Assédio e abuso verbal nas ruas: bons motivos para resistir.

Para ter certeza de que as mulheres são inferiorizadas, basta ser uma delas e estar andando pelas ruas. Sinto-me um soldado pronto para a guerra cada vez que faço algo tão simples quanto sair para trabalhar, estudar ou comprar um pão.

Você está andando pela calçada, feliz e tranqüila, quando avista um grupo de homens que podem estar do mesmo lado da rua ou do outro. Imediatamente as criaturas começam a medir você de cima a baixo, com expressões tão sádicas que nem os próprios acreditariam se tirássemos uma foto. Você logicamente começa a se sentir constrangida, ansiosa e incomodada, sabe o que vem logo em seguida.

A agressão varia muito, mas é encarada de forma tão natural que chega a ser bizarro. Lá estão os trolls popularmente “mexendo” com a mulher, dizendo desde gracinhas peraltas até insultos sexuais violentos, com o mesmo tom audacioso e cheio de desprezo. Assediam as mulheres quando querem, como querem e da forma que bem entendem, perturbam nosso direito de ir e vir e gozam da impunidade.

mujer

Sobre o velho discurso de que as mulheres “gostam” do assédio nas ruas, posso oferecer meu depoimento pessoal. Admito, já me impulsionei a gostar da situação, em certa época da minha vida acreditei que as ditas cantadas eram uma forma de admiração, significavam que eu era atraente e interessante. Quanta ingenuidade.

Só fui realmente entender que estava sofrendo uma violência quando parei para analisar porque aquilo era um tanto “estranho”, meio repugnante, mas ao mesmo tempo necessário e agradável. Na verdade, a minha auto-estima dependia de algo tão grosseiro quanto um assédio para manter-se bem porque era simplesmente esmagada de todos os lados. Levam as mulheres a crer que elas precisam da atenção e da aprovação de um homem, que seus corpos devem ser objetos de pura luxúria para que se mantenham orgulhosas e “poderosas”.

Assim são enfiados goela abaixo padrões femininos e cada vez mais somos cobertas de exigências. Quando enfim somos reconhecidas pelos homens a quem tanto devemos e precisamos, surge uma falsa sensação de êxito. Muitas mulheres enfrentam esse condicionamento e encaram o assédio como uma vantagem, mas ainda assim reconhecem que tem algo errado no processo. Pude conhecer e ter contato com diversas mulheres que hoje odeiam e repudiam essa prática, embora no passado tenham aceitado. Há ainda aquelas que, expostas a uma reflexão sobre o assunto, parecem despertar repentinamente para algo que nunca sentiram antes.

Podem insistir o quanto quiserem que existem algumas mulheres que gostam e pronto, mas apresento um FATO: Todas as mulheres alguma vez na vida já mudaram de calçada ao avistar uma reunião de homens. Todas já se sentiram humilhadas, constrangidas ou profundamente irritadas com um assédio, e a maioria tem uma bela história de horror pra contar, como maravilhosamente exposto no blog Escreva Lola Escreva. E mesmo que muitas mulheres supostamente aceitassem o assédio, ainda existiriam milhares de outras que detestam e possuem o direito de ficar em paz.

cantada

Um homem que assedia na rua não espera que a mulher sinta-se lisonjeada e vá ao seu encontro para uma noite de sexo, não espera sequer que ela lhe responda. Eles fazem isso porque simplesmente se acham no direito de fazê-lo, sentem prazer em constranger mulheres e objetificá-las, enfatizando o desequilíbrio das relações de poder. Quando estão em grupos, deliciam-se com o status másculo que recebem ao assediar uma mulher, já que estão protegidos e apoiados por suas corjas. Quando sós, sentem-se seguros da mesma forma, o que uma mulher poderia fazer a respeito?

Se ela usa um decote, eles logo julgam que está se oferecendo. Se em um dia quente de verão eu resolvo usar uma saia, estou colocando meu corpo em uma vitrine e me sujeitando ao julgamento de um bando de machinhos. A culpa não é da mulher e do seu corpo, a culpa é da ótica masculina que recorta nossos corpos em partes e sexualiza cada uma delas. Se não podemos sair às ruas com nossos corpos sem sofrer assédio, que porra de liberdade é essa afinal?

