Separatistas são os homens!

Pois bem, se eu tivesse um saco, ele estaria explodindo em abscessos de tão cheio. Parece que a desinformação é mesmo um câncer, que consegue transformar vítimas em algozes e manipular até o mais óbvio dos contextos.

Ok, eu explico, mas já vou avisando que vai ser polêmico. Não se pode escapar de ler/ouvir da boca dos homens – ou em alguns casos até de mulheres – que o feminismo é coisa de lésbica mal-comida, certo? Esse é o clichê dos clichês, que felizmente com um pouco de conversa pode ser revertido. Mas, quando o assunto é separatismo lésbico, ou moças que escolheram amar outras mulheres e fazem disso uma posição política, se afastando ao máximo dos homens, aí parece que todo mundo vira lesma com sal. “Viu só, viu só, a que ponto chegam essas feministas? Onde já se viu discriminar homens? Isso sim é sexismo mimimi!”

Não precisa nem chegar ao radical separatismo lésbico para as pessoas surtarem, você pode comentar sobre Mujeres Libres e outros grupos que admitem apenas mulheres, de uma simples oficina ou evento com temas específicos para mulheres, ou até mesmo uma reunião de amigas para debater feminismo para a qual os rapazes – pobrezinhos – não recebem o convite VIP. Tudo vira motivo para dizer “Oh, corram para as montanhas, elas estão discriminando homens!”. Daí vem aquele papo todo de que se o feminismo quer ser justo é preciso acolher os homens, ou estaremos praticando um sexismo inverso. Nesse caso, acolher os homens significa trazê-los para nossos encontros, ouvir o que eles têm a dizer sobre feminismo e em hipótese alguma criar espaços restritos para mulheres.

O argumento dos homens é que precisamos de união, caminhar juntos, sem nenhum tipo de discriminação, tolerância feelings e tal e tal. Muito bonito, louvável, pena que na prática não é bem assim que funciona. As feministas que já tiveram a experiência de admitir homens na roda de discussão com certeza experimentaram algumas das facetas do patriarcado que restavam dentro deles, porque, afinal, é muito difícil desconstruir a ideia de superioridade masculina, ainda mais quando traz privilégios diretos. Claro que admiramos os mínimos progressos dos homens ao nosso redor, e sempre que possível estamos tentando fazê-los compreender melhor o peso do patriarcado e suas conseqüências sobre as mulheres. Aos poucos, aqueles mais próximos já não chamam as mulheres de putas porque fazem sexo, já não as culpam por estupro ou esbravejam toda vez que vêem uma delas atrás do volante no trânsito, mas ainda não podemos comemorar nenhuma vitória.

Tomemos como exemplo algumas reuniões de grupos feministas, anarquistas ou mesmo uma reunião do movimento sindicalista, em que temos exemplos suficientes de homens que levantam a voz para as mulheres quase que automaticamente, enquanto tendem a ouvir mais os outros homens da mesa. Como disse nosso queridinho José Serra “Com mulher não tem competição”, porque, afinal, elas são inferiores. Tenho dois casos recentes para dividir: Um foi com uma organização sindical que não vou citar o nome aqui, da qual uma amiga minha feminista estava participando ativamente. Um dos caras que fazia o discurso socialista mais incrível, que fazia todo mundo se sentir inspirado, era o mesmo cara que sentava o traseiro peludo na cadeira na hora de jantar em público e mandava a esposa dele pegar tudo o que queria. A mulher quase não tinha tempo para comer sua própria comida, porque o cidadão a fazia de garçonete particular. Daí, quando outras pessoas do movimento foram discutir o problema, o homem ficou possesso e se desligou de lá. É bem como dizem por aí, até o menor dos operários tem uma escrava em casa.

