O meu Brainstorm da Pornografia

Na velha discussão feminista sobre pornografia, erotismo e sexualidade, eu me coloco definitivamente do lado antipornografia e bem resistente quando o assunto é “encontrar o delicado limiar entre pornô e erótico”. E isso não chega nem perto de puritanismo ou problemas com a expressão da minha sexualidade, pra mim a pornografia do senso comum é violência e não sexo, pornografia é a teoria e o estupro é a prática.

binthebunny

“A pornografia interfere na maneira de uma pessoa perceber o sexo. Ela estimula uma relação de mão única com o objeto do desejo, admiração e satisfação, e estimula uma relação de uma pessoa (a que está vendo a pornografia) com uma idéia, um ente com quem não se trava relações, só se obtém satisfações. Esse ente, o objeto do desejo e satisfação é manipulado como o observador bem – ou mal – entender. A pornografia possibilita que uma pessoa possa dedicar ao objeto de seu desejo pensamentos recriminados ou considerados negativos por si mesma, sem em nenhum momento ter resposta negativa a essas idéias, ou resposta alguma. Consequentemente, a pornografia constrói a noção de que essa pessoa possa dedicar sentimentos, idéias e até atos negativos ao objeto de seu desejo sem que haja uma resposta negativa, ou mesmo uma privação da satisfação de seu desejo e ansiedade. Com certeza alimenta uma forma de se relacionar com o objeto de desejos como se fosse um objeto. Com certeza é um treinamento para estupros. E com certeza é condição de possibilidade de que se veja a sexualidade, e sobretudo o sexo como algo ruim, negativo, violento, sujo, pervertido.” Manifesto Antipornografia

Este trecho acima é um dos meus preferidos do manifesto, porque expõe claramente a verdadeira relação que há por trás de toda pornografia comercializada. Mais do que a inocente apimentada de relacionamento ou estímulo para masturbação solitária, o formato pornográfico comum proporciona ao indivíduo que se torne espectador de sua sexualidade, que sujeite objetos à suas vontades e anseios sem qualquer conseqüência.

nojo

É assim que eles gostam.

Eu já consumi pornografia. Fui exposta muito cedo a esse tipo de conteúdo, assim como a maioria das crianças. No início é uma curiosidade, “o que essas pessoas estão fazendo?”, logo que a ideia de sexo é compreendida a pornografia parece ser o primeiro contato direto com o assunto, somos praticamente educad*s por ela. Se antes os garotos eram levados até os prostíbulos, hoje lhes dão revistas pornográficas. Afirmo com toda a certeza que a pornografia construiu na minha mente um formato de sexualidade totalmente deturpado, hoje posso analisar e constatar esse fato.

Quando assistimos pornografia estamos vivendo nossos desejos por meio de outros. Pior, estamos assimilando que aquilo é sexo legítimo, sexo “explícito”, ou seja, o verdadeiro e mais exposto possível. Aprendi que sexo “bom” mesmo era daquele jeito, rápido, bruto, impessoal, focado em um pinto que ejacula mil litros, de preferência em um rosto feminino.

Neste momento preciso traduzir alguns trechos de uma lista feita por uma diretora de filmes pornográficos “feministas” (chegaremos lá) sobre clichês do pornô:

argh

Dá vontade de vomitar...ou espancar esse velho.

1. Mulheres usam salto alto na cama.
2. Homens nunca são impotentes.
3. Ao fazer sexo oral em uma mulher 10 segundos são mais que satisfatórios.
4. Se uma mulher for pega masturbando-se por um estranho, ela não gritará ou ficará constrangida, ao invés disse insistirá para fazer sexo com ele.
5. Todo homem tem pelo menos um litro de esperma.
6. Se houverem dois litros, melhor ainda (a garota não sente nojo!).
7. Garotas jovens e belas adoram fazer sexo com homens feios de meia-idade.
8. Mulheres sempre gozam quando os homens gozam.
9. Todas as mulheres trepam berrando.
10. Aqueles peitos são de verdade.
11. Dupla penetração faz uma mulher sorrir.
12. Homens asiáticos não existem.
13. Nem homens de pau pequeno.
14. Se você encontra um cara fazendo sexo com sua namorada em uma moita, ele não reclamará se você esfregar seu pinto na boca da garota.
15. Todas as mulheres adoram levar tapas na bunda.
16. Enfermeiras chupam o pau de pacientes.
17. Quando sua namorada te encontrar sendo chupado pela melhor amiga dela, ela ficará bravinha por alguns instantes antes de trepar com os dois.
18. Mulheres nunca têm dor de cabeça, nem menstruam.
19. Quando uma mulher está chupando um pau, é importante que o indivíduo a lembre constantemente: “Chupa!”.
20. Um cu é sempre limpo e delicioso.
21. Mulheres sempre ficam surpresas e gratas quando abrem as calças de um homem e encontram…um pau.

Estes são apenas alguns dos milhares de clichês pornográficos. Sem falar nos ditos pornôs “inclusivos” que colocam pessoas consideradas “feias” para fazer sexo, normalmente em situações duplamente humilhantes e brutais. Sempre percebi que os pornôs envolvendo mulheres negras, especialmente lésbicas, faziam questão de apresentar cenas bastante agressivas, com movimentos que, sinceramente, NUNCA causariam tesão em alguém. Essas mulheres são retratadas de forma selvagem, embrutecida e violenta, parece que esta seria a única forma de vender material excitante de pessoas que são marginalizadas por sua aparência e cor.