Os homens que assediam acham realmente que podem invadir nosso espaço e fazem de tudo para que possamos ouvir seus insultos. São protegidos culturalmente e sua atitude é legitimada pelo machismo. Quando confrontados, estão sempre prontos para negar o que fizeram, fazer deboches ou simplesmente agir com violência. Uma reação feminina nunca é esperada, é cômodo que elas permaneçam boas ouvintes submissas e envergonhadas.

A seguir alguns argumentos de homens, retirados de comentários do artigo sobre assédio nas ruas publicado no Mídia Independente, aqui, e de um documento encontrado na web comentando o mesmo artigo, disponível aqui:

Machista

“Não entendam mal, e o tesão como fica? Como animal do sexo masculino não posso deixar de olhar ou até mesmo desejar uma femea que eventualmente me chame a atenção, não foram poucas as vezes que senti desejo sexual ao ver uma bela mulher com um vestido ou uma saia bem sensual.”

Começamos por “animal do sexo masculino”. O cidadão se define praticamente a partir de argumentos biológicos de que homens são naturalmente vorazes sexualmente e não conseguem resistir. Como se realmente houvesse um comportamento “natural” no ser humano, e como se a construção social e história de opressão das mulheres, inclusive com a divisão do trabalho, não influenciassem o comportamento sexual que vemos hoje. Querem castrar a mulher de toda e qualquer virilidade, justificando o assédio através de uma suposta natureza masculina promíscua. Como somos selvagens e fiéis aos nossos instintos, não é mesmo?

O vestido e a saia são vistos como sensuais e provocantes, independente da vontade da mulher que está vestindo. Não teremos o direito de resignificar nossas vestes e expressões corporais enquanto existirem estereótipos prontos para qualquer coisa que usemos. O desejo sexual do cidadão é um problema exclusivamente dele, poderá sentir o que quiser desde que respeite a mulher como indivíduo e seu espaço. O que temos a ver com suas ereções? Não precisamos compartilhar dessa fantasia e muito menos ser comunicadas a respeito.

“Creio que a maior parte das mulheres se interessariam se fosse um cara rico numa Ferrari.”

Machismo pouco é bobagem. O estereótipo da mulher interesseira é mais uma das coisas que temos que suportar. Mulheres já foram usadas como verdadeiros mostruários ambulantes das riquezas de seus maridos, encerradas em suas casas compensando toda a frustração em bens materiais. Conquistaram o direito básico do acesso ao mercado de trabalho há pouquíssimo tempo, ainda ganham menos, sofrem assédio e raramente alcançam posições superiores. Enquanto disputam o acúmulo de capital em uma competição inteiramente masculina e desigual, não é de se surpreender que muitas ainda enxerguem no dinheiro e status uma compensação para seus problemas, ou mesmo para o homem rico que terão de aturar ao seu lado. Felizmente, a situação tende a melhorar e cada vez mais mulheres pagam suas contas e não dependem mais de riquinhos em Ferraris.

De qualquer forma, assédio não tem idade, classe social e cor, não são raras as vezes que o executivo babão é tão repugnante quanto o pedreiro da esquina em seu abuso verbal.

“Use a tal burca dos muculmanos, ai ninguem olhara nem desejara vcs. Mas oq ue vcs fazem no verao? Colocam uma mini blusa, um salto, pernas e barrigas de fora. E ai saem desfilando na rua. E querem o que?”

Queremos respeito, como já foi dito antes, fodam-se vocês e sua ótica machista nojenta. Temos o direito de andar nas ruas como bem entendermos sem sofrer qualquer violência ou abuso. A burka também não protege as muçulmanas da violência desse suposto “desejo”, são estupradas e molestadas da mesma forma, com vestes diferentes.

troll

“Se fosse por mulheres assim o mundo ja tinha sido extinto, nao procriariamos.”

Praticamente a máxima do machismo, parabéns para o indivíduo que escreveu isso. Exatamente, para muitos homens ABUSO é parte do sexo. Enxergam a posição submissa de uma mulher como critério para uma relação sexual bem sucedida. O cara simplesmente disse que sem assédio e abuso, as mulheres não fazem sexo e logo não procriamos. Além de ignorante, promove a heteronormatividade.

