Posts Marcados mulheres

Público-alvo: Mulheres. Tema de Campanha: Beleza. Slogan: Seu corpo, nosso lucro.

Como publicitária, já estou cansada de ouvir falar em “público-alvo”, ou target, dá no mesmo. Todos os textos que eu produzo no meu trabalho partem de um briefing do cliente, ou seja, uma descrição detalhada do contexto daquela peça: objetivo, histórico da empresa, características do serviço/produto, mercado principal, perfil do consumidor, etc. Às vezes, é preciso que eu leia 10 páginas de texto para criar uma pequena frase de impacto, isso quando não tenho que pesquisar internet afora qualquer expressão que me aproxime da linguagem daquele público, buscando a empatia e a identificação a qualquer preço. Tudo para que a minha mensagem chegue sem ruídos até esse público e o cliente possa vender seu maldito produto/serviço para quem ele quiser.

Muitas vezes sou obrigada a escrever porcarias impregnadas de preconceito de classe, raça, gênero, e dessa forma tomo consciência da ferocidade dos estereótipos, que classificam arbitrariamente as pessoas em grupos e sacrificam sua individualidade. Algumas dessas vezes passo horas me questionando sobre a origem dessas marcações, e não consigo mais ler qualquer conteúdo segmentado sem refletir sobre as intenções d@ autor@. É evidente que cada texto produzido para determinado público exige que @ redator@ mergulhe de cabeça no status quo daquele grupo e reafirme todos os seus valores, pois não há muito espaço para mudanças ou subversões quando a missão é cativar. Uma vez que você perceba isso, todo conteúdo destinado à massa é visivelmente tendencioso.

Hoje, especialmente, proponho uma reflexão sobre o conteúdo feminino que nos é disponibilizado. Quem é o target feminino no Brasil? Quais mensagens estão nos enviando e por que elas nos atraem? Um passeio breve por alguns portais femininos da internet foi o suficiente para esse post.


As categorias mais populares do conteúdo feminino

Beleza em geral – seja bonita, seja perfeita, seja maravilhosa.
Boa Forma –
invista no seu corpo, malhe, faça dieta, não seja preguiçosa.
Maquiagem –
não esquece do corretivo, do pó compacto, truques que diminuem seu nariz.
Pele –
tenha a pele macia, suave e sem rugas.
Cabelos –
lindos e radiantes ao vento, sem pontas duplas, sem frizz.
Cirurgia Plástica –
silicone no peito, na bunda, na perna, só não pode colocar na barriga.
Horóscopo – só o místico pode te orientar em alguma coisa nessa vida, consulte os astros.
Família –
filhos, rotinas domésticas, maridão, carrinho do supermercado.
Casamento –
encontre o homem perfeito, mantenha o tesão, mantenha o interesse.
Receitas – cozinhe para a família, lave a louça e cozinhe outra vez.
Famosos –
tudo sobre pessoas que você sempre quis ser, mas nunca vai chegar perto.
Amor e Sexo –
deixe ele louquinho, consiga seu orgasmo, aprenda a fazer sexo anal.
Casa –
decoração, organização, limpeza, tudo para o ambiente doméstico.
Compras – encontre coisas que você não precisa para desejar.


Alguns sites também contam com categorias para carreira, mas o mais impressionante foi perceber a raridade de assuntos ligados à política, ciência, tecnologia, sociedade, e até mesmo do clássico noticiário. Eu confesso que pensei que o cenário estaria um pouquinho melhor, mas me deparei com uma avalanche de clichês e muitos artigos me chocaram pelo tom acusatório, em especial nas seções que tratavam de corpo. Ver o uso daquela linguagem de proximidade, cheia de gracejos, em contraste com uma mensagem violenta, me fez levar as duas mãos ao rosto várias vezes (facepalm detected).

Hoje escolhi falar exclusivamente de corpo, mas garanto que esses temas ainda vão render por aqui.

Corpo – território colonizado

As frases a seguir foram retiradas de diversos artigos direcionados ao público feminino, disponíveis em portais que são referência em conteúdo na internet:

“Independente de características genéticas, a flacidez é uma inimiga voraz que atinge todas as mulheres, principalmente as adeptas de uma vida sedentária, que não praticam atividades físicas freqüentes.”

“O lifting de bumbum é indicado para pacientes com flacidez de pele, que deixa a aparência “caída”. O procedimento é simples: uma incisão é feita no sulco entre o bumbum e coxa para deixar a cicatriz disfarçada e levantar a região.”

“Em primeiro lugar, lembre-se que estria é um assunto sério, difícil de tratar e, por isso, a prevenção é ainda a melhor opção.Para descobrir o tratamento ideal para o seu caso, entretanto, é necessário consultar um bom profissional para orientá-la sobre uma ou mais formas que podem ser feitas, inclusive, simultaneamente.”

“Para ser a gata da praia desse verão, é preciso começar desde já um plano de redução de medidas que irá colocar as gordurinhas no lugar, amenizar o aspecto de casca de laranja que a celulite causa e dar adeus à flacidez. Para isso, um novo tratamento surge para dar uma forcinha nessa batalha. Trata-se do Velashape, um equipamento que utiliza a sinergia entre a luz infravermelha e a radiofreqüência, que aquece os tecidos profundos da derme. Ficou curiosa? Então leia abaixo tudo sobre esse aparelho que está dando o que falar.”

“[…]a modelo e apresentadora Daniela Freitas, de 23 anos. Não é para menos, com 55 quilos bem distribuídos em seu 1,66 metro de altura, Daniela tem um “plus” a oferecer aos telespectadores aficionados por futebol. Com novo visual, ela agora exibe sensualmente seios mais volumosos graças a um implante de silicone de 215 ml em cada um. Ela faz questão de ressaltar que optou pelo método das axilas para não deixar qualquer marca ou cicatriz no corpo. Em meio a um dia-a-dia atribulado, Daniela abriu um espaço em sua agenda para contar esse e outros detalhes estéticos para o Fique Linda.”

Um rosto bonito e mais jovem, mamas firmes, abdome definido, coxas sem celulite, bumbum levantado, tudo isso deixa uma mulher absolutamente feliz. Mas quando o aspecto dos seus genitais não agrada, isso traz enorme insatisfação e grande constrangimento para a mulher.”

Esses são apenas alguns trechos do show de horrores que encontrei. Não basta criar um padrão ditador de beleza e pressionar todas as mulheres para que se enquadrem de acordo com a “tendência” do momento, é preciso convencê-las de que qualquer esboço de resistência será automaticamente julgado como preguiça, incompetência e desleixo. Não basta decidir que o formato ideal dos seios é privilégio de uma minoria, é preciso reverenciar o silicone como a salvação para todas as pobres mortais marginalizadas da estética. Não basta ter uma empresa e lucrar com a baixa auto-estima das mulheres, é preciso tomar o lugar da amiga mais próxima e lhe dizer exatamente o que deve fazer com seu corpo, para enfim ser merecedora de algum prestígio social.