Mujeres Libres

Tenho minhas próprias experiências em outros grupos também, sempre observei que basta um homem entrar em uma discussão feminista que ele começa a advogar pelo seu “gênero”. É incrível, estamos ali falando dos problemas das mulheres, que muitas vezes incluem os homens como algozes, e lá vai o rapaz libertário dizer que as coisas não são bem assim, porque afinal, ele é homem e é super legal. É a velha cultura da exceção, só porque alguns homens não estupram ou socam mulheres não quer dizer que a maioria esmagadora dos que o fazem não sejam homens e tenham uma educação muito semelhante. Ao invés de apoiar as mulheres e conversar com outros homens para criar uma consciência melhor, os caras entram na defensiva, e com isso também inibem as mulheres de falar. Outro detalhe é o constrangimento que muitas mulheres sentem em revelar que sofreram algum tipo de abuso sexual, físico ou moral perto de outro homem, pelo medo de serem julgadas (mas como você estava vestida mesmo?). Isso traz ainda mais problemas para a visibilidade das opressões contra as mulheres, porque como tod@s bem sabem, toda mulher tem uma história de horror para contar.

Pra que serve essa merda de patche?

Isso sem mencionar o tratamento velado reservado às mulheres nas organizações. Até entre aqueles que se dizem libertários ou contra-culturais impera o status-quo, em que mulheres servem basicamente para decoração e deleite dos machos do bando. Não é raro andar por meinhos libertários e escutar os comentários mais trogloditas do mundo, o cidadão faz questão de ir na palestra feminista, com patch do Crass na jaqueta e símbolo de ♀=♂, e falar bem alto entre os amigões que a garota palestrante podia calar a boca chupando o pau dele. E ainda temos aquelas cenas alternativas que são dominadas por homens, com bandas de homens, zines de homens, onde as mulheres são tratadas ainda como “gostosas” ou “barangas”, “santinhas” ou “putas”, e os caras ainda têm a cara de pau de dizer que elas é que não se interessam em estar ali, ou só vão pelo namorado.

Enfim, fica claro que esses espaços “mistos” não servem ou servem muito pouco à luta das mulheres. E isso não acontece porque os homens são todos essencialmente malvados e odiamos todos eles, mas porque os valores vigentes apontam para a superioridade masculina e é quase impossível que os caras não se contaminem com tudo que lhes foi ensinado sobre a dominação das mulheres. Você tem um garoto que desde pequeno recebe estímulos para ser livre enquanto sua irmã é oprimida, que tem a mãe sempre à disposição e a vê sendo calada frequentemente pelo pai, que se torna seu herói…precisa do que mais?

Agora, outra reflexão, já pararam para pensar em quais são os espaços “femininos” hoje na nossa sociedade? Os homens contam com a partida de futebol, o boteco, o puteiro, as casas de jogos, sempre gozam da companhia dos amigos até mesmo quando casados (a célebre escapada da megera). Já as mulheres, onde se encontram para trocar idéias? No salão de beleza? No shopping fazendo compras? No parquinho cuidando das crianças? Por que será que a ideia que se faz de mulheres juntas em um bar ou qualquer lugar de confraternização é tido como ameaçador pelos homens, em especial maridos? Por que os pais dizem às suas filhas “Vai deixar de sair com seu noivo para sair com amigas? Isso não está certo.” E uma questão que vi esses dias e achei muito interessante: Pense em algum filme, qualquer um que você já tenha visto na vida, que tenha um diálogo de mais de 3 minutos entre duas mulheres, e que elas não estejam conversando sobre homens (o protagonista, no caso). Difícil, né?

A verdade é que a convivência entre homens é estimulada, enquanto que as mulheres são incentivadas a competir umas com as outras em função dos homens. A rivalidade feminina é uma estratégia esperta do patriarcado, que joga umas contra as outras na busca pela atenção dos machos enquanto eles criam laços fortes entre si. A amizade entre os homens é um pacto, e garante muitos momentos de confraternização e fortalecimento dos laços. A amizade entre mulheres é vista como algo superficial, infantil e sempre frágil, como se a primeira aproximação de um “partidão” pudesse gerar uma briga e uma disputa. Os espaços públicos, por sua vez, também pertencem aos homens, já que ainda hoje é perigoso para uma mulher andar sozinha por aí, ainda mais de noite, afinal seu corpo pode ser alvo da invasão de um homem pelo simples fato de ser mulher. Claro que as mulheres já saem sozinhas, já tiveram muitas conquistas, mas ainda existe esse clima de medo, em que só andar com um homem ao lado é totalmente seguro. Se você anda sozinha, sem um “homem proprietário”, torna-se alvo de abusos verbais e até agressões físicas.