Mulheres no pornô geral são representadas, em 99% das vezes, como a parte “dominada” na pornografia. Sim, porque nesses filmes sempre há uma relação dominador/dominado no sexo, não existe troca. Lembrando que mesmo em filmes que usam a figura da “dominatrix” ou filmes gays masculinos impera a ideia de papéis ativos e passivos, regra geral com variações de gênero – diz-se que o passivo é a “mulher”, ou seja, toda passividade e submissão têm caráter feminino. E quando não nos excitamos com nosso papel passivão, dizem que o problema está conosco.

jaajajahahah

Que porra é essa?

Lésbicas na pornografia heterossexual são tão plásticas que dão nojo. É possível sentir a repugnância que as heterossexuais fantasiadas de lésbicas ninfetas expressam ao fazerem sexo oral em outra mulher. E claro, o homem está ali, mediando a situação com seu pênis ereto, o verdadeiro protagonista. Por que afinal mulheres não sentem tesão com filmes de homens gays? Deveria ser super excitante a ideia de flagrar dois homens fazendo sexo e juntar-se a eles pela lógica da “igualdade” que certas pessoas promovem, mas não é bem assim que funciona.

As taras são diversas, mas a campeã parece ser o estupro, com a maior incidência de buscas no Google. Até mesmo os filmes que não promovem explicitamente o ato de forçar sexo a uma mulher se apropriam da ideia para “excitar”. Sexo oral claramente forçado, com aqueles empurrões grotescos, expressões de agonia e dor, penetração brutal, gang bang violento, bondage, tudo isso é simplesmente estupro. Aí vem gente dizer que na esfera da fantasia tudo é permitido, que não significa que a pessoa realmente faria aquilo, mas soa muito ingênuo acreditar que uma pessoa que busca essas representações para satisfazer seus desejos não assimila os valores do ato. Meu cérebro não derreteu ainda, não vou cair numa dessas, queridos estupradores potenciais.

Há ainda homens que alegam não gostar de pornografia , preferindo algo “não vulgar”. Muitos recorrem ao estereótipo da mulher “sexy”, através da playboy ou do “Sexy Time” do MultiShow. Julgam que, se não há penetração em órgãos genitais expostos, trata-se da mais leve e saudável forma de exploração do sexo possível, não pode haver algo de errado em belas mulheres siliconadas e photoshopadas em momentos de pura lascívia. Talvez o padrão violento seja suficiente para justificar o repúdio a essas práticas, mas acrescento ainda que os motivos que levam essas garotas a prostituírem a imagem de seus corpos são os mesmos que as colocam sob risco iminente de estupro na própria sociedade.

horror

A expressão mais excitante para um macho

Um fenômeno que observei foi a invasão de vídeos exibicionistas de mulheres no Yotube rebolando para a câmera de calcinha. Alguns vídeos parecem ter sido feitos para alguém e depois “vazaram”, outros são feitos para divulgação mesmo. Para aqueles que foram colocados na internet sem permissão, é a mesma situação de milhares de mulheres expostas em vídeos e fotos nas comunidades estilo “caiu na NET”, onde o ex-namorado predador se vinga da garota tornando públicas suas intimidades. Produzir material pornográfico para o namorado é vendida como uma ideia excitante e proveitosa para a vida sexual do casal, embora o homem nunca o faça. É realmente muito excitante poder objetificar a própria companheira, justo aquela mulher que parecia ser a única com características de sujeito, que não podia ser usada como as atrizes do pornô, torna-se disponível. E produzir material exibicionista para vários homens? Dizem que é uma “escolha” deliberada, uma forma genuína de prazer. Eu digo que uma mulher no contexto feminino de sujeição precisa provar constantemente que é atraente e capaz de seduzir um homem, já que sua auto-estima é esmagada por todos os lados e seu único valor como indivíduo parece depender de aprovação masculina. Parte dessa necessidade de mostrar-se sexualmente disponível em busca do status da fêmea no patriarcado está exposta nesses vídeos, é uma das poucas saídas que muitas mulheres encontram para sentirem-se valorizadas e desejadas de alguma forma, mesmo que através de insultos.

Mas voltando à indústria pornográfica, este artigo da antropóloga colombiana María Elvira Díaz Benítez, “Nas redes do sexo: bastidores e cenários do pornô brasileiro”, vale uma leitura porque explica bem a questão dos estereótipos femininos trabalhados na pornografia, desde a latina caliente até a ninfetinha asiática. E também um pouco sobre os estereótipos masculinos, como o negro bestial e o tiozão viril.

horrível

Garotas dominadas? Enfia no seu cu seu fetiche.

É claro que os bastidores do mundo pornô tentam mostrar uma imagem positiva e saudável de suas práticas. Fala-se muito em escolhas, especialmente as escolhas da mulher, que parece “optar” por ser humilhada em um set de filmagem. Para esse assunto eu indico um post escrito pela blogueira Marjorie, simplesmente fantástico, abordando a questão da livre escolha entre outros assuntos, veja aqui.  Alguns recortes do texto:

“Por exemplo: “se eu escolhi ser prostituta/stripper/atriz pornô/whatever, se eu fiz isso porque quero, então eu não sou uma mulher objetificada. Eu sou sujeito das minhas ações e quem disser que estou numa posição de passividade ou vulnerabilidade está errado. É paternalista dar a entender que eu sou burra, não sei o que faço ou sou apenas um joguete do patriarcado.”

