Arquivo para categoria Eu não falei?

Caso Abdelmassih: O médico estuprador

“Roger Abdelmassih, 65, o especialista em reprodução in vitro mais conhecido no país, foi indiciado na manhã desta terça (23) pela Polícia Civil de São Paulo sob a acusação de estupro e atentado violento ao pudor. Mais de 60 pacientes acusam-no de abuso sexual.”

Veja a cobertura completa do caso aqui, que também é a fonte dos recortes apresentados.

cretino

Roger Abdelmassih não é apenas um tarado cheio de dinheiro protegido por uma fortuna e uma coleção de rabos presos, ele é um médico pioneiro e respeitado em todo o mundo por sua carreira brilhante. E acima de tudo, o cretino é muito esperto.

Como muitos estupradores, Abdelmassih sabe como se aproveitar do medo e do horror de uma mulher. Ele usa de todo o seu poder e prestígio para manter suas vítimas caladas e vulneráveis, e isso só é possível porque as mulheres já são inferiorizadas normalmente.

As mulheres que procuram a clínica de fertilização do Dr. Abdelmassih sonham com a maternidade, estão no seu momento mais delicado e investem pesado para isso – porque podem. A maioria dos abusos cometidos pelo médico ocorreu no momento pós-sedação, em que as mulheres se encontravam absolutamente indefesas e confusas.

“Acordando, ainda grogue, vi que eu estava com o pênis do doutor na mão. Tentei me levantar, cheguei a sentar na maca. Aí, o dr. Roger abaixou o jaleco, disse ‘calma, calma, calma’ e saiu da sala. E fui chorando ao encontro do meu marido, que aguardava na recepção da clínica.” Depoimento de Ivanilde Serebrenic

“[Ao acordar da sedação para retirada de óvulos] ele me deu um abraço e perguntou se podia me dar um beijo. Quando dei o rosto, ele veio com a língua e eu gritei: ’Para com isso, para!’. E ele disse: “Vai ser bom para você, você precisa relaxar.” Relato de Crystiane Souza

O quanto relaxante pode ser o beijo forçado de um velho violento? Abdelmassih sabe que as mulheres não desejam o contato sexual com ele, mas também se acha no direito de abusar delas apenas por serem mulheres. Ele sabe que sairá impune, por isso intimida suas vítimas e pede para que fiquem calmas, para que deixem o processo fluir já que é bastante comum sofrer abuso.

“Sob efeito de medicamentos e se sentindo frágil, sem forças, a paciente não pôde reagir quando o médico Roger Abdelmassih, 65, aproximou-se, levantou a camisola dela, abaixou a sua calça, pôs o pênis para fora e a estuprou. ” Sobre depoimento de uma paciente que não quis se identificar.

nojo

O mais engraçado nessa história é que acusam o médico de mais de 60 “abusos”, porém apenas um “estupro”. Estupro no caso seria apenas penetração, todo o restante do comportamento sexual violento não figura estupro algum.

“[O médico] passou a mão nos meus seios, na minha vagina e chegou a colocar o pênis para fora [da calça]. Graças a Deus neste momento alguém tentou entrar no quarto. Ele me soltou e corri para o banheiro. Fiquei lá, chorando.”

Monika

Monika

Porque chorar e não acabar com a raça do infeliz? O próprio médico usou em sua defesa o argumento de que as mulheres retornavam ao seu consultório, questionando “se você fosse vítima de um abuso, voltaria ao meu consultório?”. É conveniente acreditar que mulheres poderiam simplesmente reagir e abandonar o tratamento dos seus sonhos pelo qual pagaram muito dinheiro, ignorando toda a pressão que sofrem em uma situação como essa. Mesmo assim, algumas mulheres não suportaram e deixaram de freqüentar a clínica.

“[…]contei ao meu marido, que não acreditou. Ele disse: “A gente tem muito dinheiro lá [na clínica] e tem um objetivo, que é ter uma filha. Você é descolada, saberá se virar bem,” contou Monika Bartkevitch.

Monika não só sofreu nas mãos do médico estuprador, como também foi humilhada e acabou se separando de um marido machista, que por acaso pertencia ao meio médico e tinha medo de denunciar o “colega”.

“[…]ainda tinha de enfrentar familiares e amigos que perguntavam se eu havia dado abertura. Isso quase me deixou louca. Eu me perguntava, será que fiz algo errado?”