Como se não bastasse todo esse cenário favorável aos homens na sociedade, ainda querem excluir os únicos espaços unicamente femininos que existem com o argumento do sexismo! Como se, realmente, as mulheres estivessem se empoderando para atacar os homens, quando na verdade ainda estamos no primeiro passo em busca da igualdade de direitos: o fortalecimento das mulheres e identificação entre si. É um egoísmo tremendo um homem apontar para uma feminista e dizer que ela está sendo sexista por fazer uma reunião apenas de mulheres, sabendo que não há outras oportunidades como esta em que elas poderão trocar experiências e se apoiar para lutar contra a opressão masculina. Basicamente, os homens já têm toda a liberdade que poderiam desejar, mas não se conformam de ser excluídos de uma simples reunião entre mulheres que buscam a mesma liberdade. Isso se chama birra, costume de ser privilegiado em tudo.

E enfim podemos chegar até a revelação do dia (wow): A verdade, querid@s, é que as feministas não são separatistas, OS HOMENS É QUE SÃO SEPARATISTAS.

Ou vai dizer que você nunca reparou como eles formam seus grupos de amigos e transformam isso em um universo PARALELO? Eu já convivi bastante entre homens, já ouvi absurdos – e ouço, sempre – mas posso afirmar que existem coisas ainda mais pesadas que eles só dizem quando estão juntos, e são segredos de Estado. Os homens podem até fingir que tratam as mulheres com igualdade, mas são os primeiros a falar um monte pelas costas delas quando estão com os amigos. Eles narram como gostariam de transar com aquela amiga de vários anos que nem imagina, como a namorada é chata e menos gostosa que fulana, ou como a enganaram para poder sair naquele dia, diversos comentários que não teriam coragem de dizer em nenhum outro local, senão na segurança do universo masculino. Na vida real, não têm coragem ou dignidade suficiente sequer para dizer à própria esposa que gostaria de sair ou que algo lhe desagradou, preferem enxergar as mulheres como idiotas e fazem das traições e mentiras um jogo divertido.

Um dos primeiros mandamentos na vida dos homens é justamente de não tratar as mulheres como iguais, elas são sempre mais frágeis, mais burras, ou só servem para sexo. Quantas vezes a gente não escuta os rapazes dizendo “Eu gosto é de mulher”. Sempre que eu ouço essa frase eu sinto um embrulho no estômago, e tenho vontade de responder “Gosta o cacete, se gostasse você respeitaria, na verdade você ODEIA! O que você gosta é de arrombar mulheres.” “Gostar” de mulher significa apreciar a penetração nas bucetas delas, basicamente. E isso pode facilmente ser interpretado como ódio, porque eles mesmos dizem que “foderam a vagabunda, aquela piranha desgraçada, bem feito, tomou rola”, é sempre degradante ou humilhante para a mulher fazer sexo, porque eles sempre se acham os donos da situação. Quando o cara vê uma mulher bonita e sexy posando de lingerie, ele tem dois sentimentos: Tesão e ódio. Ele tem prazer e admiração pelo corpo da mulher, mas acha automaticamente que ela não presta, que só mulher vadia comete esse crime que é seduzir e gostar de sexo, e que ela nunca vai ser “mulher para casar”.

Sou uma eterna desconfiada das intenções dos homens para com as mulheres, mas tenho meus motivos. O universo masculino não poupa ninguém, é um território em que a justiça e igualdade são jogadas na lata do lixo, em troca de algumas risadas. Enquanto eles falam tanto de sexo hetero, na verdade não conseguem cumprir o princípio básico da relação sexual satisfatória, que é o respeito. Eles precisam “comer” as mulheres, precisam condená-las por gostarem de sexo e procurar a mais travada de todas para ter uma relação séria, para não correr riscos e enfim eleger a “patroa”, que será sempre o motivo de zombaria da noite com os amigões. E precisam, principalmente, dar um jeito de inferiorizar todas as mulheres com quem convivem e excluí-las de seus momentos de confraternização, afinal, elas só seriam chamadas para a diversão caso o interesse fosse foder umas bucetas. Eu não sei como alguns homens deitam a cabeça no travesseiro e dormem, levando essa vida dupla que exclui metade da humanidade, mas tomara que eu nunca compreenda de fato.