“[…]o contexto em que uma determinada escolha é tomada a dota de um significado particular.”

“Vulnerabilidade que a Charlotte não escolheu, mas que pode vir de brinde com sua escolha. Logo, não adianta ser sujeito na hora de escolher, se o contexto te coloca numa posição subordinada depois. O féladaputa do contexto pode te transformar em vítima da sua própria escolha.”

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Cala a boca, mulher.

“Contextualizar a escolha, dizendo que ela pode levar a uma situação de vulnerabilidade, não é negar o fato de que escolher é uma ação. Nem dizer que o autor da escolha não pense por si. Está-se apenas inserindo esta escolha em um mundo e, então, refletindo quanto à influência do mundo sobre a escolha e o efeito dessa escolha no mundo.”

Perfeito, eu não poderia explicar melhor. É isso, nossas escolhas estão sempre inseridas em um contexto, não podemos simplesmente nos separar do mundo inteiro e colocar nossas escolhas em uma bolha em que tudo acontece conforme o esperado. Então, se a atriz pornô escolheu deliberadamente sua profissão, isso não significa que a situação não a torna vulnerável e vítima dentro de um sistema de desigualdade em que mulheres são inferiorizadas. Vítima da própria escolha. Quantas dessas mulheres têm a opção de conhecer outros caminhos? Ou mesmo, quantas tiveram condições de fazer uma análise crítica sobre a pornografia? Não é à toa que várias usam drogas e o índice de suicídio é altíssimo, como no mundo da prostituição, esqueçam o glamour e a liberdade do pornô.

linda lovelace

Até que ela parece feliz, não é mesmo?

Alguém tem um exemplo melhor que Linda Lovelace? A atriz de “Garganta Profunda” que apanhava e era estuprada no set e só foi protagonista do filme pornográfico mais famoso da História porque foi FORÇADA? Não por acaso, Linda milita contra a pornografia hoje em dia. Ela vivia presa ao homem que a obrigou a realizar o filme, o mesmo homem que a prostituía, estuprava e fazia com que outros homens a estuprassem. É possível ver os hematomas de Linda durante o filme. Ela demorou anos para tomar coragem e fugir do agressor, porque se sentia dependente dele. E ainda tem gente que culpa as mulheres por não conseguirem se defender de certas coisas, ao invés de culpar quem as ataca!

lindalovelace sofrendo

Tente isso e veja se é bom.

Este é um vídeo muito interessante, http://br.youtube.com/watch?v=r0q_VGacfNk , descrição: “Este poderoso vídeo é em memória de centenas de estrelas pornográficas mortas. Este vídeo é dedicado às estrelas pornográficas ainda vivas. Minha esperança é que este vídeo toque muitas vidas e que elas parem de ver e fazer pornografia. A Pornografia não é glamurosa.”

Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e depressão são comuns em pessoas que estão na indústria pornográfica. A razão mais buscada pelas mulheres parece ser o cachê mais alto e pelos homens a oportunidade de reafirmar sua virilidade e potência. No set de filmagem nem a lubrificação vaginal é real, ou não suportaria todas as modalidades de penetração por tanto tempo. Trecho de entrevista com psicólogo especialista em relacionamentos e ansiedade Alexandre Bez:

Problemas familiares podem ajudar na escolha pela profissão de ator/atriz pornô?
Dr. Alexandre Bez: Sim, devemos lembrar que para todos nós a questão familiar é muito importante. Assim como problemas de ordem social, econômica ou sentimental, falta de carinho ou constantes dificuldades na família podem ser catalisadores para uma pessoa encarar esse tipo de profissão.

Pois é, desde a formação no núcleo familiar existem estímulos e situações que nos levam a fazer escolhas que não são “livres”, pois não temos acesso real a diversas escolhas e reflexões. Não podemos culpar as mulheres por promoverem uma indústria pornográfica que inferioriza elas mesmas, precisamos focar nossos objetivos naqueles que produzem e consomem esses materiais.

pornô feminista

Pornografia feminista, será?

Mas espera aí, não tem mulher que gosta de pornografia? A maioria, mesmo sem contextualizar, parece sentir uma certa repugnância dos formatos masculinos de pornografia, como os clichês acima citados. O que me surpreendeu foi descobrir que existe uma onda de diretoras de pornografia “feminista” invadindo a Europa.

A proposta, tenho que admitir, é louvável. Uma das diretoras, que já foi atriz pornô e hoje é cientista política, reconhece que os filmes insultavam sua inteligência e a colocavam como um objeto domesticado. Os filmes produzidos por ela exploram a sexualidade feminina, orgasmos reais, homens que realmente existem na trama, relações de respeito mútuo e algumas peculiaridades de filmagem como nunca exibir ejaculação masculina e dar preferência ao foco nas expressões faciais de prazer ao invés dos genitais. Duas entrevistas com diretoras explicam mais sobre, aqui e aqui.

suicide

Liberdade? Ah tah, valeu.

