Mini Manifesto contra a Família Nuclear

Férias são totalmente indispensáveis na vida, e hoje significam um dos únicos períodos em que se retoma o fôlego, como se passássemos o ano todo sem ar e de repente fosse possível respirar de novo. Para quem mora em São Paulo, enfrenta 3 horas de transporte público caótico diariamente para ganhar as migalhas de papel no final do mês – que ainda assim garantem o posto na classe C – não dá para dispensar esses dias de glória.

Mas, me pego pensando o quanto é impossível fugir da realidade, e não entendo como tem gente que pode apertar o “off” e se jogar na piscina como se nada mais importasse. Olha, confesso que tentei ser uma dessas pessoas esse ano, mas não tenho um estômago tão foda assim.

Londrina, Paraná. Cidade do interior com clima urbano, mas o lugar onde eu fico é totalmente rural, uma chácara com piscina e muito verde. Todo mundo aqui fala “porrrta”, adora sertanejo e está sempre tranqüilo. São minha família por parte de mãe, pra qualquer canto que eu olhe tem uma tia, um primo, ou algo assim.  A casa é enorme e está sempre cheia, alguns móveis são tão antigos que me fazem lembrar a minha infância em detalhes, basta prestar atenção no formato da prateleira e naquele puxador de metal engraçado da gaveta.


São boa gente, sim, muito boa. Solícitos ao extremo, agradáveis, sorridentes e simples. Mas, acabaram sendo objetos da minha incontrolável leitura crítica. E isso me trouxe inspiração para falar de um tema que já estava na minha cabeça: a família nuclear.

Para que o nosso sistema se sustente, existe uma base que precisa ser mantida a todo custo, que é a nossa estrutura familiar composta de um casal heterossexual e seus descendentes, que vivem em uma propriedade privada e sustentam todas as instituições conhecidas (igreja, escola). Aqui não faltam situações para analisar essas famílias, já que acabei ficando em contato com muitas delas em um período curto – em São Paulo quase não vejo parentes.

É engraçado quando você sai de um ambiente totalmente construído para você, seu círculo de amigos libertários, que falam de política o tempo todo e te fazem sentir em algum tipo de utopia, e de repente a realidade te dá um soco na cara trazendo de volta o status quo. Somos uma minoria, o mundo lá fora é muito maior, mais feio, e eles conseguiram enfiar os valores mais cretinos goela abaixo das pessoas.

Você olha ao redor e captura uma série de cenas que perturbam a sua mente. Aqui, as mulheres são servas dos maridos, fazendo todas as suas vontades e as dos seus filhos também. O olhar delas é triste, perdido, por mais que estejam sorrindo e conversando, muitas já são conhecidas por seus misteriosos problemas psicológicos – que incrivelmente só acontecem com mulheres. As crianças são ensinadas no mais duro sexismo, as coisas de meninas e meninos estão absurdamente segregadas, eles têm pavor de tudo que é feminino e elas estão sempre ansiosas para atender às expectativas da feminilidade. A homofobia está presente com toda a força, e ninguém consegue entender porque eu defendo “essa gente”. Os animais então, coitados, são vistos como lixo, usados e explorados em todos os contextos possíveis e imagináveis: alimentação, vestuário, entretenimento barato, qualquer destino de utilitarismo e sofrimento que puderem lhes dar. Dei de cara com um porco morto em cima da mesa, e mais quilos de outros animais despedaçados, especialmente na tal noite de Natal, mas é claro que não me pronunciei a respeito.

Aliás, a religião parece ser justamente a base dessa organização familiar. O Deus homem, branco e hetero manda por aqui. A misoginia corre solta na festa da ignorância, é um tal de marido xingando a mulher porque quer janta, mulher xingando a outra de vagabunda porque não limpa a casa, mãe falando pra filha não se sujar porque ela é menina, homem falando que é macho pra caralho o tempo inteiro. Pára que eu quero descer!

Mas, vamos fazer disso uma observação organizada, segue meu pequeno manifesto contra a família nuclear:

Casamento – o contrato da vida a dois

O que é esse tal de casamento heterossexual? Lembro do desespero de algumas tias que já tinham passado dos 30, e que não tinham conseguido o tal marido. As meninas ainda são educadas para conseguir um provedor, por mais que sejam incentivadas a ter sua carreira, é sempre necessário que o homem lhe dê as condições materiais para viver.