 

União de Mulheres de São Paulo - Almoço de Confraternização =)

O meu ponto aqui é que precisamos defender os espaços femininos, não para criar um grupo separatista de repulsa ao sexo oposto como nossos amigos homens fizeram, mas para fortalecer as mulheres e derrubar a rivalidade feminina, assim podemos nos identificar umas com as outras e nos apoiar nos momentos difíceis. As histórias que surgem em grupos de mulheres são incríveis, e sempre muitos semelhantes umas com as outras, e isso nos ajuda perceber melhor nossa posição na sociedade e a lutar pela justiça em todos os espaços. E toda vez que um homem lhe dizer que as feministas são sexistas e os discriminam, tente lembrá-lo de seus privilégios sociais e do mundo masculino que ele construiu com seus amigos, talvez ele tenha a sensibilidade de reconhecer esse abismo histórico e social entre homens e mulheres, ou apenas tente defender os outros homens e divagar sobre a união dos sexos – na teoria.

PS: Se você é homem e garante que seu grupo de amigos não trata as mulheres dessa maneira, PARABÉNS! Mas, mais uma vez, não estou falando de você, e tenho certeza que você conhece muitos que agem dessa maneira – por isso a necessidade da crítica.

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  1. #1 por Jo em 09/12/2010 - 17:35

    Animal ein Cely!!
    bem, pelo menos no nosso círculo de amigos creio que não rola esse tipo de tratamento.(acho que compete melhor a vc e as menines nos dizer isso)
    Mas em compensação em outros lugares…como faculdade e etc…nuss, sinto até um pouco de raiva por parte de alguns que começam com esses papos separatistas ou de desrespeito as mulheres. Acaba até sendo complicado tentar defender a posição das mulheres nesse meio masculino sem ao menos receber diversos pérolas como “ah então de que lado vc está??” “vc é bixa entao?” “vai dar a rosca pra ver se gosta”.
    Mas enfim, tem mais é que chutar bundas desses ridículos mesmo!!!

    • #2 por cely em 10/12/2010 - 14:49

      Com certeza no nosso círculo não rola, senão eu não suportaria viver nele! Acho tod@s os meus amig@s excepcionais, a não ser que sejam robôs dissimulados, mas não hahah! Dá pra perceber vários sinais desse tipo de comportamento, até quando os caras acham que estão enganando bem. Aliás, isso pode ser assunto pra outro post, 25 lições para detectar oportunismo masculino (y).

      Eu entendo que deva ser muito difícil defender as mulheres perto desses lixos, mas acho que só evitando e não colaborando o cara já faz sua parte, afinal, existem mais pessoas interessantes no mundo que não precisam disso! “De que lado você está” é ótimo hahaha ESCANCARA a visão opositora que os homens têm das mulheres, enquanto elas ficam sonhando que eles são legais.

    • #3 por Mabel Dias em 24/12/2010 - 22:15

      Olá Cely! sou feminista autonoma e faço parte de um coletivo feminista em minha cidade, João Pessoa. Gostei de seu blog e vou add ao meu e ao de meu coletivo.
      o endereço é http://www.senhoradaspalavras.blogspot.com
      o de meu coletivo http://www.wendoteimosia.blogspot.com

      vc conhece o coletivo wendo ai de são paulo? te adicionarei ao meu msn também, ok.

      Mabel Dias

      • #4 por cely em 07/01/2011 - 12:04

        Vou colocar no meu Blogroll =]

        Conheço sim o coletivo! Participo de algumas oficinas e tudo, adoro!

        Conversamos pelo msn.

        Bjs

  2. #5 por IGN em 13/12/2010 - 23:35

    Muito legal,mas achei que faltou um aprofundamento na problemática da educação machista,como a questão da pornografia e da prostituição,consideradas tabus até mesmo entre feministas.Estas formas de violências inclusive foram distorcidas e nos é vendida na atualidade como “liberdade sexual”.tenho uns materiais aqui comigo que caso vc deseje,posso lhe passar.São muito bons,fazem a ligação entrte o aumento da pornografia,o tráfico de mulheres e a violência contra mulher,incluindo relatórios do CEDAW.É lamentávelq ue aqui no Brasil exista ume negligência tão grande em realção a essses assuntos,o que dá forças para o sistema patriaracla distorcê-los,banalizá-los e fazer muita mulher achar que ter liberdade sexual é ser uma mercadoria(aceitar a exploração sexual)

    • #6 por cely em 14/12/2010 - 22:46

      Olá, fiquei feliz com seu comentário!