Elas afirmam que seus filmes seriam ótimos para educar homens em novos papéis sexuais, mais humanos e reais, além de serem feitos com responsabilidade e envolvimento dos protagonistas. Eu não invalido totalmente a ideia porque de alguma forma é diferente, mas infelizmente está inserido no mesmo contexto machista em que vivemos. Não é um pornô com uma perspectiva feminista que vai revolucionar a indústria pornográfica masculina, além de não estar livre da questão do voyeurismo impessoal. Pesquisei algumas capas de filmes e encontrei alguns clichês como mulheres de seios enormes nuas, fantasiadas e com um padrão próximo ao convencional, não vou arriscar generalizar, mas foi a impressão. Ainda prefiro a extinção dos formatos pornográficos comuns do que reformas desse tipo, acho a questão perigosa. Além do mais, adivinhe como era o troféu que premiava as melhores diretoras? Em formato de PINTO.

Também encontrei referências das diretoras enaltecendo o Suicide Girls. Para mim, esse site sempre foi uma Playboy alternativa e de péssimo gosto. Alt-porn não é menos violento nem menos opressor só porque mostra algumas garotas fora do padrão com piercings e tatuagens, buscando um lugar ao sol para serem admiradas com sua resistência estética. Se fosse realmente uma representação de resistência aos padrões, por que colocariam essas mulheres “exóticas” na mesma posição sexualizada e objetificada das garotas da Playboy? No fim, toda a subversão de valores alternativos acaba na masturbação do macho que consome o material.

São 5 páginas de Word e eu não consigo sentir que disse tudo o que pensava sobre a pornografia, na verdade são inúmeras as implicações envolvidas. Sou definitivamente antipornografia, enxergo nesses materiais um ódio repulsivo contra a mulher e um conservadorismo nas questões de gênero absurdo, além de uma forma de construção de uma sexualidade falsa, egoísta, impessoal. Não é a minha sexualidade, não envolve respeito ou responsabilidade, não implica um contato íntimo e real, destrói relações. Eu me sinto livre por não consumir pornografia, assim como conheci pessoas que admitiram sentir-se escravizadas por um vício pornográfico. E o que mais me dói em tudo isso, é ver como as mulheres são constantemente condenadas pela estética pornográfica comum, como a sexualidade feminina é obscura nessa indústria e o quanto ela tem poder de influência sobre os homens.

Sobre o que chamam de pornografia alternativa, feita com casais reais, mulheres que representam sujeitos e coisas assim, ainda não tenho opinião formada. É claro que não se deve condenar todas as representações sexuais, o problema é a delicadeza de lidar com isso em um mundo machista que glamouriza o egoísmo. Eu, pessoalmente, não assistiria nem se fosse o vídeo da Maria e do João em casa fazendo um papai-mamãe cheio de ternura, dispenso. Estou bastante satisfeita com a minha sexualidade assim.

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  1. #1 por Ricardo Jevoux em 07/08/2009 - 20:43

    Oi Cely, acabei de encontrar seu blog e gostei muito.
    Tenho que adimitir que minhas opiniões tiveram altos e baixos durante a minha leitura.
    Não sei se lhe interessa saber minha opinião ou se seu objetivo era somente se expressar e já que para eu falar tudo daria um comentário bastante grande, por hora fica aqui somente meu elogio ao site e à sua escrita que é excelente.
    Vou ler o resto do blog agora,
    Abraços.

  2. #2 por Lola em 08/08/2009 - 19:58

    Muito bom, Cely. Faz tempo que venho lendo uns livros anti-porn e fazendo umas anotações para poder escrever um texto mais “embasado”, digamos, sobre pornografia, sem me levar tanto pelas minhas impressões contra porn. Eu sou contra a censura, então não defendo que pornografia seja proibida. Mas eu bem que gostaria de viver num mundo em que não existisse porn, estupro, violência doméstica, assassinatos, snuff films etc etc.
    Eu já escrevi um pouco sobre porn aqui e aqui
    Mas acho que, lendo teoria, minha opinião se radicalizou bastante de lá pra cá!

    • #3 por whothehelliscely em 10/08/2009 - 0:58

      Oi Lola,

      Também concordo que a censura não é o caminho, até porque não funcionaria. Lerei seus posts, e com certeza minha opinião ficou bem mais radical depois da teoria ;/

  3. #4 por Rafael em 09/08/2009 - 0:52

    olá.. estive lendo certas coisas do seu blog. achei na comunidade feminismo e feministas. gostei pakas. vc parece ser uma garota com uma mente bem avançada, diferente das robôs que existem por ae. se não for encomodo, me add no msn: rafael.atos@hotmail.com

    abraços camarada.

  4. #5 por Ricardo Jevoux em 10/08/2009 - 2:38

    Bem, foram só duas das várias bandas que eu gostava que se venderam. Se quiser ouvir algo sobre elas, pega as músicas antigas. Nas novas, o seu preconceito vai ser justificado.
    Tomei um tempo pra ouvir as bandas que vc recomendou. Confesso que não as conhecia e adorei!! Só não entendi o porque do “peace” na definição. Crass não me pareceu lá muito pacifica.
    Ah, o The Danmed eu já conhecia, Offspring, que eu citei, começou a carreira fazendo cover deles, mt bom.

    Pra tentar ser bem sucinto, a idéia de antipornografia é nova pra mim, então, eu queria saber o como esse conceito se destaca da velha idéia de que filmes violentos produzem serial killers e jogos de computador são fábricas uma juventude cabeça oca.
    Não seriam as pessoas culpadas pelas suas próprias escolhas ao invés de “tadinhas, elas estão sendo alienadas”.
    Imagino isso pois, vejo os filmes, a pornografia e jogo no computador. Não matei ninguém, leio muito e estupro é uma coisa pela qual eu não irei pro inferno, pelo contrário, eu e minha namorada temos uma vida sexual extremamente carinhosa.