Todas as características comuns do corpo feminino foram cuidadosamente demonizadas: a celulite, a flacidez, as estrias, as rugas. Ai de quem argumentar que todos esses vilões não passam de aspectos naturais do corpo da mulher, por mais que artigos tendenciosos culpem a mulher e seu estilo de vida “errado” por esses males, sabemos que são compartilhados por TODAS nós – em maior ou menor grau. Faz muito mais sentido dizer que são sinais absolutamente normais, que nos acompanham e fazem parte da nossa identidade. Podemos encontrá-los em mulheres de todas as culturas e estilos de vida, e já foram encarados como algo belo e que simplesmente faz parte dos nossos corpos e da sua história. A condenação do nosso corpo natural só serve aos interesses de uma indústria que lucra mais de 18 bilhões ao ano e tem perspectivas de crescimento de quase 20%, que curiosamente saiu imune de uma das maiores crises econômicas que se tem notícia.

A mulher ideal só é alcançada de fato com um belo Photoshop, com ferramentas cretinas como Clone Stamp (a base perfeita) e Liquify (o bisturi perfeito). A superfície da pele é totalmente lisa, sem qualquer expressão, e toda leve depressão, protuberância ou textura é criminalizada. Foi-se o direito de balançar, deram ao livre movimento feminino o nome de flacidez. Sim, nossos corpos balançam, podemos acumular gorduras em locais diferenciados sem qualquer impacto em nossa saúde, e esses pedacinhos vão se mover quando estivermos caminhando, dançando, correndo ou pulando. Mas, parece que nossos amigos da indústria da plástica e dos cremes firmadores não estão interessados em nossos movimentos, provavelmente estão sentados agora imaginando mais dez maneiras de corrigir nossos corpos, ou em qual será o próximo defeito fantasioso que vão lançar no mercado.

É só parar para pensar. Não existe uma partezinha do nosso corpo para a qual não exista uma correção. Vamos lá, de cima para baixo: Você precisa de 0934829358745 cremes e tratamentos para o seu cabelo, mais alguns para o couro cabeludo, quem sabe um redutor de rugas para a testa, uma cirurgia de correção para orelhas, uma rinoplastia, um creme depilatório para o buço, mais blush para as bochechas, uma correção cirúrgica no queixo, um creme anti-aging para o pescoço, um spray bronzeador para um colo atraente, duas belas próteses de silicone para os seios, descolorante para os pelinhos do braço, creme para combater o ressecado do cotovelo, malhação contra o músculo preguiçoso do “tchau”, manicure semanal para unhas perfeitas, laser para tirar manchinhas das mãos, uma lipo nas gordurinhas que saltam nas costas, mais uma lipo na cinturinha ou nos casos mais graves remoção de costela, mil e um tratamentos e cirurgias que prometem livrar você da pancinha e dos culotes, correção do umbigo, prótese na bunda, malhação sem descanso para as coxas, cirurgia para tirar o excesso dos lábios genitais, depilação anal em dia, um belo hidratante para as pernas, cirurgia de correção das canelas grossas, pedicure em dia e salto alto presente.

E pensar que eu dei pouquíssimos exemplos perto da enorme variedade de correções absurdas que inventaram para o nosso corpo. O tal do “cuidado” e “bem-estar” já passou dos limites e se tornou obsessão há muito tempo, e por acaso essa mesma obsessão virou pauta preferida do conteúdo direcionado às mulheres. Podem dizer que os homens estão começando a entrar no alvo dessa indústria também, mas a pressão sobre eles ainda é muito menor que a exercida sobre as mulheres. A obrigação de ser bonit@ ainda é majoritariamente feminina.

É óbvio que, quanto maior o número de mulheres profundamente insatisfeitas com seus corpos, maior é o lucro da indústria da beleza, e consequentemente, maior é a audiência, alcance e penetração dos meios de comunicação que incentivam esse tema. Sinceramente, não devemos esperar qualquer mudança daqueles que ganham dinheiro com a situação, mas podemos esperar a transformação desse cenário utilizando justamente os veículos de comunicação.

As mulheres estão satisfeitas com esse conteúdo atualmente porque aprenderam a associar beleza como uma questão feminina, e porque não são expostas a nenhum conteúdo diferenciado com uma linguagem que se aproxime do seu cotidiano. Toda mulher que se adapta às expectativas de beleza ganha a tão sonhada aprovação social, e dessa forma ela precisa ser alimentada diariamente com as novas promessas da indústria. Mas, o grande trunfo dos embelezadores é o fato de que elas NUNCA ficarão completamente satisfeitas, porque o que move essa lógica é a meta de beleza inalcançável, aquela que nenhuma mulher poderá ser competente o suficiente para atingir.

As conseqüências da desobediência são fatais, toda mulher sabe que subverter uma regra de beleza pode lhe custar uma ofensa, uma desaprovação ou mesmo o terrível estigma da feia, relaxada e descuidada. Assim, ess@s autor@s de artigos femininos se apresentam como melhores amigas, salvadoras da pátria, aquelas que vão poupar a pobre mulher do seu destino solitário com milhares de dicas, que vão deixá-la um poquinho mais próxima do ideal de beleza – mas nunca o bastante. É como pendurar uma cenoura na sua frente e prendê-la à sua cabeça, você pode correr feito uma retardada, mas nunca vai chegar lá.

Daí, a mulher resolve enfim brigar contra toda essa loucura, e descobre que as pessoas mais próximas também são agentes a serviço da ditadura da beleza. Quem ousa desafiar a lógica pode sofrer com a reprovação das pessoas que mais ama e confia, e por isso muitas preferem permanecer na silenciosa rotina da missão-beleza a correr o risco de destruir a própria vida pessoal. Não podemos culpar essas mulheres, afinal, a pressão é gigantesca e o preço a se pagar alto demais. Mas, ainda podemos mostrar a elas algumas formas diferentes de pensar a própria imagem.

Uma breve observação no panorama geral pode ajudar a despertar uma nova perspectiva, afinal, não é possível que nossos corpos estejam completamente errados e que o nosso destino seja enriquecer a indústria da beleza com as nossas intermináveis frustrações. Tem algo de muito errado nessa história. Não me parece justo que eu acesse conteúdo buscando informações relevantes e me depare com milhares de artigos invadindo meu corpo e impondo que ele seja transformado a qualquer custo. Se o meu corpo é o meu instrumento de relação com o mundo, algo tão particular, como pode uma indústria mesquinha apoderar-se dele por completo? Como pode a cultura da beleza ter chegado ao ponto de bombardear meu espaço mais íntimo, me convencendo de que preciso entregá-lo aos seus cuidados?

“A indústria quer aumentar a auto-estima das mulheres, está apenas dando o que elas querem” dizem por aí. O que as mulheres querem, assim como todo ser humano, é respeito e auto-realização. A ditadura da beleza criou necessidades que não existem e as apresentou como ferramentas legítimas de aprovação social para as mulheres. Mulheres com auto-estima fortalecida não interessam a ninguém, porque não precisariam consumir e tampouco permitiriam que seu corpo fosse objeto de intervenção constante para “correções”.

Lembro de uma frase de Gloria Steinem (ou seria da Greer?) que diz: “Toda mulher sabe que não importa o tamanho do seu sucesso, ela será sempre um fracasso se não for linda”. Ou algo assim. O importante é denunciar que mulheres políticas, engenheiras, arquitetas, sociólogas, presidentas, atletas, pedreiras, professoras, astronautas, ou seja lá de qual profissão forem, ainda são julgadas em primeiro plano pela sua beleza. A imprensa insiste em evidenciar a “feminilidade” da mulher que escolheu uma profissão considerada “masculina”. “É uma policial durona, mas não deixa de cuidar dos cabelos e ser vaidosa”.