      Adoraria receber os materiais citados, fica meu email: cely_bandolero@hotmail.com

      Acho importantíssima sua colocação e já há um tempo quero escrever sobre o condicionamento que nossos meninos sofrem para se tornarem os machos patriarcais, principalmente abordando pornografia, prostituição e a farsa da liberdade sexual!

      Aguardo seu contato

      Bjs

  3. #7 por Ághata em 14/12/2010 - 14:38

    Excelente o seu texto!!

    • #8 por cely em 14/12/2010 - 22:11

      Obrigada linda =]

  4. #9 por Gabriela em 16/12/2010 - 14:23

    Tenho 31 anos. Comecei os meus relacionamentos com os homens aos 17. Não sei se é a educação diferente que as crianças recebem conforme o seu sexo ou se é a própria natureza. Não acredito que os seres humanos tenham sido feitos para relacionamentos longos. Foi tudo tão manipulado para ser dessa forma que todos perderam sua individualidade. As vezes penso que os homens são como golfinhos, todos homosexuais por natureza, buscam as fêmeas apenas para procriar. Isso se comprova na anatomia do homem, ele sente extremo prazer sexual com o sexo anal. Essa raiva toda que muitos homens sentem pelas mulheres, a falta de interesse que surge com o passsar do tempo na relação, a preferencia da compainha masculina, tudo isso pode ter uma explicação simples, os homens são por natureza homosexuais, se isso fosse adimitido seria muito melhor o relacionamento entre mulheres e homens.

    • #10 por cely em 23/12/2010 - 22:18

      Então Gabriela, eu acredito que a educação tem o maior peso na discriminação entre meninos e meninas, principalmente no que diz respeito aos papéis sociais e relações de poder. Não sei se é realmente possível ter relacionamentos muito longos com 100% de satisfação, considerando a atração que sentimos por pessoas diferentes e as dificuldades de manter o respeito e a confiança nas relações.

      hehehe essa dos golfinhos é boa! Mas assim, eu apostaria mais que nascemos todos “bissexuais”, ou simplesmente com possibilidade para se relacionar afetiva ou sexualmente com qualquer outro ser humano. Até faz certo sentido pensar nessa hipótese da homossexualidade, mas eu acredito que os homens prefiram a companhia masculina justamente pela manutenção desse status quo dos “homens por cima”, assim eles se auxiliam mutuamente e criam laços duradouros. Os homens hoje não suportam competir com as mulheres porque, lá no fundo, todos tem certeza de que elas são inferiores, porque assim lhes foi ensinado, nada mais natural que eles busquem então a aliança com outros homens.

      Beijos e obrigada por comentar!

  5. #11 por Ensis em 17/12/2010 - 13:31

    Concordo plenamente com você. Apesar de todo papo de igualdade, ainda é, e sempre será necessário espaços exclusivos. Só um pequeno comentário: Nos casos citados que a levou a dizer, que certos homens Odeiam as mulheres, eu vejo um sentimento diferente: Na verdade esses homens tem MEDO das mulheres, e o que elas podem fazer com sua vida social. Medo de serem vistos como Capacho, ou como o “Jumento que sustenta aquela puta” ou “Barriga Branca”. Enquanto é socialmente aceito obedecer as companheiras na presença destas, fazer o mesmo numa roda de amigos é visto como admitir Fraqueza (uma questão cultural grave, afinal é crer que chegar a um acordo significa perder virilidade, afinal de contas, “Homem que é homem resolve tudo na Porrada!”) embora eu conheça casos de mulheres que se aproveitam da fragilidade emocional dos homens (é verdade quando dizem que não suportamos ver uma mulher chorando) para conseguir o que quiserem de nós. (tenho exemplos de amigos que largaram seus hobbys (jogar rpg) por que suas namoradas não concordavam, e não, não é um caso isolado…)

    • #12 por cely em 23/12/2010 - 22:38

      Oi Ensis,

      Interessante sua leitura do “medo” masculino, faz bastante sentido ele precisar provar aos outros homens que seguiu a risca a cartilha do macho, e temer sua reprovação. Antes todos os homens não suportassem ver uma mulher chorando! Conheço tantos que fazem piada dessa situação…mas que bom que você pensa dessa maneira.