    No mais, eu poderia rever meus conceitos sobre pornografia com base no seu argumento do estilo de vida das atrizes e atores. O video que vc apresentou foi realmente chocante.´

    Ou seja, eu concordo que há realmente algo de errado com a indústria do porno, porém, temo que, essa indústria so esteja dando ao consumidor o que ela quer ver. Afinal, existe mercado até para extremos como pedofilia, bestialismo e necrofilia. Será que as pessoas são tão influenciaveis assim?

    • #6 por whothehelliscely em 14/08/2009 - 13:07

      “conceito se destaca da velha idéia de que filmes violentos produzem serial killers e jogos de computador são fábricas uma juventude cabeça oca.”

      A diferença básica é que os filmes violentos retratam uma situação que é claramente VIOLENTA, não existe uma necessidade de ocultar o processo. Com os jogos é a mesma coisa, embora eu tenha sim uma desconfiança de jogos que glamourizam a violência extrema. A pornografia ensina a todos que as mulheres estão gostando, até mesmo quando estão sofrendo.

      “Não seriam as pessoas culpadas pelas suas próprias escolhas ao invés de “tadinhas, elas estão sendo alienadas”.”

      Isso é muito liberal, Ricardo, acreditar que todas as pessoas partem de um ponto de consciência livre e fazem suas escolhas da forma que querem. Muitas pessoas nunca tiveram contato com material antipornográfico, nunca tiveram o direito de conhecer uma ótica diferente.

      “Imagino isso pois, vejo os filmes, a pornografia e jogo no computador. Não matei ninguém, leio muito e estupro é uma coisa pela qual eu não irei pro inferno, pelo contrário, eu e minha namorada temos uma vida sexual extremamente carinhosa.”

      Não quer dizer que todos os homens que vêem pornografia serão estupradores ou tratarão as mulheres de forma rude, mas você tem que ver que existem sim muitos garotos que são educados pra desejar um sexo pornográfico e que acabam pressionando suas namoradas quando iniciam a vida sexual. Convido você a analisar alguns elementos dos vídeos que você assiste, porque eles te excitam, qual o papel da mulher, se você imagina sua namorada ali. Os jogos até eu mesma gosto, mas pense que nós temos um certo discernimento quando o assunto é violência simulada, muitas pessoas podem não ter.

      Rever a sua opinião sobre a pornografia com base na vida dos atores seria interessante, ter contato com o lado humano de que representa o prazer mas pode não estar sentindo verdadeiramente.

      “Ou seja, eu concordo que há realmente algo de errado com a indústria do porno, porém, temo que, essa indústria so esteja dando ao consumidor o que ela quer ver. Afinal, existe mercado até para extremos como pedofilia, bestialismo e necrofilia. Será que as pessoas são tão influenciaveis assim?”

      A indústria sempre vai buscar dar ao consumidor algo que o atraia,seja bom ou ruim. Concordo que a pornografia é só uma reprodução do que os homens querem, que a indústria se criou a partir dos desejos deles. O problema é que estes desejos precisam ser questionados, precisamos identificar porque foram dados determinados papéis à mulher e ao homem.Não adianta mesmo atacar a indústria, eu acredito que faço melhor em conversar com as pessoas que consomem para que elas tenham o direito de conhecer outras perspectivas. E sim, acredito que as pessoas são totalmente influenciáveis pelos valores vigentes, é preciso oferecer mais escolhas a elas, mais abertura e conhecimento.

      • #7 por Ricardo Jevoux em 14/08/2009 - 14:41

        Obrigado pela paciência para explicar tudo. Pelo menos se depender da sua vontade de divulgar essa idéia parece que ela vai ser muito bem sucedida.
        Gostei muito de tudo que vc disse. É uma daquelas coisas que eu acho que nunca ia parar pra pensar, é a primeira vez que esbarro com a anti-pornografia e me soou muito estranho quando eu li.
        Eu vou aceitar o seu convite e analisar melhor o que assisto e vou pesquisar um pouco mais sobre o assunto por aí. E vou continuar ligado no seu blog pra ouvir suas idéias.

      • #8 por whothehelliscely em 14/08/2009 - 15:40

        Ricardo, é um prazer enorme conversar com pessoas como você. Estou habituada a ser agredida antes mesmo de começar a falar, acho que você imagina porque. Vou recomendar um artigo sobre os bastidores do pornô brasileiro, que é bem interesante > http://www.clam.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=_BR&infoid=5669&sid=43

        Também já sou sua visitante. Abraços!

  5. #9 por Peri em 13/08/2009 - 16:56

    Ótimo texto. Realmente, a pornografia constrói uma visão de sexo onde há dominador e dominado, e no contexto na qual se inserre, contribui para uma visão de mundo nos mesmos moldes se perpetue. E nessa visão, quase que invariavelmente, é tida como dominada a mulher e como dominador, o homem. Acho que seria interessante se a sexualidade fosse abordada de forma mais humana nos meios de comunicação em massa, em especial na televisão. Seria interessante e digno para ambos os sexos construir uma noção de sexo onde há troca.