A família começa a pressionar a garota por volta dos 20, principalmente se ela já namora. É preciso que uma nova família seja criada, ninguém sabe ao certo por que, simplesmente tem que ser assim. Mesmo que os filhos não estejam nos planos – o que já configura “desgosto” – uma garota não pode ser solteira, não pode aproveitar uma vida sexual ativa longe do matrimônio, ou ela não é mulher o suficiente. O homem, por sua vez, tem muito mais tempo e liberdade, porque ainda reina a ideia de que as mulheres precisam de alguma forma ser “guardadas”, reservadas para o homem ideal. As mulheres experientes e confiantes sofrem ataques de todo tipo, que tentam rebaixá-las ao status de “usadas”, para que sua auto-estima seja esmagada e elas estejam disponíveis enfim para o ritual do casamento.

A “mulher para casar” é praticamente um cachorro obediente, tem como formação ideal todas as habilidades para cuidar de uma casa, uma sexualidade contida, temperamento dócil e ainda é bela. O “homem para casar” só precisa de um emprego médio e alguma demonstração de poder financeiro, mais nada. Alguns ainda são bons namorados, e logo após o casamento colocam a mulher no seu “devido lugar”.

A cerimônia religiosa já começa com o pai entregando sua filha ao marido, representando os anos de subjugação da mulher a uma figura masculina proprietária, seja pai, marido, irmão, o que for. Espera-se ainda em pleno 2010 que ela seja virgem, ou pelo menos com pouca experiência sexual. O casamento católico tem um apelo de eternidade, como se Deus estivesse selando aquela união (ou seria condenando?). A ameaça presente é de que terminar um casamento cristão é algum tipo de pecado, ou seja, os dois vão ter que fazer um esforço tremendo para manter a relação, por mais que esteja uma merda. Que tipo de relação amorosa tem um contrato desses? Chamam de amor essa prisão perpétua?

Tem gente que ainda justifica o casamento dizendo que nós precisamos de alguém quando estivermos velhos. A situação precária dos idosos e aposentados é um método de coerção bastante eficiente, ao menos no nosso país, mas o pensamento estabelecido de que apenas familiares são companhias confiáveis é falso. É possível, ainda, ter um@ companheir@ quando mais velha, e não faz sentido nenhum justificar uma vida inteira de tédio matrimonial com o receio de uma aposentadoria ruim, isso é masoquismo.

Lar doce lar – cárcere privado

Ele vai ser o responsável por comprar uma casa confortável, onde vai colocar sua mulher para trabalhar feito uma escrava. E isso não vai ser considerado trabalho, é apenas a “obrigação feminina” cozinhar, lavar, passar, limpar, porque vem impresso no DNA de toda mulher que essas tarefas repetitivas e exaustantes são a realização da sua vida. O circo fica completo quando chega o filho, que demanda toda a atenção da mulher, mas ela ainda tem que cuidar da casa e do outro “filhão” que é o marido, chegando tarde do trabalho e esperando a janta no prato. Quando a mulher trabalha, ao invés de conquistar independência ela conquista uma jornada tripla do inferno, por mais que trabalhe o mesmo tanto que o homem ainda tem o segundo expediente quando chega em casa.

Daí os livros começam a retratar a multi-mulher, a mulher moderna, que se desdobra para cumprir suas tarefas, e ninguém enxerga que isso é um abuso enorme. Elas são incentivadas a prosseguir com seu trabalho sem fim, aplaudidas pelo patriarcado quando fazem exatamente o que os homens querem: trabalhar feito camelas para manter suas famílias. Nada pode ser mais honroso para uma mulher na nossa sociedade do que conseguir trabalhar, cuidar dos filhos, da casa e do marido, por mais que isso tome qualquer tempo produtivo e roube toda a sua autonomia. Parabéns, mulher multi-escravizada.

O romance e o sexo vão pro lixo bem rápido, dando lugar ao teatro heterossexual da dor de cabeça feminina e insatisfação masculina. São uns artistas mesmo, conseguem dividir o teto com uma pessoa que repudiam e dão os filhos como desculpa. Os homens ainda têm seu tempo com os amigos, suas válvulas de escape, estão sempre dando um jeito de continuar vivendo – até mesmo através de amantes. A mulher se torna a figura da “patroa”, uma mulher amarga que exerce algum tipo de ”autoridade” com o marido, quando na real os homens só cedem aos esperneios delas porque não querem perder os privilégios da serva. Um homem não é capaz de lavar e passar sua própria camisa, de fazer sua própria comida, não é capaz de enxergar que a sua casa é de tod@s que ali residem e deveria ser cuidada por tod@s. Quando muito, contratam uma empregada negra e pobre por uma miséria, quando seria muito mais justo que os residentes cuidassem da sua casa,e não que colocassem esse peso nas costas de outra mão de obra barata – sempre feminina.