      É errado se aproveitar da fragilidade emocional de qualquer pessoa, principalmente fazendo com que ela deixe uma atividade que gosta. Só coloquei em ênfase aqui os estereótipos que os homens fazem das mulheres porque elas ainda são em maioria quando o assunto é “vulnerabilidade emocional”.

  6. #13 por Ronchi em 19/12/2010 - 15:17

    Adorei seu texto, coloquei ele no meu blog! posso? rsrsr
    =)
    Pode faltar aprofundar o assunto nisso ou naquilo, mas acho que pra esse texto isso não foi nescessário, talvez outros textos que sirvam para complementar e tals. bem, se eu tiver alguma ideia eu te mando um e-mail.
    Boa sorte!!!

    • #14 por cely em 23/12/2010 - 22:40

      Oi Ronchi =]

      Obrigada pelo seu comentário! Minha intenção é sempre fazer textos que complementem essas ideias, sempre falta explicar melhor algo, né? Mas só isso já deu muuuito texto, imagine deixar mais profundo hahah

      Pode me mandar email sim, agradeço.

      Bjs

  7. #15 por Luiz Alberto em 20/12/2010 - 6:40

    Homens separatistas? As mulheres que são frouxas.

    Não estou falando de você, mas no geral as maiores machistas são as próprias mulheres.

    Minha avó por exemplo sempre trabalhou e teve uma vida independente pois ela nunca quis ficar a mercê do meu avô caso o casamento não desse certo. Ela sempre meteu o pau nas mulheres da geração dela por causa da passividade perante aos homens.

    O que mais me impressionou no tempo que morei fora do Brasil foi a postura das mulheres. Elas racham as contas numa boa, são extremamente independentes e dividem as responsabilidades 50/50 com os homens sem se fazer de vítimas ou encher os parceiros de cobranças. Cada um faz a sua parte de forma igualitária e ponto final!

    Aqui quase não vejo isso, a maioria das mulheres (não todas obviamenet) não tem atitude e é comodista. Se tivessem um mínimo de respeito próprio a situação já teria mudado há muito tempo…

    Pra esse tipo de mulher não pode existir muita complacência. Não tá feliz? Dá um pé na bunda do cara e resolva a sua vida sozinha! Porque a maioria não faz isso? Acham cômodo ter um provedor puxando a carroça!

    Não adianta nada culpar os homens pra chegar em casa depois e fazer tudo de maneira oposta ao discurso. Reclamar da sociedade é desculpa de quem não tomou as rédeas da própria vida.

    • #16 por cely em 23/12/2010 - 22:53

      Olá Luiz Alberto,

      Você leu o texto mesmo? Porque a sua visão me pareceu bastante baseada em um senso comum, já que é óbvio que as mulheres são educadas desde muito novas para serem “frouxas” e agirem dessa maneira, e você está culpando a vítima nesse comentário. As mulheres são sim reprodutoras dos comportamentos machistas, é claro, afinal esse é o condicionamento que elas recebem e ao qual se adaptam, acreditando que é o correto para suas vidas (e evitando também a temida desaprovação social).

      Sua avó é um ótimo exemplo, e eu também conheço mulheres assim, mas você tem que entender que ela estava muito a frente do seu tempo, é uma exceção. Tenho certeza que a maioria das avós por aí ainda seguem o velho modelo e nunca conseguiram lutar contra a infelicidade dos seus casamentos.

      E sim, você captou a ideia, nos países mais desenvolvidos a tendência é que a situação melhore sempre! Lá as mulheres já deram um passo a frente no feminismo e podem lidar com essas situações com muito mais igualdade, mas ainda assim elas enfrentam consequências do patriarcado como menor número em cargos de poder, dupla jornada e muitos casos de violência doméstica e sexual. Antes fosse tão simples fazer tudo de forma igualitária e ponto, como a culpa fosse das menos privilegiadas histórica e socialmente.