Tenho náuseas quando essa mesma indústria fala em “cuidados pessoais”. As mulheres vítimas desse terrorismo não estão “se cuidando”, estão se esforçando como loucas buscando a aprovação social e a adequação aos padrões. E claro que o caminho das dietas, exercícios e clínicas de estética é no mínimo exaustivo. As mulheres não estão buscando o “sentir-se bem” consigo mesmas em campos floridos como nas propagandas, elas SÃO OBRIGADAS a associar o bem-estar com o único modelo aceitável de ser mulher. Só se sente realmente BEM a pessoa que é aceita socialmente e goza de plena liberdade, e o único caminho que deram às mulheres para isso está atrelado a um modelo de beleza utópico. A estratégia deles é dizer que você será mais feliz com 5 kg a menos e uma sessão de Manthus, quando na verdade estão criando uma imposição para que os outros te impeçam de ser feliz caso você não ceda às pressões.

O meu recado para as moças é simples: NÃO, VOCÊ NÃO ESTÁ FAZENDO ISSO PORQUE QUER SE SENTIR BEM CONSIGO MESMA. Você está simplesmente se rendendo, exausta, ao que tanto cobraram de você e te convenceram durante anos. Você não coloca silicone nos seios para que você mesma se goste, essa é a condição que te impuseram para o mínimo de felicidade. Você nunca teria “corrigido” o seu corpo se alguém não te convencesse de que existe algo errado, de que há um “certo” para todas e de que não é possível ser completa sem obedecer esse padrão. Eu nunca vou te culpar por isso, mas quero que você saiba que existe um caminho diferente, em que você pode olhar no espelho e se admirar, se reconhecer na própria pele, exigir sua própria identidade e mandar a indústria da beleza pro inferno – junto com o lixo tóxico desses sites.

Anúncios

, , , , , , , , , , , , , , , ,

14 Comentários

Mulher legal tem nome: homem.

O tempo nunca esteve tão curto, os dias parecem demandar pelos menos umas 30 horas ao invés de 24, mas sobrou uma brecha para uma reflexão rápida.

Imagine só que basta uma mulher ser espontânea, ou não apresentar as “frescuras” que lhe seriam óbvias, ou expressar sua sexualidade de alguma forma, para que logo receba um apelido bastante significativo: “homem”.

homens bebendo

Tenho passado por isso com muita freqüência, como se tivesse optado por uma identidade de gênero “masculina” apenas por agir com naturalidade. É incrível como os homens esperam que as mulheres tenham seu comportamento regrado e submisso em TODAS as situações, até mesmo em um ambiente de descontração ou conversa entre amigos. Mulheres não falam alto, não falam palavrão, não “zoam”, não arrotam, não gostam de se divertir, não falam de sexualidade, não fazem piadas, não “intimam”, não falam sobre coisas que dão “nojinho” e, principalmente, nunca se fazem ouvir em uma rodinha de homens.

Quando uma mera mortal ousa fazer uso de qualquer um desses itens, é logo taxada de HOMEM. Pois eu digo: Não, obrigada. Sou MULHER!

Isso mesmo, mulher que faz tudo isso e o que mais eu quiser. Mulher que se desconstrói todos os dias, não por obrigação, mas por NECESSIDADE de ser livre. Não preciso ser um homem para me comunicar com espontaneidade.

Mulheres são também as “iludidas”.

videogame

Frases clássicas: “Ah, se minha mulher souber disso fudeu!”, “Não, vai que minha mulher descobre...”, “Puta, que merda, minha mulher vai atrapalhar tudo..”, “Ah, sabe como é, mulher não entende essas coisas”. Elas não são capazes de “entender” os valores masculinos e todo esse lifestyle livre, espontâneo e ousado que parece ser exclusivo dos machinhos. Mulher não participa da hora divertida, engraçada, da descontração plena. Mulher é problema, é espinho no sapato, tem que tratar assim e assado, não pode estar presente quando a coisa fica muito “real”. A companhia feminina é chata, “fresca”, limitada e pouco expressiva. Se possível, dispensável.

dona_de_casa

Amizade ente mulher e homem? Não, esquece, afinal é praticamente uma imposição que ambos acabem na cama. Até a visão das amiguinhas se descobrindo sexualmente parece super aceitável, mas quem vê por aí os amigos homens camaradas vítimas da “ameaça sexual” em suas relações? Mulheres que mantém amizades com homens são então um tipo de alvo contínuo das segundas intenções? Afinal, quando será que um macho vai encarar sua amiga mulher com as mesmas possibilidades sexuais que seu amigo homem? Nunca, porque uma mulher companheira e participativa é inevitavelmente uma oferta de sexo.

Acho que eu nem precisaria dizer isso, mas é claro que existem suas exceções. Eu trabalho com a regra.

A sexualidade da mulher é mais obscura aos homens do que parece, e quando nós mesmas falamos no assunto parece que o ambiente se torna tenso de tão surpreendente. Há aqueles que logo imaginam, “uma mulher que fala de sexo deve estar querendo sexo”, convém destruir o discurso desses pobres coitados. Nossa sexualidade é viva, vigorosa e deve ser motivo de orgulho ao invés de vergonha. Menstruamos, gozamos, nos masturbamos, sentimos tesão e nosso genitais não podem ser sinônimo de passividade, não somos meros receptáculos e muito menos dependentes de um pênis. Também não demonstramos perversão ou descontrole ao falar dessa sexualidade, estamos apenas nos expressando e mostrando a todos esses machos que não somos seus objetos sexuais, somos sujeitos plenos de nossa sexualidade.

O que me incomoda profundamente é a seguinte cena, que insiste em se repetir: Há vários homens no ambiente e uma mulher, os homens dizem algo que julgam “inapropriado” para a presença feminina e logo alguém resolve justificar “Fica tranqüilo, essa daqui é praticamente um homem!”. O mais triste é ver o sorrisinho da moça depois de sua grande conquista, como é ilustre ser um homem também! Pra que ser mulher? Pra que defender a liberdade das mulheres se eu posso me adequar com meus méritos de homem? Mal sabe a moça que suas credenciais masculinas atribuídas têm validade baixa, talvez lhe serão úteis até que se relacione com um dos machos do bando.

cabeleireuiro

Infelizmente não tenho a obra “Mulher Inteira” à mão nesse momento, mas se não me engano é neste livro que a Germaine Greer analisa uma situação em que uma mulher discute dentro de um grupo predominantemente masculino. O resultado é enraizado, homens dando pouca atenção ao que a mulher diz e buscando uma posição de dominação todo o tempo. Eu sinto isso da mesma forma, por isso faço questão de disputar a voz e me fazer ouvir.

A minha mensagem para as mulheres é que levantem sua voz, sejam espontâneas e infiltrem-se nesse submundo macho das confraternizações. Não existem limitações ou ponderações exclusivas para o discurso de uma mulher, libertem-se de todo esse senso comum e não tenham receio de se expressar. Não precisamos nos prender a uma construção doentia que nos afunda em contenções e máscaras cor-de-rosa, muito menos nos limitar ao salão de beleza enquanto os machinhos nos evitam em algum lugar verdadeiramente divertido.