Quando um homem está com uma roupa mal passada, culpam a mulher. Se o filho está mal educado, só pode ser problema da mãe. Se a casa não está limpa o suficiente, já recai sobre as costas dela, a patroa. Culpar a mãe é uma velha máxima que o feminismo denuncia, já que o pai é uma figura secundária que apenas serve de provedor para a família. As responsabilidades de uma mãe são tantas que não permitem que ela tenha o tempo necessário para sua própria realização, ela trabalha a serviço da sociedade, e sua auto-estima quase sempre é um fracasso. Muito se enganam aqueles que acreditam que basta uma família bem cuidada para que a missão da mulher esteja cumprida e ela se sinta realizada, a maioria das mulheres, quando se vê nessa situação, percebe que falta algo muito importante. E daí surgem muitos quadros de depressão em mulheres casadas, pois elas sequer conseguem compreender o que está faltando. Imagino que muitas mães de família se perguntem todos os dias “Por que sou tão infeliz?” – e não foram poucas as que me confessaram isso.

A resposta é simples, essas mulheres são condicionadas para a auto-anulação em busca da felicidade dos outros. Não se trata de altruísmo lindo e maravilhoso, e sim de uma relação de servidão. A mãe que se sacrifica pelo marido e pelos filhos não pode deixar de transparecer sua amargura, e também de passar para frente todos os valores que tornaram a vida dela um inferno, para que sejam reproduzidos na próxima geração. Daí entram aqueles paradoxos da mulher machista, que na verdade é uma situação óbvia, a maior vítima do machismo é também a mais vulnerável, que mais absorve as determinações e não consegue enxergar outro modo de vida. É como um trabalhador escravizado, que não tem condições ou informação suficiente para reivindicar seus direitos, e se torna presa fácil dos mais poderosos. Quais são os direitos da mãe? Quem lhe deu tantos deveres e porque ela deveria cumpri-los?

E claro que o patriarcado aplaude as mães, quanto mais se sacrificam pelos outros melhor. Mãe é sagrada, ninguém pode xingá-la. Mãe não é mulher, é uma criatura assexuada e divina com o poder de cuidar de todo mundo, e de se esquecer totalmente nesse processo. Não é à toa que mulheres famosas e ricas contratam equipes de babás, fazem lipoaspiração, contam com mil empregadas, elas não são querem ser “mães”. Porque as verdadeiras mães ficam gordas, de seios flácidos, olheiras, extremamente cansadas e mau-humoradas, vivem em função dos filhos e ainda têm um lar doce lar para varrer, lavar, passar, encerar, e um marido super bacana para alimentar. Mães não saem para dançar, não lêem nem escrevem, não criam posições sexuais, não visitam cinemas ou museus, não viajam, não se masturbam. Isso parece uma vida digna? Para quem? Só se for para o Estado.

A prole – ápice da família nuclear

Não basta existir apenas o casal heterossexual, é preciso que ambos reproduzam para dar continuidade a uma linhagem, mantendo a cultura da herança e da valorização do “mesmo sangue”. Não interessa se o mundo está super lotado, se as pessoas se espremem nos transportes públicos, se os recursos estão se esgotando e logo o planeta pode entrar em colapso com tanta exploração, o que importa mesmo é manter o nome da família. Adoção? Só quando não há outra maneira, e ainda é uma prática pouco incentivada.

Ter filhos é uma espécie de complemento para essas pessoas, e muitas vezes um ato bastante egoísta. Pouquíssimos são aqueles preparad@s para tornar-se educad@res, que dispensam um tempo ao menos para ler sobre pedagogia, planejar a orientação das crianças. O interesse de tutelar crianças não parece partir do desejo de orientar, construir e desenvolver um ser humano, e sim do desejo da própria felicidade, da sensação de completude que só o cumprimento das regras sociais pode trazer. Casais não têm filh@s pensando no desafio de apresentar nosso mundo conturbado a uma nova pessoa e guiá-la da melhor forma possível, eles pensam, primeiramente, no bem estar próprio. O que uma criança pode fazer pela minha vida? O que o sorrisinho dengoso de um bebê trará de bom nessa casa? Será que os pequenos correndo e posando para fotos vão tornar minha família mais feliz?