      A atitude “comodista” é condicionada mesmo, e o respeito próprio é algo que se adquire principalmente com conhecimento e informação. Claro, seria muito bom mesmo se todas as mulheres daqui, especialmente de classe baixa, não dependessem economicamente de seus maridos e pudessem dar um basta na infelicidade, mas lembre-se que até o auxiliar de pedreiro ganha mais que uma empregada, e que sobra para a mulher ainda a jornada doméstica e os filhos.

      E claro que reclamar da sociedade não significa que a pessoa é incapaz, nós somos sim abolutamente influenciados pelas desigualdades de condições! Esse discurso é semelhante àquele que compara pobres a vagabundos, que diz que qualquer um pode subir na vida se tiver “esforço”, como se todos tivessem as mesmas oportunidades. Um homem já começa a ter privilégios na educação, quando é estimulado a ser independente, autônomo e forte, enquanto as mulheres são empurradas para a dependência emocional e muitas vezes econômica, como culpar as mulheres em uma sociedade que diz “case-se com um homem que pode sustentá-la?”, e que inclusive destina maiores salários a esses homens e ainda os enxerga como os tais provedores? Devemos sim incentivar as mulheres a buscar independência financeira e auto-estima, esse é um dos trabalhos do feminismo também, mas não se pode dizer que as mulheres tiveram as mesmas condições para chegar até isso que os homens, ou o feminismo simplesmente não seria necessário ou qualquer outro movimento social.

  8. #17 por Cecilia em 20/12/2010 - 15:25

    Amei o blog!
    Obrigada por escrever, sua presenca na internet é importante e suas opinioes mudaram as minhas acerca do separatismo.

    • #18 por cely em 23/12/2010 - 22:54

      Obrigada querida!

      Volte sempre =]

  9. #19 por Lu Gomes em 07/01/2011 - 16:58

    Caraca Cely. mandou muito bem.

    Tbém participei do mov. libertário (isso muito mais de 10 anos rs) e ler seu texto fora como pudesse voltar no tempo e relembrar lamentavelmente essa verdade.
    Mas hj olhando p/ trás vejo que éramos apenas meninos e meninas, tentando entender o mundo injusto.
    Muitos desses amadureceram e são seres melhores.
    Concordo totalmente com o ponto de que as mulheres devem ter a oportunidade de estarem juntas e de preferência com o intuito de discutir possibilidades de libertação mental e social.
    Pois depende de nós mesmas (de mente aberta), pois, as oprimidas além de pouco tempo para si mesmas, ainda tem as idéias confusas lhes afligindo a mente.

    Obrigada.

    • #20 por cely em 19/01/2011 - 22:57

      Oi Lu, obrigada pelo seu comentário! (não sei porque, ele chegou pra mim como spam, só descobri hoje)

  10. #21 por Carlos Bernardo em 09/02/2011 - 23:02

    Censura é foda! Abaixo a ditadura! Cade a liberdade e igualdade!? O Direito de resposta?

    • #22 por cely em 10/02/2011 - 9:36

      Caro Carlos,

      Não sei se é você a mesma pessoa, mas recentemente excluí um comentário por julgar extremamente agressivo, afinal também me reservo ao direito de não perder tempo discutindo com homens que chegam até um blog direcionado às mulheres vomitando asneiras.

      Caso seja você essa pessoa, peço que redija novamente seu comentário reconsiderando o nível de respeito.

      Abs

  11. #23 por Carlos em 11/02/2011 - 2:55

    Desculpinha hein?
    Revolucionários são assim mesmo. Amam uma ditadura.

    • #24 por cely em 11/02/2011 - 9:40

      Não é desculpa não Carlos, pode dar uma olhada nas outras discussões com homens, especialmente nos posts “Em plena era do tesão, minha libido ainda é subversão” e no “Goru hentai”, você vai verificar que o nível é diferente, mesmo quando os rapazes tem coisas “espinhosas” a dizer.