“Não temos maiores problemas na vida? Mulheres fortes nao se afetam por estas bobagens.”

Eu realmente não suporto essas pessoas que tentam fugir de uma discussão alegando que existem outros assuntos mais importantes. O que está em pauta são os direitos das mulheres, sou uma mulher e quero meus direitos, se alguém acha que existem coisas mais importantes, nunca perca seu tempo expondo uma opinião ridícula a respeito. O cidadão da frase parece achar que a “força” da mulher está em ignorar o assédio, fingir que nada aconteceu. Como dizem por aí, e estão certíssimos, “o seu silêncio não vai proteger você”.

“ Quando passa uma Ferrari eu digo que carrao. Quando vemos uma bela casa olhamos para ela. E isto ? ofensa?”

Perfeito, cara. Mostrou com belos efeitos comparativos o que as mulheres são na ótica masculina: objetos. Tente ofender uma casa ou uma Ferrari.

“Se nao quer chamar a atencao nao se produza, ou se produz para que?”

Se não quer ser assaltado, não saia de casa, oras. Mesmo que você goste de precise carregar sua carteira, é culpa sua que os assaltantes estão te atacando, assim como é culpa das mulheres quando são estupradas.

“Eu sou dos que olham uma mulher como um pedaco de carne, mas a primeira vista somos exatamente isto, um pedaco de carne muito bem enfeitado.”

É exatamente por isso que o feminismo é a noção de que as mulheres são pessoas. Sou um indivíduo, queiram os homens ou não, e terão que me respeitar. Pedaços de carne, exatamente como são tratados os animais de abate, resumidos a um objeto de consumo com suas vidas totalmente desprezadas.

“Eu como homem de vez em quando sou elogiado, nao me sinto ofendido, faz parte da vida. Mesmo que seja uma macaca.”

Fiquei em dúvida se o termo “macaca” faz referência a uma primata ou se foi algum tipo de insulto racista medíocre. No caso deste cidadão, eu arriscaria na segunda hipótese. Quantos homens sofrem assédio e abuso verbal nas ruas, e quantos deles realmente se sentiriam ofendidos nessa situação? É como um branco dizer que é melhor que um negro e depois um negro dizer que é melhor que um branco, dá pra sentir uma diferença gritante? Sim, a posição inferiorizada da mulher é decisiva para definição das relações de poder, um homem “assediado” jamais levaria a sério ou sequer ficaria constrangido. Engraçado também como o rapaz insiste na palavra “elogiar”, considerando o assédio uma atitude positiva e de admiração.

chuck

“Eu sou homem, mas morro de medo de assalto e de outros problemas”

Enquanto você teme um assalto, eu tenho que temer pela minha integridade física e moral só porque sou mulher.

“Vc esta se colocando numa situação péssima”

Até NISSO as mulheres são culpadas, por se incomodarem com o assédio e sentirem a repressão elas são culpadas e têm que resolver isso. Os homens NUNCA têm culpa de nada que fazem. Eu me coloquei nessa situação, de repente eu inventei que ser chamada de “gostosa” e ouvir um neandertal dizer que “quer ser pai dos meus filhos” depois de sussurrar “delícia” é uma forma de abuso, quando na verdade são homens bem intencionados seguindo sua cartilha de testosterona para inocentemente agradar as mulheres.

A resistência masculina às ideias feministas é óbvia e previsível, assim como seus ataques baratos e esperneios infantis. Quando se sentem ameaçados já começam a dizer que eu não tenho senso de humor, que sou mal-amada, preciso de uma rola, qualquer tentativa infeliz de insulto. Pior, começam a tentar esconder a situação, dizem que é exagero e procuram tapar o sol com a peneira.

Afinal, vejam que maravilhoso, conquistamos o direito ao voto e ao mercado de trabalho, enquanto a maioria de políticos ainda é masculina e a competitividade do business coloca homens sobre as mulheres. Também conquistamos o direito de foder quem quisermos, mais que isso, ganhamos um bombardeio de incentivos para aumentar nossa disponibilidade sexual e glorificar a penetração. Ao invés de queimar nossos sutiãs, estamos os recheando, às vezes através da mutilação deliberada.