  6. #10 por Ricardo Jevoux em 14/08/2009 - 16:01

    É, as pessoas costumam não ser muito receptivas a idéias novas.

    “Não há nada mais terrível do que uma ignorância ativa.” Eu imagino que Goethe tenha passado pela mesmíssima situação.

  7. #11 por lauriene em 16/08/2009 - 23:13

    bom artigo, o pornô tem prós e contra, ams vale lembrar que existem limites, eu também me pergunto se as atrizes não menstruam e se possuem outro orifíco para a evacuação.

  8. #12 por Isolda em 04/11/2009 - 10:44

    Eu acredito que está na hora da pornografia ser tratada como um grande obstáculo á igualdade de gênero ao invés de simples “opinião”,e seus cosnumidores devidamente atacados também.A Suécia só teve sucesso na luta pela igualdade quando começou a punir os consumidores de prostituição.Agora,querem fazer o mesmo com a pornografia,sendo que a Noruega está sendo pinoeira nesta questão.Temos que parar com esta mania de tentar achar pontos positivos,tentar entender e tal.Ninguém tenta achar pontos positivos no racismo,por que no machismo ainda fazem isso? A pornografia virou um “direito sagrado” masculino que não pode ser atacado nem questionado? o desejo das mulheres parecerem “liberais” é tão grande assim aponto delas acharem tal violência normal e progressista? Já foi provado que filmes violentos tornam os jovens violentos,por que ainda resistem ás ideias de que a pornografia educa o homem no estupro? Não acredito nestes argumentos do “nada ver”,os homens ficam sim com idéias toxicas sobre nós.O “nada ver” é a desefa deste privilégio machista sobre nós.O aumento da violência sexual,tráfico de mulheres e violência doméstica,inclusive entre jovens,estão aí pra provar isso.Ainda iremos fechar nossos olhos?
    Chega de tanta insegurança e justificativas,o feminismo tem que enfrentar este problema de frente e não tentar controná-lo.
    Caso duvidem de minhas palaras ou ainda achem que é uma “opinião”,acessem as homepage do CATWA,facilemnte encontrada no google e vejam as consequências graves da normatição da pronografia e da prostituição que só mesmo as feministas brasileiras ainda se recusam e aceitar.

    • #13 por whothehelliscely em 10/11/2009 - 23:40

      Oi Isolda, concordo com você, também sou entusiasta de uma abordagem mais dura contra a pornografia! Tento encarar o assunto com mais cuidado pra evitar o velho clichê moralista a quem acabam me condenando. Mas na real, é uma grande indústria de ódio contra a mulher que as pessoas tentam justificar com supostas exceções, mas principalmente porque são dependentes dela para criar desejos e fantasias.

      O CATWA é realmente muito bacana. Obrigada por dividir isso comigo.

      Você tem msn? Me passe ou em adicione> cely_bandolero@hotmail.com!

      Beijos

  9. #14 por Luna em 17/09/2010 - 18:36

    Achei bem interessante seu ponto de vista geral, apesar de discordar de algumas coisas.
    Pra começar, acho que todas as mulheres deveriam se revoltar também com os clichês pornográficos que você cita… E acredito que se todas tivessem a oportunidade de se questionarem em relação a como são vistas na nossa sociedade já seria um GRANDE avanço.
    Acho totalmente absurdo ser obrigada a conviver com seres machistas que acreditam que sexo é aquilo, e pior: com isso me torno facilmente uma vítima de violência sexual.

    Mas tenho muitos pontos contra seu texto; pra começar, sou contra a extinção da pornografia. Acredito que existe uma curiosidade nata em relação ao sexo e sexualidade, coisa que não é simples produto do que nos é passado pelos filmes e revistas com sexo que vemos/lemos. E já que a curiosidade existe, acho que devemos atender a demanda, mostrar o ato em si para quem quiser ver. Por isso sou total a favor da tal “pornografia feminista”.

    Vamos lá, onde vivemos não é possível ver pessoas trepando pela rua quando me der vontade, certo? Também não é simples encontrar casais mais chegados que queiram transar na minha frente. E já que eu, assim como outros homens e mulheres, acho excitante o ato do voyerismo, tanto pra fazer sexo com o meu (ou a minha) parceiro(a), quanto pra me masturbar (pq, apesar de ter uma imaginação fértil, ainda é mais gostoso quando sou estimulada visualmente), acho muito válido poder me satisfazer nesse sentido, lembrando que o meu prazer, assim como o de nenhuma pessoa, deve agredir física ou moralmente NINGUÉM!

    Bom, em suma, não sou anti-pornografia, só acho que deveria existir respeito e responsabilidade no que é exibido, além de ser mais controlado, pra que quem assista algo assim só encontre pq estava procurando!

    E, nossa!, essa é uma questão tão complicada que só uma discussão cara-a-cara pra conseguir colocar todos os meus argumentos, ouvir mais coisa e poder ter uma opinião dura sobre o assunto.

    • #15 por whothehelliscely em 05/12/2010 - 20:23

      Oi Luna,

      Então, de certa forma eu consigo visualizar uma pornografia “feminista”, mas tenho muita dificuldade de aplicar ela no nosso contexto, entende? Também acho válido explorar a sexualidade, voyeurismo e tudo mais, mas me preocupo com os valores predominantes que inferiorizam as mulheres e podem ter impacto nessas práticas. Como deveria ser um filme “feminista”? Porque até mesmo na tal pornografia dessas diretoras dá pra encontrar uma tonelada de clichês…

      Obrigada por escrever e desculpe a demora (enorme) pra responder!