“Sou tão fêmea que sou subversiva”

, , , , , ,

9 Comentários

Caso Abdelmassih: O médico estuprador

“Roger Abdelmassih, 65, o especialista em reprodução in vitro mais conhecido no país, foi indiciado na manhã desta terça (23) pela Polícia Civil de São Paulo sob a acusação de estupro e atentado violento ao pudor. Mais de 60 pacientes acusam-no de abuso sexual.”

Veja a cobertura completa do caso aqui, que também é a fonte dos recortes apresentados.

cretino

Roger Abdelmassih não é apenas um tarado cheio de dinheiro protegido por uma fortuna e uma coleção de rabos presos, ele é um médico pioneiro e respeitado em todo o mundo por sua carreira brilhante. E acima de tudo, o cretino é muito esperto.

Como muitos estupradores, Abdelmassih sabe como se aproveitar do medo e do horror de uma mulher. Ele usa de todo o seu poder e prestígio para manter suas vítimas caladas e vulneráveis, e isso só é possível porque as mulheres já são inferiorizadas normalmente.

As mulheres que procuram a clínica de fertilização do Dr. Abdelmassih sonham com a maternidade, estão no seu momento mais delicado e investem pesado para isso – porque podem. A maioria dos abusos cometidos pelo médico ocorreu no momento pós-sedação, em que as mulheres se encontravam absolutamente indefesas e confusas.

“Acordando, ainda grogue, vi que eu estava com o pênis do doutor na mão. Tentei me levantar, cheguei a sentar na maca. Aí, o dr. Roger abaixou o jaleco, disse ‘calma, calma, calma’ e saiu da sala. E fui chorando ao encontro do meu marido, que aguardava na recepção da clínica.” Depoimento de Ivanilde Serebrenic

“[Ao acordar da sedação para retirada de óvulos] ele me deu um abraço e perguntou se podia me dar um beijo. Quando dei o rosto, ele veio com a língua e eu gritei: ’Para com isso, para!’. E ele disse: “Vai ser bom para você, você precisa relaxar.” Relato de Crystiane Souza

O quanto relaxante pode ser o beijo forçado de um velho violento? Abdelmassih sabe que as mulheres não desejam o contato sexual com ele, mas também se acha no direito de abusar delas apenas por serem mulheres. Ele sabe que sairá impune, por isso intimida suas vítimas e pede para que fiquem calmas, para que deixem o processo fluir já que é bastante comum sofrer abuso.

“Sob efeito de medicamentos e se sentindo frágil, sem forças, a paciente não pôde reagir quando o médico Roger Abdelmassih, 65, aproximou-se, levantou a camisola dela, abaixou a sua calça, pôs o pênis para fora e a estuprou. ” Sobre depoimento de uma paciente que não quis se identificar.

nojo

O mais engraçado nessa história é que acusam o médico de mais de 60 “abusos”, porém apenas um “estupro”. Estupro no caso seria apenas penetração, todo o restante do comportamento sexual violento não figura estupro algum.

“[O médico] passou a mão nos meus seios, na minha vagina e chegou a colocar o pênis para fora [da calça]. Graças a Deus neste momento alguém tentou entrar no quarto. Ele me soltou e corri para o banheiro. Fiquei lá, chorando.”

Monika

Monika

Porque chorar e não acabar com a raça do infeliz? O próprio médico usou em sua defesa o argumento de que as mulheres retornavam ao seu consultório, questionando “se você fosse vítima de um abuso, voltaria ao meu consultório?”. É conveniente acreditar que mulheres poderiam simplesmente reagir e abandonar o tratamento dos seus sonhos pelo qual pagaram muito dinheiro, ignorando toda a pressão que sofrem em uma situação como essa. Mesmo assim, algumas mulheres não suportaram e deixaram de freqüentar a clínica.

“[…]contei ao meu marido, que não acreditou. Ele disse: “A gente tem muito dinheiro lá [na clínica] e tem um objetivo, que é ter uma filha. Você é descolada, saberá se virar bem,” contou Monika Bartkevitch.

Monika não só sofreu nas mãos do médico estuprador, como também foi humilhada e acabou se separando de um marido machista, que por acaso pertencia ao meio médico e tinha medo de denunciar o “colega”.

“[…]ainda tinha de enfrentar familiares e amigos que perguntavam se eu havia dado abertura. Isso quase me deixou louca. Eu me perguntava, será que fiz algo errado?”

Culpe a vítima. Culpe a mãe. Culpe a mulher, a vagabunda eterna. Um estuprador nojento ataca uma mulher e ainda a culpam por não ter conseguido se defender, enchem-na de interrogatórios humilhantes e a fazem reviver cada momento de sofrimento procurando alguma evidência que a torne suja e imoral. Aliás, esta é uma grande arma do Dr. Abdelmassih, ele sabe que a pressão da imprensa, da justiça e de todo o público obrigarão suas vítimas a um constrangimento contínuo e desgastante.

“Neste último mês passei por momentos horríveis, pois tive que falar com várias pessoas da imprensa e relatar com todos os detalhes para as autoridades.

ivanilde[4]

Ivanilde

Uma mulher que sofreu abuso, que foi tocada contra sua vontade por um homem, é vista como cúmplice e desafiada a confirmar sua história de horror milhares de vezes. Ivanilde, Crystiane e Monika são mulheres muito corajosas, que saíram do anonimato e vão enfrentar seu estuprador na justiça. Elas querem inspirar as outras 58 mulheres a fazer o mesmo, mas sabem que tomar a decisão de se expor publicamente em um caso como esse ainda é assustador para uma mulher. Nenhuma delas teria aparecido para depor se alguém não tivesse tomado a iniciativa, pois denunciar um homem poderoso representa um risco constante de derrota e mais humilhação.

“Abdelmassih já atribuiu as acusações a um complô de médicos concorrentes, a uma campanha mobilizada pela internet por uma das ex-pacientes, às “alucinações sexuais” por causa do efeito da anestesia, às fofocas e mentiras e agora à frustração de mulheres que passaram pela clínica.”

O argumento de que as mulheres teriam ficado frustradas por não engravidar já é totalmente inválido, porque em muitos dos casos a fertilização teve sucesso. Os anestesistas confirmaram que as alucinações sexuais não eram possíveis e parece que 61 mulheres não relatariam abusos por causa de um complô de médicos. O canalha é cara-de-pau.

Abdelmassih_Lima_Vanni2_thumb[5]

O monstro e seus comparsas, advogados do diabo

Apesar de todos os indícios, o monstro será defendido na justiça por dois advogados criminalistas ultra respeitados. Abdelmassih é um doutorzinho de merda escondido atrás de muito corporativismo e pronto para humilhar pela segunda vez todas as mulheres que estuprou. Não tenho dúvidas de que perante o juiz não faltarão argumentos para retratar as mulheres como verdadeiras “vadias”, culpadas pelos seus corpos libidinosos e por não carregarem uma Glock no bolso quando vão até a clínica de fertilização.