Culpe a vítima. Culpe a mãe. Culpe a mulher, a vagabunda eterna. Um estuprador nojento ataca uma mulher e ainda a culpam por não ter conseguido se defender, enchem-na de interrogatórios humilhantes e a fazem reviver cada momento de sofrimento procurando alguma evidência que a torne suja e imoral. Aliás, esta é uma grande arma do Dr. Abdelmassih, ele sabe que a pressão da imprensa, da justiça e de todo o público obrigarão suas vítimas a um constrangimento contínuo e desgastante.

“Neste último mês passei por momentos horríveis, pois tive que falar com várias pessoas da imprensa e relatar com todos os detalhes para as autoridades.

ivanilde[4]

Ivanilde

Uma mulher que sofreu abuso, que foi tocada contra sua vontade por um homem, é vista como cúmplice e desafiada a confirmar sua história de horror milhares de vezes. Ivanilde, Crystiane e Monika são mulheres muito corajosas, que saíram do anonimato e vão enfrentar seu estuprador na justiça. Elas querem inspirar as outras 58 mulheres a fazer o mesmo, mas sabem que tomar a decisão de se expor publicamente em um caso como esse ainda é assustador para uma mulher. Nenhuma delas teria aparecido para depor se alguém não tivesse tomado a iniciativa, pois denunciar um homem poderoso representa um risco constante de derrota e mais humilhação.

“Abdelmassih já atribuiu as acusações a um complô de médicos concorrentes, a uma campanha mobilizada pela internet por uma das ex-pacientes, às “alucinações sexuais” por causa do efeito da anestesia, às fofocas e mentiras e agora à frustração de mulheres que passaram pela clínica.”

O argumento de que as mulheres teriam ficado frustradas por não engravidar já é totalmente inválido, porque em muitos dos casos a fertilização teve sucesso. Os anestesistas confirmaram que as alucinações sexuais não eram possíveis e parece que 61 mulheres não relatariam abusos por causa de um complô de médicos. O canalha é cara-de-pau.

Abdelmassih_Lima_Vanni2_thumb[5]

O monstro e seus comparsas, advogados do diabo

Apesar de todos os indícios, o monstro será defendido na justiça por dois advogados criminalistas ultra respeitados. Abdelmassih é um doutorzinho de merda escondido atrás de muito corporativismo e pronto para humilhar pela segunda vez todas as mulheres que estuprou. Não tenho dúvidas de que perante o juiz não faltarão argumentos para retratar as mulheres como verdadeiras “vadias”, culpadas pelos seus corpos libidinosos e por não carregarem uma Glock no bolso quando vão até a clínica de fertilização.

Desejo que essas mulheres agüentem firmes e acabem com o desgraçado, façam isso por elas mesmas e por todas as outras. Não é por acaso que os índices de estupro ainda são gigantescos, que ainda temos que temer pela nossa integridade física cada vez que saímos de casa, que até mesmo em nossos lares somos vítimas do abuso, que nos culpam pela violência que sofremos e que tememos a figura de um homem poderoso que toma o direito sobre nossos próprios corpos e nos invade brutalmente.

Reagir é a regra, lembrem-se que estamos nos defendendo, e para isso VALE TUDO (até a Glock na clínica não é uma má idéia).

E é claro, terei minha própria visão reforçada quando entre os termos mais procurados do meu blog eu encontrar “vídeos de estupro”, “mulheres sendo estupradas”, “vadias sendo estupradas”. Acontecerá, acredite.

Anúncios

, , , , , , , , , , , ,

22 Comentários

Goru Hentai: Expressão do ódio contra a mulher

ATENÇÃO, CONTEÚDO PESADO E VIOLENTO.

Ok, já temos um jogo de videogame cujo objetivo principal é estuprar uma mulher e sua filha e depois fazer com que abortem, temos snuff movies (filmes pornográficos em que a mulher é estuprada e morta), temos as mais diversas perversidades e fetiches possíveis sobre o corpo feminino. Mas sempre se criam novas formas de mostrar até que ponto chega a violência contra a mulher.

Como se não bastassem todos aqueles hentais em que enfiam tentáculos nojentos em mulheres, sempre mostrando cuidadosamente o sofrimento das vítimas, parece que uma nova “onda” de hentais invadiu o imaginário masculino japonês.