      Bjs

  10. #16 por Giselly em 30/04/2011 - 22:04

    Também fui “iniciada” em pornografia cedo e construí uma visão deturpada. Sempre me interessei em ver. Eu tinha uma pagina no Videolog que se chamava “Vintage Porno”, e a ideia era disponibilizar alguns videos que eu baixava antigos. Depois o site foi excluido pelo conteúdo, Meu computador morreu e eu não tive mais interesse em baixa-los. Lembro que tinha um video russo de 1920 com a seguinte cena: Uma Sala de aula duas alunas que pareciam estar com um camisolão de algodão, uma faz trapalhada, a professora coloca orelhas de burro, ela continua, a professora levanta o camisolão e bate na menina até a hora que começa a alisar, enfim derrepente ela começa a alisar a outra e (tudo com uma trilha tipo Charlin Chaplin), Um professor chega, briga com as três, faz as três fazerem sexo oral nele e enfim… Não preciso terminar.
    Depois ou antes não lembro vi no GNT um documentário de como se faz um filme porno em castelo com turistas assistindo, e @s turistas (principal as), horrorizados com a brutalidade dos filmes e eu sim mas entender porquê. Vi também uma entrevista com uma diretora de filmes feministas, mas Lesbicos da Australia que filmavam em casa. Gostei da proposta e do video. Por ser plástico.
    Comprei dus resvistas a TPM e a TRIP e tive a nitida impressão de que as mulheres não precisão de informação mundial a não ser a respeito de cosméticos, sendo que a revista do mesmo mês da Trip tinha uma matéria ótima do Angeli. Tipo: Mulher não gosta do Angeli e nem precisa conhecer. Por acaso me deparei com uma revista Claudia de Março de 2009 que tinha uma bronca feminista para (mim e), todas as garotas que não se consideravam feministas. Sei disso porque neste março fui à uma palestra da Marcia Tiburi no CCJ em São Paulo, Ela perguntou quem é, eu não respondi, ela disse acreditas que toda mulher deve ser feminista por apoio e lembrança de nossa liberdade alcançada por outras, como a editora chef da Claudia.
    Depois dissoTodos esses mal estares estão sendo compreendidos. Não me acho muito nova, não me acho muito velha, tenho 23, mas tenho a sensação de ter demorado tanto tempo pra chegar. Tenho uma amiga que vai nas palestras e tal, mas tenho a sensação de que o distânciamento que nós mulheres tomamos de nós mesmas sendo engolidas por aquilo que a gente acredita ser abrigações e as de fato que parece que a gente não enchega. E o preconceito, aquela ideia de que isso é coisa de mulher não feminina ou que é bom ser feminina e não feminista, por mais que hoje eu saiba e expõe uma ignorância nossa com o assunto também nos matem naquele espaço “confortável” anticritica e antibrigas.
    Enfim estou relendo repressões sexuais da Chauí. Não a devida atenção a primeira vez que vi e voltei a faze-lo porque me irritei por ouvir as pessoas dizendo ou que a Dilma não tem competência, ou que o Lula Faz governar por ela e ou que ela Lesbica. E aí discubri que esse lance de penetração inferioridade/passividade, vem desde a Roma antiga. Achei (ia dizer foda, mas -ainda-eu gosto de transar), terrivel.
    Depois desse discurso de posse como feminista te pergunto: A necessidade da pornografia se fazer além da questão economica também não vem da repressão imposta para as mulheres. Tipo: Tem um texto do Drauzio Varella – Circuncisão, um santo remédio () ele diz que se tiveram menos nº de casos de AIDS entre os Homens diminuirá também os casos entre as mulheres.
    No livro a Chaui diz que as mulheres eram chamadas de sexo, ou seja, nós eramos o próprio sexo. E se espanta com o fato da repressão ter dados tão certo a ponto de ser necessário haver sexologo pra nos ensinar a faze-lo. Eu Acredito que a repressão está tão impossível que se faz necessária a pornografia e acho que não só entre as mulheres, mas também entre os homens. Tipo esse horror a dedo no cu. Ela também diz que antes transar com pessoas do mesmo sexo era um ato e hoje é um ser gay ou lésbica.
    Enfim desculpe por esse texto enorme e por escrever muito bem. Obrigado pelos esclarecimentos. Um abraço.

  11. #17 por Giselly em 30/04/2011 - 22:07

    Ah, Tenho um Blog, Não tem muita coisa mas tá aí.

  12. #18 por Giselly em 01/05/2011 - 0:37

    Eu sei que quando uma pessoa escreve um comentário tão grande para de escrever, mas estou empolgada, então… Desculpe.
    Lembrei que ela, a Chauí, cita no livro as seguintes definições: Oprimir é esmagar; violentar é contrariar a natureza de alguma coisa ou de alguém; tiranizar é manter alguém sob o poder de uma vontade alheia à sua, apoderando-se de outrem pela força e dominando-o. A repressão aparece, assim, como ato de domínio e de dominação e o reprimido como submissão à vontade e à força alheia – como que uma alienação.
    Nossa! Depois de ler os três textos teus que eu li ontem e hoje todas estas palavras ganharam novo significado. O se humano é fragil não importa se homem ou mulher. Os homens sofrem com a idéia do pau pequeno e as mulheres querem cortar os lábios. Eu estou gorda me sinto péssima tenho que emagrecer por uma questão de saúde, mas é terrivel a forma como quanto doí não se sentir fazendo parte. Quando doí também não ter dinheiro e querer consumir, ou comer porque tem vezes que dependendo da situação, eu em bem raramente na rua, mas varias pessoas na vida não conseguem. São as violências silênciosas.
    E têm aquelas que falam te desconsiderando, rebaixando, espondo, analisando sempre para o menos o que inclusive produz essas rixas entre as próprias mulheres que se analisam(fisicamente, esteriotipadamente), constantemente e se machucam tb. Enfim… Terrivel.