Como bônus, ganhamos o assédio nas ruas e o abuso verbal, cuja violência aos poucos está sendo reconhecida pelas mulheres.

Temos que nos virar para encontrar meios de lutar, uma mulher não conta com proteção legal e o abuso verbal sofrido dificilmente é enquadrado em danos morais, imagine em assédio sexual. Policiais podem no máximo rir da sua cara.

Como já mencionado antes, o nosso silêncio não irá nos proteger. Portanto, a solução que parece mais viável no momento é resistir. Disseminar a ideia e organizar mulheres é importante, mas também é preciso reagir de imediato.

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Não, não deixe que eles o façam. Quando for assediada, conteste, resista, grite, acreditem em mim, a maioria dos homens fica sem reação porque nunca esperam que a mulher tenha a coragem de enfrentá-los.   Claro, considere se está em um local arriscado ou não. A possibilidade do cara que mexeu com você ser um psicopata armado que vai te estourar em público é quase nula, e lembre-se que a cultura do MEDO tem sido induzida nas mulheres e que há uma razão para isto.

A mulher amedrontada se torna vulnerável e é um alvo em potencial, não reage e suporta calada as mais diversas agressões. Não somos frágeis, tampouco covardes. Somos mulheres e não precisamos nos sujeitar a abusos masculinos por receio ou medo, as estatísticas demonstram que homens estão mais propensos a ter uma morte violenta do que as mulheres, mas nós é que somos educadas para temer tudo e todos.

Boa

Superado o complexo de vulnerabilidade imposto, resta criar seu discurso e reagir quando necessário. O importante é nunca ficar em silêncio, fingir que não ouviu o assédio e não sentir-se intimidada, afinal são apenas homens. Na sequência uma breve lista de dicas para você, mulher, que se sente ofendida e constrangida, reagir ao assédio:

– Tudo o que o cara não espera é que você reaja, lembre-se disso, você tem praticamente um elemento surpresa.
– Quando passarem por você sussurando obscenidades, pare, vire-se e grite algo como “Você falou comigo?”. Ele vai tomar um susto e dizer que não.
– Se o elemento estiver parado no caminho e começar a te medir, passe encarando-o firme e com o pensamento fixo “fala alguma coisa pra você ver”. Quase nunca ousam.
– Quando disserem um desaforo pra você em alto e bom tom, e costumam fazê-lo em grupo, pare, vire-se e diga no mesmo tom o que tiver vontade. Discuta, se necessário, lembre-se que são apenas homens e eles te xingaram sem motivo, use isso ao seu favor. Normalmente o discurso “e se fosse sua mãe ou irmã”, algo sobre respeito e uma boa tirada funcionam bem, o grupo ri do indivíduo e no máximo te acusam de estar nervosinha.
– Para caras de carro, a regra é fazer gestos pouco amigáveis.
– Se ousarem te tocar, pegar no seu braço, cabelo, ou qualquer coisa, a ordem é fazer um escândalo fenomenal. Se tiver confiança suficiente, um pouco de técnica e nenhum medo de trocar uns socos, parta pra agressão (pouco recomendável).
– NUNCA se encolha, fique envergonhada, faça carinha de brava, saia andando depressa, finja que não ouviu ou dê risada.
– Se comentarem sobre seu corpo ou roupa, revide dizendo que não comentou sobre o corpo do indivíduo e que ele não tem esse direito. Parece engraçado, mas muito pedem desculpas ou ficam sem graça.
– O elemento surpresa aliado a um berro repentino costumam dar um bom susto no machinho e render boas risadas para todos em volta. Humilhe-o sempre que puder.
– Lembre-se: Uma mulher reclamando de assédio é defendida pelas pessoas em volta na esmagadora maioria das vezes, aprenda a usar uma das poucas vantagens que o papel de vítima lhe trouxe ao seu favor enquanto for preciso.
– Esta não é nada ética, mas sinceramente quando estou de saco cheio esvazio o estoque de palavrões e aproveito os efeitos terapêuticos.