O nome da doença é “Goru”, uma espécie de hentai em que são exibidas mulheres dilaceradas, com seus órgãos expostos e em situações de extrema dor e mutilação. São jovens, estão sempre nuas, com expressões agonizantes e preferencialmente com seios e órgãos genitais estripados. É como se não fosse mais suficiente explorar seios, canais vaginais, bundas e outros “pedaços” recortados de mulheres, agora a expressão superior da objetificação pornográfica é dilacerar as partes femininas para encontrar outras formas de excitação.

Goru

Não ouso colocar imagens maiores.

Não conseguiria mostrar certa imagem que vi, um hentai retratando uma garota decapitada, enquanto sua cabeça permanecia no chão um homem penetrava o pescoço aberto e o outro dilacerava os genitais. Muita gente já considera a nova perversidade como doente, sanguinária, absurda e etc. Mas, sinceramente, essas coisas para mim são bastante previsíveis, são nada mais que a representação extrema de uma situação bastante comum.

É engraçado ver pessoas que admitem os hentais em que mulheres são penetradas contra sua vontade por tentáculos monstruosos e recriminam os Goru. É ainda mais curioso observar que grande parte dos estímulos supostamente sexuais promovidos por estes desenhos partem do sofrimento de uma mulher, seja ele físico ou psicológico.

Estupro

Faz parte da rotina dos admiradores de hentai gozar com mulheres submissas, humilhadas, estupradas, exploradas e tudo mais que a imaginação permita. A desculpa é que, como se tratam de desenhos, todas as fantasias bizarras são válidas. Como se os desenhos não fossem uma reprodução cada vez mais fiel de seus comportamentos e desejos reais.

As mulheres dos hentais muitas vezes são retratadas com seios enormes, cinturas finíssimas e quadris largos, de forma tão desproporcional que só um desenho poderia oferecer. Ou, em outra versão do estereótipo, são retratadas como ninfetinhas inocentes de corpos quase infantis. Os pênis também costumam ser gigantescos, sempre prontos para ejacular litros de porra em qualquer parte de uma mulher que esteja em posição suficientemente subjugada.

Os famosos tentáculos são um show de horror à parte. “Uncensored pictures and movies of monsters with many tentacles invading young hentai babes.” Estampa um site. Isso mesmo, a tal tara consiste basicamente em garotinhas sendo penetradas dolorosamente por um tentáculo alien de algum monstro pegajoso. Sim, algumas pessoas se masturbam com uma coisa dessas e acham Goru o fim do mundo.

Estupro

O hentai também dissemina a idéia do bondage, com mulheres amarradas sofrendo violações enquanto não poder sequer se mexer. Tesão, muito tesão.

Violência

É fácil perceber que a dor e agonia ou submissão das mulheres são os fatores principais da excitação sexual, embora apresentados em níveis diferentes para cada tipo de Hentai. O estupro em especial parece elevar as fantasias ao êxtase, violar uma mulher e infligir-lhe dor e humilhação é o desejo latente. Alguns parecem achar que as mulheres merecem isso, outros pensam que na verdade estão gostando do ato mesmo quando doloroso e forçado. Assim os papeis sexuais femininos são difundidos, somos eternas receptoras de pintos e nosso tesão está em sofrer e suportar a penetração independente das circunstâncias, somos sempre penetráveis e incapazes de resistir.

Em questão de igualdade de direitos entre homens e mulheres, o Japão está em 79º lugar, a pior classificação entre os países desenvolvidos. A informação faz parte do Relatório de Igualdade de Gêneros 2006 apresentado na Reunião de Davos, no dia 21, pelo Forum Econômico Mundial. Não é preciso muito para perceber a situação, em um país onde mulheres sofrem caladas com a maior taxa de assédio em transporte público e trabalham vestidas de camareiras vitorianas beijando os pés dos clientes em cafés. Só pra constar, afinal nosso país não se difere muito em questão de valores.

Lá eles criam o Goru, aqui fazem filmes pornográficos com garotas visivelmente incomodadas com a dor de uma penetração violenta, ou várias. A dor e o medo da mulher são fatores campeões em excitação masculina, sem dúvida.

Embora esteja cada vez mais óbvio, eu conheço o segredinho de vocês.

, , , , , , , , , , , , , , , , , ,

66 Comentários