  13. #19 por DARTH VADER em 04/05/2011 - 23:55

    SEU TEXTO E PRECISO INTELIGENTE E SENSIVEL SIM CONCORDO COM VC A PORNOGRAFIA E APENAS UMA PINTURA UM QUADRO UMA IMAGEM ANIMADORA DA PROSTITUIÇAO…

  14. #20 por Iago em 25/05/2011 - 13:20

    Eu entendo e concordo com suas críticas/sentimentos com relação à pornografia mainstream, incluindo aí o Suicide Girls e talvez boa parte do porno feminista (que não assisti, mas simpatizo com a idéia). Mas quando a crítica se vira contra a própria imagem erótica, em si, além de qualquer coisa, aí eu não consigo ver nada além de puritanismo.

    A imagem erótica, você diz, “não é a minha sexualidade, não envolve respeito ou responsabilidade, não implica um contato íntimo e real, destrói relações”. Mas a masturbação sem imagem também “não envolve respeito ou responsabilidade, não implica contato íntimo e real, destrói relações”. O que eu quero saber é se a sexualidade, o potencial orgástico de meu corpo, deve necessariamente passar por ‘contato íntimo e real’, porque há a acusação implícita de ‘desrespeito’ ou mesmo de falta de ‘responsabilidade’. E a acusação de que ‘destrói relações’ pode tanto dizer respeito à pornografia mainstream (que não só destrói relações mas tb constrói relações patriarcais, o que eu acho tão indesejável quanto), mas não consigo imaginar como imagens eróticas que veiculem valores distintos da lógica patriarcal podem ‘destruir relações’, a não ser por puritanismo.

    Eu conheci na rede algumas minas – aliás, feministas – que poderiam ser descritas como “exibicionistas” – elas mesmas não se identificavam assim – que divulgavam fotos eróticas suas, seguiam outras pessoas que faziam o mesmo, e havia troca (ou seja, relações que se constroem, até uma certa intimidade e proximidade). Se eu me masturbar pra uma imagem que elas colocaram ali, eu vou estar ‘desrespeitando-a’? Eu, sei lá, nem penso mal delas nem nada, não é tipo ‘vadia, toma’, pelo contrário, eu admiro elas bastante, e não (só) pelas imagens, mas pelo resto do que elas veiculam, pela pessoa que elas são. Há uma intimidade que eu sinto que é peculiar, particular dessa situação, uma cumplicidade – certamente não a mesma do sexo ‘face-a-face’, mas meu corpo e potencial orgástico não nasceu PRO sexo face-a-face, ele nasceu por nascer, e está aí pra eu fazer o que quiser, não só eu quanto todo mundo. Me incomoda você vir imputar a falta, ‘você desvia da reprodução sexuada que estabelecemos segundo critérios transcendentes pra você’, ‘ a imagem que me vem é um pai moralista mesmo, que vê o filho masturbando e vem gritar com ele que é ‘irresponsável’.
    Enfim, o que pode ser uma imagem erótica diferente da lógica patriarcal? Alguns pontos são claros, como por exemplo destilar o sexo/amor da violência, capturar também na imagem a intimidade e o carinho, mas de resto, é óbvio que não existe fórmula, são experimentações a serem feitas, explorações de terrenos ainda desconhecidos.
    Proibir a pornografia daria merda. Como dá merda proibir o comércio de drogas. Você vai criar um mercado negro e vai tirar a possibilidade de fornecer alguma segurança, alguma proteção e auxílio às mulheres (não só) que trabalham no setor. A única forma que vejo é continuar a combater o patriarcado por inteiro, fazer o que fazemos de qualquer forma, lutar por certos dispositivos legais protejam essas mulheres enquanto veiculamos outros tipos de imagem, enquanto oferecemos outras possibilidades de imagens eróticas e engendramos outras relações de veiculação, troca, que não as da pornografia mainstream.

    Abraços,
    Iago

  15. #21 por DUST OFF em 12/06/2011 - 17:27

    GOSTEI DE VOÇE CELY SEUS TEXTO DEMONSTRA UMA FORMA DE GUERRILHA COM AS PALAVRAS…VOÇE E UMA MULHER INTERESSANTE…REALMENTE, ALEM DE SER DIFERENTE VOÇE FAZ A DIFERENÇA…VOÇE QUEBRA AS REGRAS , ROMPE COM OS PADROES E DESAFIA O SISTEMA E DESAFIA O PODER… A INDUSTRIA PORNO E MUITO FORTE…MAIS E PRECISO SIM E PRECISO FAZER GUERRILHA….

  1. Pornô? Não, obrigada. « Amazonas e Icamiabas

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