  12. #25 por Adriana em 11/02/2011 - 15:09

    Oi Cely!
    Descobri seu blog muito recentemente, através de um link postado no blog da Lola, e estou aproveitando uma tarde livre para ler tudo o que posso.
    Gosto muito do que você escreve, e este artigo em especial me chamou a atençao. Tenho pensado bastante sobre esse assunto ultimamente, esta atitude extremamente defensiva assumida pela esmagadora maioria dos homens quando o assunto é feminismo ou direitos da mulher. Sinceramente, da desânimo.
    Alguns dos homens mais queridos da minha vida (penso aqui especialmente no meu marido e no meu irmao) nao sao de forma alguma machistoes inveterados, muito pelo contrario. Mas vai falar com eles sobre feminismo (essa palavra amaldiçoada por nossa sociedade patriarcal)! A primeira coisa que eles vao te dizer é “nao acredito em radicalismos”. E nao adianta eu mostrar que isso é ridiculo, que o feminismo luta por direitos iguais e por respeito às mulheres, que isso so pode ser considerado uma ideia radical para um machista. Nao adianta, eles entram numa atitude defensiva e simplesmente nao escutam mais.
    Por isso tenho pensado que, como feministas, a gente tem mais é que batalhar para conscientizar as mulheres (porque, ô, ta cheio de mulher machista por ai…!) de todos esses mecanismos de controle e subjugaçao do sexo feminino. Tentar convencer os homens, com rarissimas exceçoes, é pura perda de tempo e de energia. Se depois vierem nos acusar de separatistas ou sei la o quê, paciência.

  13. #26 por BRENDAS SOUTO em 27/06/2011 - 16:18

    EU QUERIA SABER QUAIS SÃO OS MECANISMOS DE CONTROLE E AS JUSTIFICATIVAS DO MASCULINO SOBRE O FEMININO?

  14. #27 por BRENDAS SOUTO em 27/06/2011 - 16:19

    E MUITO RICO O ARTIGO…ME AJUDOU MUITO EM UM TRABALHO DA FACULDADE…

  15. #28 por BRENDAS SOUTO em 27/06/2011 - 16:19

  16. #29 por Terry em 15/08/2011 - 14:09

    Feminismo, machismo, os “ismos” da vida, só promovem a desigualdade na mesma proporção que exigem seus direitos.
    Sou homem, e não concordo com a visão de submisão das mulheres, nas decadas anteriores, e hoje não vejo mais por que garantir privilegios, a um unico sexo, sendo que a sociedade está praticamente generalista em todos os sentidos “tanto o homem quanto a mulher são lixos para a sociedade sem nenhuma produção de lucro” por isso não vejo motivos para lutar por privilegios onde todos são julgados de forma igual.
    Quanto ao texto, concordo que as ” rodas de amigos” é um espaço onde os homens apenas manifestam seu sentimento de superioridade, mas discordo que isso é apenas em relação as mulheres, isso inclui hobbys, questão financeira, e varios outros aspectos, sempre no sentido de mostrar seu valor, e se sentir superior. oks! isso é desgastante, por que enquanto voce reivendica por ter esse espaço de lazer para mulheres, parecido com ” rodas de amigos dos homens”, os homens simplismente não tem NENHUM espaço para se queixar dos seus problemas, ou conversar sobre eles, como eu mesmo disse, as rodas de amigos, servem como forma de cobrança e resultado, e exerssem uma pressão no cara, problemas, não são comentados, por que então ele é visto como fraco. O homem não tem nenhum apoio moral ” quando não consegue” seus erros são renegados pela sociedade, mas concordo de que ” quando ele consegue” é muito mais valorizado e vangloriado pela sociedade e amigos, do que a mulher. Em compensação voceis, tem espaços e lugares para atendimento emocionais, problemas, e atendimentos especializados, uma ajuda muito maior em relação aos seus problemas. Por isso priveliviar um unico sexo, e culpar o outro pelos problemas sem nenhum apoio e com muita cobrança social é um grande erro. Os assasinos, psicopatas, estrupadores em grande maioria são homens, e voce acha que simplismente é “por que eles são maus”… não, mas por que não tem nenhum apoio emocional, moral, por parte da sociedade para lidar com seu problemas, afinal mulher nenhuma admite homem com problemas, e também a sociedade, logo é claro que vai dar merda depois, sem nenhuma ajuda, e só lhe cobrando resultados, para ser o “provedor” das coisas.

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  2. Separatistas são os homens! | Ofensiva contra o machismo
  3. Separatistas são os homens! | Feminismo Construtivo

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