O que se segue ao nascimento das crianças normalmente são alguns desastres pedagógicos, e claro, reprodução dos mesmos valores de sempre. As mães são as donas dos filhos, dita a nossa cultura. 90% das responsabilidades envolvendo a criança, especialmente necessidades básicas, serão jogadas nas costas da mulher. O pai é uma figura mais distante, ainda seguindo seu papel de provedor, e frequentemente adotando o papel de “normatizador” da família, aquele que cria as regras e deve ser mais respeitado do que a mãe.

O problema já começa na criação totalmente diferente que meninos e meninas recebem. Enquanto os meninos são incentivados a praticar esportes, criar estratégias, construir cidades, operar máquinas, as meninas são levadas ao mundo da fantasia onde princesas encontram seus príncipes, ou ao mundo das bonecas onde elas são treinadas para a maternidade e serviços domésticos. Eu simplesmente tenho náuseas quando vejo todas aquelas panelinhas, bebês pra trocar fraldas, mini chapinhas, quer dizer, a brincadeira da menina é se programar para o serviço de casa, para cuidar de criança e se embelezar para os meninos. Do outro lado, vejo os meninos se divertindo horrores com carrinhos, trenzinhos, cidades de montar e jogos coletivos, exercitando todas as suas capacidades físicas, intelectuais e sociais.

Outro problema é a presença da violência na educação dessas crianças. Alguns insistem que dar um tapa é algum tipo de direito do educador, para mim sempre será uma profunda incompetência desses pais e prova de que eles não sabem lidar com suas próprias angústias, frustrações e impulsos violentos. Meninos e meninas são ensinad@s a impor limites através da violência, seja física ou psicológica, e ainda dizem que o ser humano tem o ódio como “característica inerente”. Ainda há aqueles tipos de pais que ignoram quase que completamente os filhos, opinião de criança é sempre insignificante para eles, elas não têm nenhum tipo de direito à expressão ou autonomia para eles. “Criança disse? Bobagem!” Além disso, nunca encontram tempo para desenvolver atividades inteligentes, que estimulem o convívio social e o desenvolvimento dos pequenos. O resultado são milhares de futuros adultos com baixa auto-estima e complexo de inferioridade, o que pode ser expressado tanto com timidez extrema como com agressividade.

A adolescência é um mistério ainda maior para os pais medianos da sociedade, por se tratar do período de contestação, em que o jovem mais necessita de esclarecimentos, orientações e confiança. Assuntos como drogas e sexo costumam ser ainda grandes tabus na mesa de jantar, o que apenas prejudica o desenvolvimento do adolescente e o deixa mais expost@ à falta de informação e perigos das ruas. O patriarcado também está bastante presente nessa fase, especialmente na diferença brutal entre a abordagem das questões sexuais para meninos e meninas. Eles, como sempre, são incentivados a ter muitas parceiras, enquanto elas são reprimidas e estimuladas a ter vergonha, receio e medo da própria sexualidade.

Essa adolescente é pressionada pelos pais a manter-se virgem e ao mesmo tempo pressionada a ter sua primeira relação sexual pelos amigos da escola. No fim das contas, o que a sociedade acaba valorizando em pleno 2011 é a “aura” da virgindade, a garota pode até ter no histórico relações sexuais, mas que sejam – ou pareçam – poucas e com pouquíssimos parceiros.  Experiência sexual não é recomendada para as moças, mesmo que seja um bom caminho para descoberta do próprio corpo, desejos e orgasmo. Masturbação feminina parece palavrão, enquanto a cena do garoto no banheiro com a Playboy é encarada como natural e engraçadinha.

No plano afetivo, a maioria das garotas ainda está com a cabeça nos príncipes, não da mesma forma encantadora que a Disney colocou, mas através da dependência emocional e da esperança em encontrar o homem perfeito. Enquanto isso, no mundo real, os garotos fortalecem a auto-estima e a própria identidade em seus relacionamentos, cientes de que não existe uma princesa para esperar, e sim muitas pessoas diferentes para conhecer e entender novas visões. Eis que os interesses da garota se chocam com a dura realidade dos garotos, e os relacionamentos se tornam bastante conturbados e desequilibrados.