Essas dicas são bem pessoais e são baseadas nas minhas experiências como cidadã de São Paulo moradora da Zona Leste, considerada “branca” e de classe média. Importante ressaltar que a eficácia das recomendações está sujeita à milhares de circunstâncias e podem expor a mulher a alto risco dependendo do local e pessoas envolvidas. Saiba onde fazer, o que fazer, quando fazer e como fazer, e não fique intimidada sem necessidade.

O assédio nas ruas é um ótimo indicativo da situação da mulher, especialmente no Brasil. Nós não podemos aceitar essa liberdade pela metade.

Resista por você e por todas as mulheres.

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  1. #1 por Lola em 30/07/2009 - 12:26

    Cely, excelente post. Acho que nunca tinha entrado no seu blog, nem ouvido falar (se eu já vim aqui, mil perdões. Tenho péssima memória e entro em montes de blogs). Gostei muito. Espero que vc participe dos próximos concursos de blogueiras que eu comecei a promover para que seu blog possa ter a divulgação que merece. Abração!

  2. #2 por Camila em 30/07/2009 - 20:07

    Eu já disse que adoro seu blog e seu feminismo verdadeiramente militante??
    Então, eu adoro seu blog!
    E acho que precisamos mais desta militância!!!

  3. #3 por Carol em 03/08/2009 - 15:02

    Excelente post, Cely!
    É isso mesmo: quer ver um cara arregalar os olhos e tremer os joelhinhos? Revide uma “cantada” ou um “elogio”.
    Mas vou confessar que acho um desgaste ter que sair na rua armada para um combate, prestando muita atenção ao “som ambiente” para ver se tem alguma bobagem dita dirigida a mim. Ultimamente tenho mais me desligado disso, sem ouvir (mesmo) o que os caras falam, e sem saber se falaram para mim ou o que. Mas outra dica: uma pose auto-confiante, despreocupada e de quem tem coisa mais interessante na vida para fazer do que se preocupar com os homens evita esse tipo de asségio. Auto-confiança é vacina contra qualquer machão! Eles se borram de medo.

  4. #4 por Peri em 13/08/2009 - 16:10

    A mulher deve mesmo reagir, deve ser corajosa e lutar por uma posição de equivalência na sociedade. Mas acontece que há uma passagem femista (e não feminista) no texto:

    “O importante é nunca ficar em silêncio, fingir que não ouviu o assédio e não sentir-se intimidada, afinal são apenas homens. ”

    Apenas homens? Isso é um insulto ao gênero masculino…

    • #5 por whothehelliscely em 22/10/2009 - 12:53

      Olá Peri,

      A intenção da passagem não foi de maneira alguma insultar o sexo masculino, eu quis apenas demonstrar que o homem não possui uma superioridade “natural” que possa intimidar as mulheres, e quando coloquei a palavra “apenas” pensei num sentido de “eles são apenas homens, pessoas como você”.

      Abs

  5. #6 por Raiza em 20/08/2009 - 23:08

    Adorei o post.Acho até que vou imprimir as dicas.Infelizmente eu não tenho visto essa maior conscientização por parte das mulhere sobre a violência do assédio verbal.Conheço várias que acham graça,contam as estórias de abuso como se fossem coisas legais,se envaidecem (minha mãe é uma delas ¬¬)…Enfim…
    Eu sempre me emputeci com isso,mas nunca respondi exatamente por que como você disse,sempre me ensinaram a ter medo de tudo e todos.Vou treinar pra,a partir de agora ter mais presença de espírito e responder as agressões à altura.
    Obs: Te linkei no meu blog,espero que não se incomode =]

    • #7 por whothehelliscely em 21/08/2009 - 12:25

      Oi Raiza, obrigada pelo comentário e pelo link :]

      Sim, eu sei que muitas mulheres ainda acham graça no assédio, mas acredito que seja exatamente porque não conhecem muitos meios de fortalecer a auto-estima e acabam dependentes da opinião masculina, mesmo que de forma grosseira.

      Beijos

  6. #8 por Blue Berry em 05/10/2009 - 16:15

    Esse é o segundo post que eu leio nesse blog,e apesar de eu ser um garoto(15 anos.’-‘) ja fico assustado da forma que tratam as mulheres,e sei que não é des de hoje,quando é abordado um assunto como este nas aulas de historia,meu coração chega a queimar de raiva.A muito tempo fico esperando uma “revolução”feminista,que parecia não acontecer,até agora.
    Voltando ao assunto,esse tipo de abuso não é só comun na vida real,em propagandas de televisão,o que me deixa mais puto.’-‘

    • #9 por whothehelliscely em 07/10/2009 - 13:52

      Olá,

      Se essa for realmente sua identidade gostaria de conversar com você, muito interessante e animador ler este comentário.