Desejo que essas mulheres agüentem firmes e acabem com o desgraçado, façam isso por elas mesmas e por todas as outras. Não é por acaso que os índices de estupro ainda são gigantescos, que ainda temos que temer pela nossa integridade física cada vez que saímos de casa, que até mesmo em nossos lares somos vítimas do abuso, que nos culpam pela violência que sofremos e que tememos a figura de um homem poderoso que toma o direito sobre nossos próprios corpos e nos invade brutalmente.

Reagir é a regra, lembrem-se que estamos nos defendendo, e para isso VALE TUDO (até a Glock na clínica não é uma má idéia).

E é claro, terei minha própria visão reforçada quando entre os termos mais procurados do meu blog eu encontrar “vídeos de estupro”, “mulheres sendo estupradas”, “vadias sendo estupradas”. Acontecerá, acredite.

, , , , , , , , , , , ,

22 Comentários

Assédio e abuso verbal nas ruas: bons motivos para resistir.

Para ter certeza de que as mulheres são inferiorizadas, basta ser uma delas e estar andando pelas ruas. Sinto-me um soldado pronto para a guerra cada vez que faço algo tão simples quanto sair para trabalhar, estudar ou comprar um pão.

Você está andando pela calçada, feliz e tranqüila, quando avista um grupo de homens que podem estar do mesmo lado da rua ou do outro. Imediatamente as criaturas começam a medir você de cima a baixo, com expressões tão sádicas que nem os próprios acreditariam se tirássemos uma foto. Você logicamente começa a se sentir constrangida, ansiosa e incomodada, sabe o que vem logo em seguida.

A agressão varia muito, mas é encarada de forma tão natural que chega a ser bizarro. Lá estão os trolls popularmente “mexendo” com a mulher, dizendo desde gracinhas peraltas até insultos sexuais violentos, com o mesmo tom audacioso e cheio de desprezo. Assediam as mulheres quando querem, como querem e da forma que bem entendem, perturbam nosso direito de ir e vir e gozam da impunidade.

mujer

Sobre o velho discurso de que as mulheres “gostam” do assédio nas ruas, posso oferecer meu depoimento pessoal. Admito, já me impulsionei a gostar da situação, em certa época da minha vida acreditei que as ditas cantadas eram uma forma de admiração, significavam que eu era atraente e interessante. Quanta ingenuidade.

Só fui realmente entender que estava sofrendo uma violência quando parei para analisar porque aquilo era um tanto “estranho”, meio repugnante, mas ao mesmo tempo necessário e agradável. Na verdade, a minha auto-estima dependia de algo tão grosseiro quanto um assédio para manter-se bem porque era simplesmente esmagada de todos os lados. Levam as mulheres a crer que elas precisam da atenção e da aprovação de um homem, que seus corpos devem ser objetos de pura luxúria para que se mantenham orgulhosas e “poderosas”.

Assim são enfiados goela abaixo padrões femininos e cada vez mais somos cobertas de exigências. Quando enfim somos reconhecidas pelos homens a quem tanto devemos e precisamos, surge uma falsa sensação de êxito. Muitas mulheres enfrentam esse condicionamento e encaram o assédio como uma vantagem, mas ainda assim reconhecem que tem algo errado no processo. Pude conhecer e ter contato com diversas mulheres que hoje odeiam e repudiam essa prática, embora no passado tenham aceitado. Há ainda aquelas que, expostas a uma reflexão sobre o assunto, parecem despertar repentinamente para algo que nunca sentiram antes.

Podem insistir o quanto quiserem que existem algumas mulheres que gostam e pronto, mas apresento um FATO: Todas as mulheres alguma vez na vida já mudaram de calçada ao avistar uma reunião de homens. Todas já se sentiram humilhadas, constrangidas ou profundamente irritadas com um assédio, e a maioria tem uma bela história de horror pra contar, como maravilhosamente exposto no blog Escreva Lola Escreva. E mesmo que muitas mulheres supostamente aceitassem o assédio, ainda existiriam milhares de outras que detestam e possuem o direito de ficar em paz.

cantada

Um homem que assedia na rua não espera que a mulher sinta-se lisonjeada e vá ao seu encontro para uma noite de sexo, não espera sequer que ela lhe responda. Eles fazem isso porque simplesmente se acham no direito de fazê-lo, sentem prazer em constranger mulheres e objetificá-las, enfatizando o desequilíbrio das relações de poder. Quando estão em grupos, deliciam-se com o status másculo que recebem ao assediar uma mulher, já que estão protegidos e apoiados por suas corjas. Quando sós, sentem-se seguros da mesma forma, o que uma mulher poderia fazer a respeito?

Se ela usa um decote, eles logo julgam que está se oferecendo. Se em um dia quente de verão eu resolvo usar uma saia, estou colocando meu corpo em uma vitrine e me sujeitando ao julgamento de um bando de machinhos. A culpa não é da mulher e do seu corpo, a culpa é da ótica masculina que recorta nossos corpos em partes e sexualiza cada uma delas. Se não podemos sair às ruas com nossos corpos sem sofrer assédio, que porra de liberdade é essa afinal?

Os homens que assediam acham realmente que podem invadir nosso espaço e fazem de tudo para que possamos ouvir seus insultos. São protegidos culturalmente e sua atitude é legitimada pelo machismo. Quando confrontados, estão sempre prontos para negar o que fizeram, fazer deboches ou simplesmente agir com violência. Uma reação feminina nunca é esperada, é cômodo que elas permaneçam boas ouvintes submissas e envergonhadas.

A seguir alguns argumentos de homens, retirados de comentários do artigo sobre assédio nas ruas publicado no Mídia Independente, aqui, e de um documento encontrado na web comentando o mesmo artigo, disponível aqui:

Machista

“Não entendam mal, e o tesão como fica? Como animal do sexo masculino não posso deixar de olhar ou até mesmo desejar uma femea que eventualmente me chame a atenção, não foram poucas as vezes que senti desejo sexual ao ver uma bela mulher com um vestido ou uma saia bem sensual.”

Começamos por “animal do sexo masculino”. O cidadão se define praticamente a partir de argumentos biológicos de que homens são naturalmente vorazes sexualmente e não conseguem resistir. Como se realmente houvesse um comportamento “natural” no ser humano, e como se a construção social e história de opressão das mulheres, inclusive com a divisão do trabalho, não influenciassem o comportamento sexual que vemos hoje. Querem castrar a mulher de toda e qualquer virilidade, justificando o assédio através de uma suposta natureza masculina promíscua. Como somos selvagens e fiéis aos nossos instintos, não é mesmo?

O vestido e a saia são vistos como sensuais e provocantes, independente da vontade da mulher que está vestindo. Não teremos o direito de resignificar nossas vestes e expressões corporais enquanto existirem estereótipos prontos para qualquer coisa que usemos. O desejo sexual do cidadão é um problema exclusivamente dele, poderá sentir o que quiser desde que respeite a mulher como indivíduo e seu espaço. O que temos a ver com suas ereções? Não precisamos compartilhar dessa fantasia e muito menos ser comunicadas a respeito.

“Creio que a maior parte das mulheres se interessariam se fosse um cara rico numa Ferrari.”