Nessa etapa, as garotas são convencidas por todos ao redor de que os “homens são assim mesmo”, carregando para sempre um conformismo sobre as “profundas diferenças” entre homens e mulheres. E nesse ponto, um desses relacionamentos conturbados com um rapaz pode se tornar um novo casamento, pois ela não vai arranjar nada melhor mesmo. Na melhor das hipóteses, ela pode ter um bom relacionamento com um homem acima da média, mas não que isso vá impedir toda a lógica do contrato da vida a dois, cárcere privado e geração da prole, para recomeçar o ciclo familiar.

Enfim…

Se todo esse processo de formação de famílias prossegue normalmente, as estrutura sociais se mantêm intactas e seus valores são repassados de geração em geração. A família nuclear é a garantia de que o Estado pode prosperar e de que os “bons costumes” estão seguros, mesmo que sua inconsistência seja gritante. É incrível como as pessoas se prendem a esse modelo como sua única segurança de uma existência plena, e ao mesmo tempo parecem tão infelizes, perdidas e confusas.

A minha proposta para resolver essa questão seria o incentivo às organizações familiares alternativas, consangüíneas ou não. Que todos os grupos de pessoas que se identificam profundamente e partilham a mesma moradia tenham o mesmo status familiar, sejam heterossexuais ou homossexuais, com crianças ou sem, morando com amigos ou parentes. Que seja possível constituir famílias de todas as formas, e que todas sejam reconhecidas e respeitadas. E, o mais importante, que os novos valores que evidenciam a liberdade e os potenciais humanos, independente do sexo ou gênero, sejam aplicados nessas famílias. Que haja liberdade para a sexualidade, para a expressão política, para os novos pensamentos e reflexões que precisam chegar a tod@s os indivídu@s.

Acredito que toda a transformação precisa ter início nesses micro-ambientes, para enfim atingir a sociedade por inteiro. Afinal, de que adianta a gente repensar todos os valores humanos, partilhar descobertas e novas visões apenas entre amig@s de grupos restritos, enquanto as famílias mais próximas ainda vivem sobre uma lógica dominante que arrepia até o nosso último fio de cabelo?

PS: Muitas questões desse texto precisam ser aprofundadas, este é apenas o esboço do que está por vir.

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  1. #1 por rita em 13/01/2011 - 7:07

    Texto muito interessante. Estes temas, sobretudo os da sexualidade feminina, também me preocupam. porque não dá uma espreitada no meu recente blog?
    Fico esperando a visita e também um comentário.
    abraço, rita

    • #2 por cely em 13/01/2011 - 12:34

      Vou visitar seu blog simm, Rita, obrigada!
      =*

  2. #3 por Luke em 13/01/2011 - 8:05

    Sobre as fundações da estrutura familiar nuclear na civilização ocidental, prole, herança e temas correlatos, recomendo A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges.

    • #4 por cely em 13/01/2011 - 12:35

      Valeu, Lucas! Vou procurar.

      Bjs

  3. #5 por isabel em 13/01/2011 - 9:16

    Simplesmente incrível. Concordo com tudo, em gênero, número e grau.

    Sempre fico feliz quando tem um texto novo no seu blog. =)

    Parabéns, e, principalmente, MUITO obrigada por compartilhar seus textos! 😉

    =**

    • #6 por cely em 13/01/2011 - 12:35

      Que é isso querida, eu que agradeço por você ler os meus textos =]

      Beijão

  4. #7 por Jo em 13/01/2011 - 9:50

    Orra mto bom Cely! Apoio totalmente esse manifesto contra a família nuclear.
    É impressionante o massacre conformista de todos esses valores em que são transmitidos de geração em geração, renomeiam para “família modernas” as que fogem de alguns costumes, mas que ainda mantém muitos dos velhos valores carregados e disfarçados de “bons costumes”.
    Como você sabe, grande parte da minha família segue todos esses valores citados como religião e heteronormatismo, questioná-los é como colocar uma cobra peçonhenta encima da mesa e pedir por carinho sem ser picado.

  5. #8 por Vicky em 13/01/2011 - 19:13

    PQP! *__________________*

    Absolutamente td q eu gostaria de dizer a respeito dessa instituição, q ao meu ver, é totalmente falida nos dias de hj. Eu sou uma dessas garotas q não deseja se casar e q não vê seus sonhos atrelados a figura masculina. E por ser dessa maneira, emancipada de tds esses valores medíocres e lutar pela minha autonomia, é q mtas vezes sofro preconceito da minha própria família, q pretensiosamente supõe, q só serei feliz submetida aos mandos e desmandos de um “macho alfa”. Como se o universo feminino girasse em torno de “arrumar um bom partido” ou ser “mãe 24hrs”.