      Abs

  7. #10 por Isolda em 04/11/2009 - 11:10

    o que o texto descreve não é nada mais nada menos do quea consequência da pornografia: ver as mulheres como objetos sexuais,se achar no direito de assediálas e até de violentá-las…será que pornografia deve mesmo ser “entendida” como muitos alegam? Só nós mulheres vivenciamos os efeitos diretos e indiretos desta na pela,não me admiro de ver que quem maias a defende são homens….solução só mesmo cortando o mal pela raiz.Enquanto amídia legitimar o “predadorismo sexual” do homem,sempre vai existir tal comportamento.Como Blue berry acima colocou,.tem que ter uma revolução feminista forte e sem medo de atacar os homens praticantes de machismo para que realemnte haja mudanças!

  8. #11 por jose figueiredo em 20/02/2010 - 16:53

    vc prescisa de um tratamento urgente minha filha.vc só sera curada dessa neura com remedios seu caso é serio. experimenta um dia na sua vida sair a rua sem estes pensamentos neuroticos. vc simplesmente vai se sentir mais uma na multidao. vc se entregou quando diz: me sintooo como um soldado ao sair na rua.

    • #12 por whothehelliscely em 22/02/2010 - 2:31

      Oi trollzinho, quem precisa de remédio são as pessoas que querem abusar das outras. E é justamente quando meus pensamentos estão mais distantes que surge um mal-intencionado como você no meu caminho pra dizer algo que eu não solicitei, na tentativa de me humilhar. Bem, esperneie o quanto quiser, continuarei denunciando suas práticas ;]

  9. #13 por Bianca Luna em 21/03/2010 - 18:08

    Ola! Tenho 22 anos, e desde pequena, quase sempre reajo ao assedio. Atribuo isso tanto a minha personalidade qnt a minha criacao. Minha mae eh uma mulher muito segura, muito guerreira, e sempre me orientou a reagir. Sei que as vezes estou ate me arriscando, mas sou agressiva mesmo, e jah cheguei ate a bater, mais de uma vez, no agressor. A primeira que me lembro, foi na escola, com apenas 9 anos. Bati no menino da mesma idade ate alguem separar. Fui levada a diretoria, e nao me intimidei, relatei o que me fez agir daquele jeito. O diretor me deu razao. A ultima, numa balada, um cara loiro, olhos claros e pinta de boy veio abordar a mim e uma amiga, que usava um vestido muito sensual. Nao fui grossa, apenas pedi pra ele nao atrapalhar, pq eu e minha amiga estavamos com um problema. Ele foi embora, mas voltou logo em seguida, pos a mao no ombro da minha amiga e desferiu: “vc com esse vestido, EH UMA PUTA!” ficamos tao supresas q nem reagimos, e como realmente estavamos ocupadas com outra coisa, deixamos pra la. Mas ele voltou! Nao me lembro exatamente como foi, acho que a adrenalina atrapalhou que eu gravasse na memoria, mas dessa vez, ele veio encostando em mim tambem. Subito, instintivamente, reagi. Desferi varios tapas e socos na cara do rapaz, que ficou tao surpreso e atordoado que mal conseguiu se proteger, e saiu correndo. Voltou pra debater e provavelemnte revidar, mas tinha dois segurancas por perto, entao ele veio, ofendidissimo: “voce eh louca? vc eh louca, olha o que vc fez comigo!” e eu: “louco eh vc, ninguem aqui mexeu contigo ou com alguem que estivesse com vc, que direito vc tem de vir mexer comigo e achar que nao posso reagir?” dai ele foi levado embora por uma amiga. Na msm semana, evitei um assalto tb com essa postura. Dois caras vinham na rua, um abordou minha amiga, outro me abordou. Sei que nao eh recomendado reagir, mas nao foi tao arriscado, meu agressor estava sem camisa, numa bicicleta, tinha as maos ocupadas com o guidao e eu vi que ele nao estava armado. Encarei o de frente, e aos berros, dizia: “oqqq vagabundo, vindo me assaltar, ta louco, vagabundo, jah te vi por aqui antes, vaza daqui maluco!” Mesma reacao: olhos arregalados, surpresa e fuga. [Ps.: jah escrevi muito, mas tenho muito mais historias pra contar. Sei que pode ter soado exagerado, loucura e tal, mas eu nao tolero, nao admito ser violentada de tantas formas, com tanta frequencia, e nao reagir. Tenho meus motivos pra ser assim. Nunca mexo com ninguem, mas se mexem comigo, vou reagir.]Eu reajo, eu luto, e se morrer, vou morrer gritando.