Machismo pouco é bobagem. O estereótipo da mulher interesseira é mais uma das coisas que temos que suportar. Mulheres já foram usadas como verdadeiros mostruários ambulantes das riquezas de seus maridos, encerradas em suas casas compensando toda a frustração em bens materiais. Conquistaram o direito básico do acesso ao mercado de trabalho há pouquíssimo tempo, ainda ganham menos, sofrem assédio e raramente alcançam posições superiores. Enquanto disputam o acúmulo de capital em uma competição inteiramente masculina e desigual, não é de se surpreender que muitas ainda enxerguem no dinheiro e status uma compensação para seus problemas, ou mesmo para o homem rico que terão de aturar ao seu lado. Felizmente, a situação tende a melhorar e cada vez mais mulheres pagam suas contas e não dependem mais de riquinhos em Ferraris.

De qualquer forma, assédio não tem idade, classe social e cor, não são raras as vezes que o executivo babão é tão repugnante quanto o pedreiro da esquina em seu abuso verbal.

“Use a tal burca dos muculmanos, ai ninguem olhara nem desejara vcs. Mas oq ue vcs fazem no verao? Colocam uma mini blusa, um salto, pernas e barrigas de fora. E ai saem desfilando na rua. E querem o que?”

Queremos respeito, como já foi dito antes, fodam-se vocês e sua ótica machista nojenta. Temos o direito de andar nas ruas como bem entendermos sem sofrer qualquer violência ou abuso. A burka também não protege as muçulmanas da violência desse suposto “desejo”, são estupradas e molestadas da mesma forma, com vestes diferentes.

troll

“Se fosse por mulheres assim o mundo ja tinha sido extinto, nao procriariamos.”

Praticamente a máxima do machismo, parabéns para o indivíduo que escreveu isso. Exatamente, para muitos homens ABUSO é parte do sexo. Enxergam a posição submissa de uma mulher como critério para uma relação sexual bem sucedida. O cara simplesmente disse que sem assédio e abuso, as mulheres não fazem sexo e logo não procriamos. Além de ignorante, promove a heteronormatividade.

“Não temos maiores problemas na vida? Mulheres fortes nao se afetam por estas bobagens.”

Eu realmente não suporto essas pessoas que tentam fugir de uma discussão alegando que existem outros assuntos mais importantes. O que está em pauta são os direitos das mulheres, sou uma mulher e quero meus direitos, se alguém acha que existem coisas mais importantes, nunca perca seu tempo expondo uma opinião ridícula a respeito. O cidadão da frase parece achar que a “força” da mulher está em ignorar o assédio, fingir que nada aconteceu. Como dizem por aí, e estão certíssimos, “o seu silêncio não vai proteger você”.

“ Quando passa uma Ferrari eu digo que carrao. Quando vemos uma bela casa olhamos para ela. E isto ? ofensa?”

Perfeito, cara. Mostrou com belos efeitos comparativos o que as mulheres são na ótica masculina: objetos. Tente ofender uma casa ou uma Ferrari.

“Se nao quer chamar a atencao nao se produza, ou se produz para que?”

Se não quer ser assaltado, não saia de casa, oras. Mesmo que você goste de precise carregar sua carteira, é culpa sua que os assaltantes estão te atacando, assim como é culpa das mulheres quando são estupradas.

“Eu sou dos que olham uma mulher como um pedaco de carne, mas a primeira vista somos exatamente isto, um pedaco de carne muito bem enfeitado.”

É exatamente por isso que o feminismo é a noção de que as mulheres são pessoas. Sou um indivíduo, queiram os homens ou não, e terão que me respeitar. Pedaços de carne, exatamente como são tratados os animais de abate, resumidos a um objeto de consumo com suas vidas totalmente desprezadas.

“Eu como homem de vez em quando sou elogiado, nao me sinto ofendido, faz parte da vida. Mesmo que seja uma macaca.”

Fiquei em dúvida se o termo “macaca” faz referência a uma primata ou se foi algum tipo de insulto racista medíocre. No caso deste cidadão, eu arriscaria na segunda hipótese. Quantos homens sofrem assédio e abuso verbal nas ruas, e quantos deles realmente se sentiriam ofendidos nessa situação? É como um branco dizer que é melhor que um negro e depois um negro dizer que é melhor que um branco, dá pra sentir uma diferença gritante? Sim, a posição inferiorizada da mulher é decisiva para definição das relações de poder, um homem “assediado” jamais levaria a sério ou sequer ficaria constrangido. Engraçado também como o rapaz insiste na palavra “elogiar”, considerando o assédio uma atitude positiva e de admiração.

chuck

“Eu sou homem, mas morro de medo de assalto e de outros problemas”

Enquanto você teme um assalto, eu tenho que temer pela minha integridade física e moral só porque sou mulher.

“Vc esta se colocando numa situação péssima”

Até NISSO as mulheres são culpadas, por se incomodarem com o assédio e sentirem a repressão elas são culpadas e têm que resolver isso. Os homens NUNCA têm culpa de nada que fazem. Eu me coloquei nessa situação, de repente eu inventei que ser chamada de “gostosa” e ouvir um neandertal dizer que “quer ser pai dos meus filhos” depois de sussurrar “delícia” é uma forma de abuso, quando na verdade são homens bem intencionados seguindo sua cartilha de testosterona para inocentemente agradar as mulheres.

A resistência masculina às ideias feministas é óbvia e previsível, assim como seus ataques baratos e esperneios infantis. Quando se sentem ameaçados já começam a dizer que eu não tenho senso de humor, que sou mal-amada, preciso de uma rola, qualquer tentativa infeliz de insulto. Pior, começam a tentar esconder a situação, dizem que é exagero e procuram tapar o sol com a peneira.

Afinal, vejam que maravilhoso, conquistamos o direito ao voto e ao mercado de trabalho, enquanto a maioria de políticos ainda é masculina e a competitividade do business coloca homens sobre as mulheres. Também conquistamos o direito de foder quem quisermos, mais que isso, ganhamos um bombardeio de incentivos para aumentar nossa disponibilidade sexual e glorificar a penetração. Ao invés de queimar nossos sutiãs, estamos os recheando, às vezes através da mutilação deliberada.

Como bônus, ganhamos o assédio nas ruas e o abuso verbal, cuja violência aos poucos está sendo reconhecida pelas mulheres.

Temos que nos virar para encontrar meios de lutar, uma mulher não conta com proteção legal e o abuso verbal sofrido dificilmente é enquadrado em danos morais, imagine em assédio sexual. Policiais podem no máximo rir da sua cara.

Como já mencionado antes, o nosso silêncio não irá nos proteger. Portanto, a solução que parece mais viável no momento é resistir. Disseminar a ideia e organizar mulheres é importante, mas também é preciso reagir de imediato.

girlready

Não, não deixe que eles o façam. Quando for assediada, conteste, resista, grite, acreditem em mim, a maioria dos homens fica sem reação porque nunca esperam que a mulher tenha a coragem de enfrentá-los.   Claro, considere se está em um local arriscado ou não. A possibilidade do cara que mexeu com você ser um psicopata armado que vai te estourar em público é quase nula, e lembre-se que a cultura do MEDO tem sido induzida nas mulheres e que há uma razão para isto.