    Portanto Cely, além de admirá-la imensamente, sou eternamente grata pela sua revolta em dizer td aquilo q sempre tentei vomitar a tds a minha volta. Converso, contesto, discuto…MAS DE MIM NÃO ABRO MÃO!

    P-A-R-A-B-É-N-S querida!
    ;*

    • #9 por cely em 13/01/2011 - 20:53

      É isso aí Vicky amyga! Tem que contestar mesmo, discutir, bater o pé, armar o barracão se necessário, mas nunca se esquecer de que VOCÊ e a sua liberdade estão em primeiro lugar! Como li por aí esses dias, as feministas são as mulheres que mais amam ser mulheres, pois querem desfrutar disso plenamente enquanto seres humanos =]

      Obrigada mesmo por sua visita e pelos elogios! Parabéns para nós, e a família, tradição e propriedade que se cuidem!

      PS: Deixa seu contato em um outro comentário.

      Bjs

  6. #10 por Mexy em 14/01/2011 - 8:39

    Pra variar só um pouquinho, concordo em absoluto.
    Gostei bastante da sua sugestão para desestruturar esse show de horrores que é a Família, Tradição e Propriedade.
    Sou do tipo de pessoa que se afeiçoa extremamente por aqueles com quem me identifico. Você, por exemplo, é família pra mim. É amada, querida, e quero próximo. Isso é família pra mim. (♥)
    Tios, primos, avós, irmãos ou até pais que fazem piadas homofóbicas e te acham freak por não considerar bacana cortar a julgular de uma vaca e pendurá-la de ponta cabeça, não são família.
    Sou a favor da união (seja ela sexual, afetiva, ou whatever) livre de obrigações, gêneros e leis divinas, sendo regida assim, tão somente pelo amor e afeto.
    Ps.: te amo, e adoro quando você escreve. (:

    • #11 por cely em 17/01/2011 - 10:46

      Ownnn minha gata sensual!

      Só vou aprovar os comentários com declarações agora HAHAHAH. Eu também te amo, muitão, e você também é uma família pra mim! Quero overdoses de você toda semana ❤

      =**

  7. #12 por Giulia em 14/01/2011 - 17:42

    Outro dia vi o Mr. Catra no superpop. Claro que já comecei a assistir com odiozinho dele, mas achei impressionante como meu ódio pelos outros que tavam o condenando foi MUITO maior. Contra ele, que tem 4 “esposas”, 20 filhos e trepa com a mulher que bem entender, reinava a HIPOCRISIA da família heterossexual normal. Lá tinha um casal que fez filme pornô, com a mulher com decotões e o cara escroto padrão (claro que não estaria com ela se não fosse “gostosa” e submissa de algum jeito, mas que acha que manda por ser a “patroa”) e um bispo, que deve ser o tipo do cara que nem fala, mas faz sinal pra mulher entender como ela deve agir, seguindo as regras dele como chefe de família que tem que se dar o respeito. (os outros nem lembro)

    Por pior que enxergue a situação da “família Catra”, não consigo achar pior do que o que eu vejo por aí. As mulheres dele transparecem felicidade e confiança, até pq acho que precisam de uma dose grande pra aguentar tanta gente julgando uma coisa que no fim das contas foi muito mais escolha delas do que nos é dada normalmente pra viver seguindo as regras de uma família normal bem sucedida.

    Não deu outra, o Catra ganhou fácil as discussões. Usou argumentos idiotas, dignos de religiosos burros (até pq ele leva a sério o negócio de que deus fez a mulher pra uma coisa e o homem pra outra), mas em se tratando de HONESTIDADE e RESPEITO, às próprias mulheres e, principalmente, a pessoas que seguem outro estilo de vida, não tinha ninguém ali pra competir. Eles nem se preocuparam em rebater isso, nunca devem nem ter levado em consideração. A gente SABE o quão hipócrita são as famílias, com seus maridos mandões MENTIROSOS e mulheres infelizes, fazendo questão de desrespeitar quem é diferente deles.

    Tem muita gente achando um absurdo o que o Catra faz, mas, sinceramente, se fosse pra escolher entre um e outro, preferiria ser da família dele que, além tarem todos conscientes do que tá acontecendo, respeita os outros e abriga gente que precisa. Claro que fica tudo nas costas das “mãezonas”, mas até aí não vejo desvantagem.