    • #14 por whothehelliscely em 25/03/2010 - 21:25

      Lindo Bianca! Você é um grande exemplo para muitas mulheres :]

      Penso como você, se for pra morrer..morro gritando e lutando!

      Adorei as histórias, compartilhe mais com a gente se puder!

      Me add no msn se puder > cely_bandolero@hotmail.com

      Beijão!

  10. #15 por letícia em 27/03/2010 - 14:59

    Oi, estou escrevendo muito emocionada. Acabei de ter um briga terrível na rua com 6 homens que ficam todos os finais de semana na rua embaixo da minha janela assediando as mulheres. Hoje fui com uma amiga a um ponto de ônibus e na ida, os clássicos fiu fius e psius. Pedi respeito e o cara mandou e me fu***. Na volta tudo voltou a se repetir. Fiquei muito nervosa e me aproximei gritando e um deles começou a rir e mandar bjinhos me perguntando pq eu estava tão nervosa. Não aguentei e joguei minha chave nele. Ele pegou a chave e usou isso pra me prender na situação e falar mais insultos. Saí, fui até a padaria e liguei para a polícia. Isso foi a mais de uma hora atraz. A polícia nunca apareceu. Busquei alguma lei que me protegesse e me apoiasse quanto a essa situação em específico. Não encontrei. Agora eu me sinto só, humilhada, desprotegida e com vergonha de descer as escadas pra sair de casa pq sei que vou ter que passar por aquele grupo todos os dias. Eles vão me insultar e eu não posso fazer mais nada, pq a não há legislação que me proteja. Tenho certeza que nunca me sentí tão mulher antes.

    • #16 por whothehelliscely em 30/03/2010 - 23:24

      Letícia, querida..meu coração fica apertado só de imaginar que você enfrentou isso, e de saber que eu também já passei por isso tantas vezes. É uma sensação de impotência, não é mesmo? Não existe qualquer lei para nos proteger, simplesmente o silêncio e consentimento de toda a sociedade. É um crime sim, uma grande violência aceita culturalmente e incentivada todos os dias.

      Eu poderia sugerir muitas coisas pra você, mas nenhuma delas seria fácil. Como você foi profundamente ferida e insultada na situação, e com certeza de sentiu muito acuada, creio que você mesma não deva voltar a confrontar esses seres repugnantes, é muito desgaste. Se fosse eu, sinceramente, recrutaria um grupo de amigos para confrontar os caras, como última saída de todas. Ou, embora não pareça muito confortante, usar um belo par de fones de ouvido internos com músicas do seu gosto podem simplesmente te isolar da existência dos nojentos…é minha opção nos dias de frustração.

      Escreva, converse sobre o assunto, especialmente com mulheres de sua confiança…a única forma de combater a violência do macho é se unindo com aquelas que compartilham do nosso sofrimento. Se eu pudesse, juro, te daria a mão e desceria essas escadas, e juntas confrontaríamos esses monstros!

      Força, irmã

      Beijos

  11. #17 por Chris em 22/09/2010 - 17:35

    Muito interessante seu post, há algum tempo fiz um post sobre esse assunto também, que muito me incomoda.
    Espero que esse sofrimento acabe logo.
    Espero poder sair na rua em paz…

  1. Reaja ou/e morra? « Matou uma joaninha e saiu pra dar um mergulho.
  2. Sobre o assédio nas ruas. « Matou uma joaninha e saiu pra dar um mergulho.

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