A mulher amedrontada se torna vulnerável e é um alvo em potencial, não reage e suporta calada as mais diversas agressões. Não somos frágeis, tampouco covardes. Somos mulheres e não precisamos nos sujeitar a abusos masculinos por receio ou medo, as estatísticas demonstram que homens estão mais propensos a ter uma morte violenta do que as mulheres, mas nós é que somos educadas para temer tudo e todos.

Boa

Superado o complexo de vulnerabilidade imposto, resta criar seu discurso e reagir quando necessário. O importante é nunca ficar em silêncio, fingir que não ouviu o assédio e não sentir-se intimidada, afinal são apenas homens. Na sequência uma breve lista de dicas para você, mulher, que se sente ofendida e constrangida, reagir ao assédio:

– Tudo o que o cara não espera é que você reaja, lembre-se disso, você tem praticamente um elemento surpresa.
– Quando passarem por você sussurando obscenidades, pare, vire-se e grite algo como “Você falou comigo?”. Ele vai tomar um susto e dizer que não.
– Se o elemento estiver parado no caminho e começar a te medir, passe encarando-o firme e com o pensamento fixo “fala alguma coisa pra você ver”. Quase nunca ousam.
– Quando disserem um desaforo pra você em alto e bom tom, e costumam fazê-lo em grupo, pare, vire-se e diga no mesmo tom o que tiver vontade. Discuta, se necessário, lembre-se que são apenas homens e eles te xingaram sem motivo, use isso ao seu favor. Normalmente o discurso “e se fosse sua mãe ou irmã”, algo sobre respeito e uma boa tirada funcionam bem, o grupo ri do indivíduo e no máximo te acusam de estar nervosinha.
– Para caras de carro, a regra é fazer gestos pouco amigáveis.
– Se ousarem te tocar, pegar no seu braço, cabelo, ou qualquer coisa, a ordem é fazer um escândalo fenomenal. Se tiver confiança suficiente, um pouco de técnica e nenhum medo de trocar uns socos, parta pra agressão (pouco recomendável).
– NUNCA se encolha, fique envergonhada, faça carinha de brava, saia andando depressa, finja que não ouviu ou dê risada.
– Se comentarem sobre seu corpo ou roupa, revide dizendo que não comentou sobre o corpo do indivíduo e que ele não tem esse direito. Parece engraçado, mas muito pedem desculpas ou ficam sem graça.
– O elemento surpresa aliado a um berro repentino costumam dar um bom susto no machinho e render boas risadas para todos em volta. Humilhe-o sempre que puder.
– Lembre-se: Uma mulher reclamando de assédio é defendida pelas pessoas em volta na esmagadora maioria das vezes, aprenda a usar uma das poucas vantagens que o papel de vítima lhe trouxe ao seu favor enquanto for preciso.
– Esta não é nada ética, mas sinceramente quando estou de saco cheio esvazio o estoque de palavrões e aproveito os efeitos terapêuticos.

Essas dicas são bem pessoais e são baseadas nas minhas experiências como cidadã de São Paulo moradora da Zona Leste, considerada “branca” e de classe média. Importante ressaltar que a eficácia das recomendações está sujeita à milhares de circunstâncias e podem expor a mulher a alto risco dependendo do local e pessoas envolvidas. Saiba onde fazer, o que fazer, quando fazer e como fazer, e não fique intimidada sem necessidade.

O assédio nas ruas é um ótimo indicativo da situação da mulher, especialmente no Brasil. Nós não podemos aceitar essa liberdade pela metade.

Resista por você e por todas as mulheres.

, , , , , , , , ,

19 Comentários

Goru Hentai: Expressão do ódio contra a mulher

ATENÇÃO, CONTEÚDO PESADO E VIOLENTO.

Ok, já temos um jogo de videogame cujo objetivo principal é estuprar uma mulher e sua filha e depois fazer com que abortem, temos snuff movies (filmes pornográficos em que a mulher é estuprada e morta), temos as mais diversas perversidades e fetiches possíveis sobre o corpo feminino. Mas sempre se criam novas formas de mostrar até que ponto chega a violência contra a mulher.

Como se não bastassem todos aqueles hentais em que enfiam tentáculos nojentos em mulheres, sempre mostrando cuidadosamente o sofrimento das vítimas, parece que uma nova “onda” de hentais invadiu o imaginário masculino japonês.

O nome da doença é “Goru”, uma espécie de hentai em que são exibidas mulheres dilaceradas, com seus órgãos expostos e em situações de extrema dor e mutilação. São jovens, estão sempre nuas, com expressões agonizantes e preferencialmente com seios e órgãos genitais estripados. É como se não fosse mais suficiente explorar seios, canais vaginais, bundas e outros “pedaços” recortados de mulheres, agora a expressão superior da objetificação pornográfica é dilacerar as partes femininas para encontrar outras formas de excitação.

Goru

Não ouso colocar imagens maiores.

Não conseguiria mostrar certa imagem que vi, um hentai retratando uma garota decapitada, enquanto sua cabeça permanecia no chão um homem penetrava o pescoço aberto e o outro dilacerava os genitais. Muita gente já considera a nova perversidade como doente, sanguinária, absurda e etc. Mas, sinceramente, essas coisas para mim são bastante previsíveis, são nada mais que a representação extrema de uma situação bastante comum.

É engraçado ver pessoas que admitem os hentais em que mulheres são penetradas contra sua vontade por tentáculos monstruosos e recriminam os Goru. É ainda mais curioso observar que grande parte dos estímulos supostamente sexuais promovidos por estes desenhos partem do sofrimento de uma mulher, seja ele físico ou psicológico.

Estupro

Faz parte da rotina dos admiradores de hentai gozar com mulheres submissas, humilhadas, estupradas, exploradas e tudo mais que a imaginação permita. A desculpa é que, como se tratam de desenhos, todas as fantasias bizarras são válidas. Como se os desenhos não fossem uma reprodução cada vez mais fiel de seus comportamentos e desejos reais.

As mulheres dos hentais muitas vezes são retratadas com seios enormes, cinturas finíssimas e quadris largos, de forma tão desproporcional que só um desenho poderia oferecer. Ou, em outra versão do estereótipo, são retratadas como ninfetinhas inocentes de corpos quase infantis. Os pênis também costumam ser gigantescos, sempre prontos para ejacular litros de porra em qualquer parte de uma mulher que esteja em posição suficientemente subjugada.

Os famosos tentáculos são um show de horror à parte. “Uncensored pictures and movies of monsters with many tentacles invading young hentai babes.” Estampa um site. Isso mesmo, a tal tara consiste basicamente em garotinhas sendo penetradas dolorosamente por um tentáculo alien de algum monstro pegajoso. Sim, algumas pessoas se masturbam com uma coisa dessas e acham Goru o fim do mundo.

Estupro

O hentai também dissemina a idéia do bondage, com mulheres amarradas sofrendo violações enquanto não poder sequer se mexer. Tesão, muito tesão.

Violência

É fácil perceber que a dor e agonia ou submissão das mulheres são os fatores principais da excitação sexual, embora apresentados em níveis diferentes para cada tipo de Hentai. O estupro em especial parece elevar as fantasias ao êxtase, violar uma mulher e infligir-lhe dor e humilhação é o desejo latente. Alguns parecem achar que as mulheres merecem isso, outros pensam que na verdade estão gostando do ato mesmo quando doloroso e forçado. Assim os papeis sexuais femininos são difundidos, somos eternas receptoras de pintos e nosso tesão está em sofrer e suportar a penetração independente das circunstâncias, somos sempre penetráveis e incapazes de resistir.