    Enfim, tô falando isso pq me atormentou pensar que vivemos num lugar com um conservadorismo tão escroto que o cara com várias “esposas”, “amantes” e filhos dá de 10 numa discussão, mesmo usando argumentos tão ruins pra se justificar (tipo que no reino animal as fêmeas são monogâmicas (!?) e TODO homem trai). É só falar que um relacionamento tem que ser baseado em honestidade/respeito que desbanca qualquer um. Me faz pensar que o ideal tá mesmo muito longe de acontecer e o seu texto veio pra reforçar isso.

  8. #13 por Flavia em 19/01/2011 - 13:07

    CARALHO, q texto FODA! Tirou as palavras da minha mente, vc articula mto bem as idéias!!! Parabéns, vc sempre escreveu bem assim ou foi com o tempo e treino q melhorou? Tb keria ter um blog pra assuntos feministas, mas meus pensamentos se atropelam e minha escrita reflete isso…=/

    • #14 por cely em 19/01/2011 - 22:46

      Haha obrigada mais uma vez Flávia!

      Então, eu sempre curti muito escrever, sempre “saiu” com facilidade. Eu desembesto a escrever feito uma doida e depois quando percebo deu 5 páginas, mas é sempre um processo bem “efortless” hahaha, tipo flui naturalmente mesmo. Ler compulsivamente ajuda, viu!

      Bjs!

  9. #15 por Kori em 20/01/2011 - 16:12

    Muito bom seu texto! Eu tava pensando esses dias, me falta base pra falar, mas penso como você, gosto quando tiram palavras da minha boca.
    Seu texto chegou por email, vou continuar a divulgar.
    Como você lida com a publicidade e as mulheres? Eu fiz até o 2º ano e larguei, esse era um dos aspectos que me incomodavam muito.

    • #16 por cely em 08/02/2011 - 20:33

      Oi Kori =]

      Opa, divulga sim hahaha, que legal, nem sabia dessa do email! Então, é foda trabalhar com publicidade, entro em alguns confrontos éticos ás vezes, mas estou sempre me esforçando justamente para colocar meu “dedinho” nas coisas e tentar subverter um pouco. Acho importante que as mulheres estejam em todas as áreas, trabalhando pela mudança.

      Bjs

  10. #17 por Ariel em 06/02/2011 - 22:32

    Acabo de descobrir o seu blog e o achei maravilhoso, já o li de cabo a rabo.
    Vc escreve muitíssimo bem, meus parabéns.

    • #18 por cely em 08/02/2011 - 20:22

      Obrigada querida, volte sempre!

  11. #19 por Melissa em 12/03/2011 - 14:06

    Não acho a família nuclear um problema, só acho que as pessoas entram nela por motivos errados. As pessoas se casam porque têm que se casar (como se fosse uma obrigação, não uma escolha) e têm filhos porque é assim que tem que ser. No entanto, conheço casais conscientes que se casaram porque queriam, que tiveram filhos porque realmente queriam, que tratavam todos bem, formaram uma família equilibrada e harmoniosa. É uma raridade, mas quando acontece é algo bonito de se ver e contamina a todos em volta.

    O problema é que as outra famílias não valorizadas. Homossexuais (que inclusive querem entrar no esquema da família nuclear) ficam de fora. Amigos também. Filhos adotivos são marginalizados. A gente precisa mesmo expandir um pouco os horizontes. Pra mim, família é toda uma esfera, com relações diferentes, ambientes diferentes.

    Mas infelizmente o que mais acontece é o caso da cabelereira aqui perto de casa: acorda 5 da manhã, faz almoço, arruma a casa, leva os gêmeos pra escola e 10 horas da manhã acorda o maridão pra ele ir trabalhar. Fica no salão até as 11 da noite, pega um ônibus lotado, anda a pé mais de 10 quarteirões pra chegar em casa; isso porque o maridão tá cansado e não pode buscar ela de carro. ………………………

  12. #20 por Xi Drinx em 29/04/2011 - 19:21

    É caótico e real, mas é inspirador.

  13. #21 por Ju em 11/09/2011 - 12:49

    Olá querida, tudo bem?

