênis para fora [da calça]. Graças a Deus neste momento alguém tentou entrar no quarto. Ele me soltou e corri para o banheiro. Fiquei lá, chorando.”

Monika

Monika

Porque chorar e não acabar com a raça do infeliz? O próprio médico usou em sua defesa o argumento de que as mulheres retornavam ao seu consultório, questionando “se você fosse vítima de um abuso, voltaria ao meu consultório?”. É conveniente acreditar que mulheres poderiam simplesmente reagir e abandonar o tratamento dos seus sonhos pelo qual pagaram muito dinheiro, ignorando toda a pressão que sofrem em uma situação como essa. Mesmo assim, algumas mulheres não suportaram e deixaram de freqüentar a clínica.

“[…]contei ao meu marido, que não acreditou. Ele disse: “A gente tem muito dinheiro lá [na clínica] e tem um objetivo, que é ter uma filha. Você é descolada, saberá se virar bem,” contou Monika Bartkevitch.

Monika não só sofreu nas mãos do médico estuprador, como também foi humilhada e acabou se separando de um marido machista, que por acaso pertencia ao meio médico e tinha medo de denunciar o “colega”.

“[…]ainda tinha de enfrentar familiares e amigos que perguntavam se eu havia dado abertura. Isso quase me deixou louca. Eu me perguntava, será que fiz algo errado?”

Culpe a vítima. Culpe a mãe. Culpe a mulher, a vagabunda eterna. Um estuprador nojento ataca uma mulher e ainda a culpam por não ter conseguido se defender, enchem-na de interrogatórios humilhantes e a fazem reviver cada momento de sofrimento procurando alguma evidência que a torne suja e imoral. Aliás, esta é uma grande arma do Dr. Abdelmassih, ele sabe que a pressão da imprensa, da justiça e de todo o público obrigarão suas vítimas a um constrangimento contínuo e desgastante.

“Neste último mês passei por momentos horríveis, pois tive que falar com várias pessoas da imprensa e relatar com todos os detalhes para as autoridades.

ivanilde[4]

Ivanilde

Uma mulher que sofreu abuso, que foi tocada contra sua vontade por um homem, é vista como cúmplice e desafiada a confirmar sua história de horror milhares de vezes. Ivanilde, Crystiane e Monika são mulheres muito corajosas, que saíram do anonimato e vão enfrentar seu estuprador na justiça. Elas querem inspirar as outras 58 mulheres a fazer o mesmo, mas sabem que tomar a decisão de se expor publicamente em um caso como esse ainda é assustador para uma mulher. Nenhuma delas teria aparecido para depor se alguém não tivesse tomado a iniciativa, pois denunciar um homem poderoso representa um risco constante de derrota e mais humilhação.

“Abdelmassih já atribuiu as acusações a um complô de médicos concorrentes, a uma campanha mobilizada pela internet por uma das ex-pacientes, às “alucinações sexuais” por causa do efeito da anestesia, às fofocas e mentiras e agora à frustração de mulheres que passaram pela clínica.”

O argumento de que as mulheres teriam ficado frustradas por não engravidar já é totalmente inválido, porque em muitos dos casos a fertilização teve sucesso. Os anestesistas confirmaram que as alucinações sexuais não eram possíveis e parece que 61 mulheres não relatariam abusos por causa de um complô de médicos. O canalha é cara-de-pau.

Abdelmassih_Lima_Vanni2_thumb[5]

O monstro e seus comparsas, advogados do diabo

Apesar de todos os indícios, o monstro será defendido na justiça por dois advogados criminalistas ultra respeitados. Abdelmassih é um doutorzinho de merda escondido atrás de muito corporativismo e pronto para humilhar pela segunda vez todas as mulheres que estuprou. Não tenho dúvidas de que perante o juiz não faltarão argumentos para retratar as mulheres como verdadeiras “vadias”, culpadas pelos seus corpos libidinosos e por não carregarem uma Glock no bolso quando vão até a clínica de fertilização.

Desejo que essas mulheres agüentem firmes e acabem com o desgraçado, façam isso por elas mesmas e por todas as outras. Não é por acaso que os índices de estupro ainda são gigantescos, que ainda temos que temer pela nossa integridade física cada vez que saímos de casa, que até mesmo em nossos lares somos vítimas do abuso, que nos culpam pela violência que sofremos e que tememos a figura de um homem poderoso que toma o direito sobre nossos próprios corpos e nos invade brutalmente.

Reagir é a regra, lembrem-se que estamos nos defendendo, e para isso VALE TUDO (até a Glock na clínica não é uma má idéia).

E é claro, terei minha própria visão reforçada quando entre os termos mais procurados do meu blog eu encontrar “vídeos de estupro”, “mulheres sendo estupradas”, “vadias sendo estupradas”. Acontecerá, acredite.

, , , , , , , , , , , ,

22 Comentários