Em questão de igualdade de direitos entre homens e mulheres, o Japão está em 79º lugar, a pior classificação entre os países desenvolvidos. A informação faz parte do Relatório de Igualdade de Gêneros 2006 apresentado na Reunião de Davos, no dia 21, pelo Forum Econômico Mundial. Não é preciso muito para perceber a situação, em um país onde mulheres sofrem caladas com a maior taxa de assédio em transporte público e trabalham vestidas de camareiras vitorianas beijando os pés dos clientes em cafés. Só pra constar, afinal nosso país não se difere muito em questão de valores.

Lá eles criam o Goru, aqui fazem filmes pornográficos com garotas visivelmente incomodadas com a dor de uma penetração violenta, ou várias. A dor e o medo da mulher são fatores campeões em excitação masculina, sem dúvida.

Embora esteja cada vez mais óbvio, eu conheço o segredinho de vocês.

, , , , , , , , , , , , , , , , , ,

66 Comentários

Women fight back! Diariamente…

Talvez eu deva começar relatando uma das experiências mais expressivas que tive recentemente, isso porque muitas vezes me falta fôlego para contá-la com a voz. Ora, me julgava preparada para as mais diversas tensões, totalmente calejada, e fui surpreendida por uma situação trivial.

Era Terça-Feira, uma chuva fora do comum parou a cidade, e eu que dependo do metrô para voltar para casa às 17h30 tive que enfrentar o caos. Faço 2 baldeações, uma para a linha azul e outra para a vermelha, na primeira havia muita gente aglomerada mas depois de uns cinco trens entrei sem maiores problemas. O vagão como sempre estava sufocante, e dois corpos quase ocupavam o mesmo espaço, mas nada de anormal.

Quando cheguei na estação Sé para a segunda baldeação o quadro era chocante, a multidão estava chegando perto das lojinhas da estação, e cada vez chegava mais gente. Resolvi esperar, já prevendo meu pânico de ser empurrada e querer revidar ali naquela confusão, ia ser dor de cabeça demais. Quando o trem se aproximou, iniciou-se o circo dos horrores: era possível ver claramente homens empurrando com brutalidade as outras pessoas em uma atitude extremamente egoísta, e ainda por cima dando risadinhas, pude enxergar o sadismo e o descaso na expressão de cada um.

Mas o pior estava por vir, vendo aqueles sorrisos macabros imaginei algo ainda mais miserável, mas tentei esquecer. Quando, de repente, no momento da abertura das portas ecoaram pela estação berros agudos de mulheres.

Não conseguia entender porque aquilo não transtornava as pessoas em volta, mas meu estômago embrulhou instantaneamente e eu senti um gelo na espinha. Os berros continuavam, exprimiam um desespero único, e  bastou um olhar mais atento para perceber as reações de cada um. Vi homens que ouviam os gritos e quase inconscientemente olhavam para a mulher próxima, com um olhar de malícia cruel que eu tenho nojo de descrever, como se estivessem visando sua vítima. Nesse momento vi mulheres desistindo e esperando ao meu lado, e no olhar das outras era nítido o terror e a preocupação de olhar para trás a cada minuto.

Somos donas de nossos corpos? Sentia meu enjôo piorando enquanto pensava nessa questão, pensava que naquele momento mulheres sofriam um abuso brutal e impune. Queria entrar correndo ali no meio e com uma bela lâmina desfigurar todos aqueles sorrisos diabólicos, porque eu sabia melhor do que ninguém o que eles significavam. Mas, alguém mais viu?…

Acabei esperando e chamando o meu namorado para me ajudar a embarcar, e quando cheguei em casa resolvi pesquisar na internet sobre o assunto. Descobri que já existiam os women only passenger cars, vagões destinados somente a mulheres criados no Japão, e para a minha surpresa existiam no metrô do Rio de Janeiro. O mais nauseante foi ler que as mulheres japonesas eram as que mais sofriam com os “chikans”, denominação para os abusadores, pois sentiam demasiada vergonha para esboçar qualquer reação. Até campanhas foram feitas para tentar alarmar a população, como no cartaz abaixo, com as palavras “Chikan é crime”.

Campanha do metrô japonês

Campanha do metrô japonês

Os vagões para mulheres pareceram a melhor solução, mas infelizmente analisando melhor percebemos que se trata de uma medida paliativa, pois essa violência simplesmente não devia acontecer. A máxima da “educação é solução” não pode ser negada, mas é engraçado notar que no Japão houve uma melhor aceitação e respeito da lei, já que muitos homens supostamente inocentes preferiram a medida a serem apontados como chikans. Já no Brasil o quadro foi diferente, no Rio de Janeiro ouvimos absurdos do tipo: “Mas aí as mulheres que ficarem no vagão misto serão mais visadas”, “Isso é separatismo, é inconstitucional”.

Parece loucura imaginar que um indivíduo deva temer que seu corpo seja “visado”, e consequentemente violentado pelo desejo de um outro indivíduo em pleno transporte público. Os especialistas classificam o ato como uma parafilia, ou transtorno sexual, mas poucos abordam o peso social e cultural que influencia. Um breve olhar pelo Rio de Janeiro ou pelo próprio Brasil mostra uma mulher sem autonomia, que teve seu corpo apropriado pela mídia do abuso e segue os rituais de tortura que são impostos para alcançar um status sexual inexistente. São levadas a competir entre si pelo melhor gancho do açougue, onde serão expostas e cada corte será vendido ao público, enquanto têm seu comportamento construído em mídias supostamente “femininas” que completam o cliclo de adestramento social.

E então uma questão perturbadora: “Ora, mas existem mulheres que também fazem isso!”. Para as mulheres que praticam abuso, mesmo que sejam poucas em relação a homens, a mesma atitude deveria ser tomada, pois vulnerar corpos é de igual violência para qualquer sexo ou gênero. E estas são além de tudo traidoras de todas as mulheres, por não se importarem com o padrão que estão criando com sua atitude que poderá afetar as outras, e principalmente por desconhecerem a situação social da mulher.

Women  fight back

Há aqueles que ousam dizer que mulheres de “respeito” não deixam que cometam abuso contra elas, então pensamos nas mulheres japonesas, quantas brasileiras não vivem igualmente sob um sistema de omissão e receio? Melhor, quer dizer que as mulheres de “respeito” são obrigadas a viver atentas em uma guarda constante de seus próprios corpos para evitar que um macho insinue um estupro? Com certeza na minha opinião a lei é WOMEN FIGHT BACK, levar o revide até as últimas consequências e mostrar aos machinhos que não haverá mais silêncio ou “feminilidade”. Chega dos moldes patriarcais que insistem em nos objetificar, faça isso por si mesma e por todas as mulheres.

Este é um apelo deseperado de alguém que acredita nas mulheres: WOMEN FIGHT BACK! E o problema relatado neste post é uma pequena parte da série de reflexos do patriarcado, que eu pretendo descrever ao longo das minhas experiências.

, , , , , , , , , , ,

1 comentário