    Encontrei seu blog um tempo desses, fuçando a internet em busca de informação que acrescente alguma coisa a minha vida. Ja li varios textos seus e nesse senti um necessidade muito grande de te falar o quanto seu blog tem sido importante pra mim por dois motivos. 1, por ter aberto meus olhos para coisas absurdas que eu nao conseguia enxergar e 2, por ter posto em palavras tudo aquilo que eu humildimente observo desde muito criança, mas nunca consegui organizar num discurso claro o suficiente pra demonstrar a minha opinião para as pessoas a minha volta. Seu texto sobre a familia nuclear se encaixa no 2.
    Cresci dizendo que nao esperava casar e não queria ter filhos (e contunuo não querendo, considero a possibilidade de adoção), mas nunca soube dizer exatamente o por que. Só que na minha mente infantil não fazia sentido que esse fosse o unico destino a qual todas as pessoas estivessem pré-determinadas, eu ja sabia desde muito pequena, que poderia encontrar a felicidade de varias formas, e continuo pensando assim. É claro que a minha familia, por mais que queira o melhor para mim (eu acredito), considera um absurdo que eu queira fugir da normalidade, como se o importante pra mim fosse ser diferente dos outros. O que nao é verdade. Eu quero ter uma vida alegre e feliz da forma que eu conseguir conquistar e se essa forma fosse ter o mesmo modelo que os outros seguem eu nao teria problema com isso. Acontece que nao é. Eu enxergo muito bem as falhas no modelo deles e sei que nao serei feliz assim. E você pôs isso em palavras!
    Não sou totalmente contra o casal heterosexual, ou mesmo homosexual. Acredito ter a mesma opiniao que voce sobre isso. Se um dia encontrar alguem que eu ame e que me ame da forma que eu sou e que seja um@ companheir@ para estar ao meu lado numa relação de apoio mutuo, eu caso. Se não acontecer vou vivendo feliz como eu sou, curtindo minha carreira, meus hobbies, amigos e familiares tendo certeza de que poderei ser completamente feliz dessa forma.

    Desculpa ter feito um texto nos seus comentarios e mais uma vez parabens pelo seu blog, vou indica-lo espero que você continue escrevendo, por que blogs assim são uma pequena esperança pra pessoas que estão dispostas a analizar e pensar o mundo de forma diferente 😉
    um beijoo.

  14. #22 por Ju em 11/09/2011 - 12:49

    Olá querida, tudo bem?

    Encontrei seu blog um tempo desses, fuçando a internet em busca de informação que acrescente alguma coisa a minha vida. Ja li varios textos seus e nesse senti um necessidade muito grande de te falar o quanto seu blog tem sido importante pra mim por dois motivos. 1, por ter aberto meus olhos para coisas absurdas que eu nao conseguia enxergar e 2, por ter posto em palavras tudo aquilo que eu humildimente observo desde muito criança, mas nunca consegui organizar num discurso claro o suficiente pra demonstrar a minha opinião para as pessoas a minha volta. Seu texto sobre a familia nuclear se encaixa no 2.

    Cresci dizendo que nao esperava casar e não queria ter filhos (e contunuo não querendo, considero a possibilidade de adoção), mas nunca soube dizer exatamente o por que. Só que na minha mente infantil não fazia sentido que esse fosse o unico destino a qual todas as pessoas estivessem pré-determinadas, eu ja sabia desde muito pequena, que poderia encontrar a felicidade de varias formas, e continuo pensando assim. É claro que a minha familia, por mais que queira o melhor para mim (eu acredito), considera um absurdo que eu queira fugir da normalidade, como se o importante pra mim fosse ser diferente dos outros. O que nao é verdade. Eu quero ter uma vida alegre e feliz da forma que eu conseguir conquistar e se essa forma fosse ter o mesmo modelo que os outros seguem eu nao teria problema com isso. Acontece que nao é. Eu enxergo muito bem as falhas no modelo deles e sei que nao serei feliz assim. E você pôs isso em palavras!
    Não sou totalmente contra o casal heterosexual, ou mesmo homosexual. Acredito ter a mesma opiniao que voce sobre isso. Se um dia encontrar alguem que eu ame e que me ame da forma que eu sou e que seja um@ companheir@ para estar ao meu lado numa relação de apoio mutuo, eu caso. Se não acontecer vou vivendo feliz como eu sou, curtindo minha carreira, meus hobbies, amigos e familiares tendo certeza de que poderei ser completamente feliz dessa forma.

    Desculpa ter feito um texto nos seus comentarios e mais uma vez parabens pelo seu blog, vou indica-lo espero que você continue escrevendo, por que blogs assim são uma pequena esperança pra pessoas que estão dispostas a analizar e pensar o mundo de forma diferente 😉
    um beijoo.

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