Resposta ao comentário do além

Post dedicado à réplica do comentário que recebi no meu About do Blog.

O COMENTÁRIO

Você é inteligente, mas comete algumas contradições bem grotescas.

Como alguém se intitula protetora de animais, não fuma, não bebe, entretanto é favorável ao aborto?

A única diferença entre você e um feto é tempo, afinal todos nós um  dia fomos fetos. Qual é a escolha que esse feto tem em relação a sua morte? Ou você acha simplesmente que um punhadinho de células não pensa e nunca pensará?

Dê pelo menos uns dez anos para que ele te responda ou pense que tipo de vida uma mulher vai ter quando ela mesma tira a vida do seu filho.

Sem moralismos, é apenas encarar um fato com todas as suas implicações.

O fato de sermos mulheres ou homens, não é caráter decisório para alguém ser bom ou mal, afinal em ambos os sexos existem pessoas boas e más.

Sinceramente, por que em vez de enfiar uma teoria que deixa as características humanas esteriotipadas em gênero masculino ou feminino, você não tenta pegar o que realmente é determinante para que as pessoas se comportem de maneira boa ou ruim?

Existem bons livros de filosofia para isso, comece com a filosofia clássica como Aristóteles ou Platão.

Essas teorias modernas de genêros só servem para simplificar as coisas, quando na verdade do mundo é bem mais complexo do que realmente aparenta.

Acima de homem e mulheres, somos humanos, e por mais que algumas características influam em nosso comportamento não explicam toda a miséria e nem toda a graça que coexistem em nossa existência.

Desculpe-me pela intromissão, mas acho que sua inteligência não deveria ser desperdiçada nessas bobagens.

A RESPOSTA

Bom, primeiramente eu prefiro quando as pessoas se identificam ao discutir, quando leio um comentário anônimo sinto uma conotação agressiva, como se o indivíduo por trás da idéia tivesse receio de dialogar e procurasse um tom de mistério, uma mensagem sem emissor. Mas enfim…

Como alguém se intitula protetora de animais, não fuma, não bebe, entretanto é favorável ao aborto?

Eu não apóio o ato de abortar, eu apóio a legalização do aborto. Não entendo porque é tão complicado separar essas duas posturas, mas acho que o mais importante é ressaltar que para mim o aborto é prejudicial tanto à mulher quanto ao feto, mas eu simplesmente acredito que criminalizar NÃO é a solução. Quem defende a criminalização ignora que os abortos continuam ocorrendo da mesma forma, com a única diferença de que nas classes altas eles são seguros e nas classes baixas muitas vezes terminam na morte da mulher. Ignora também toda a questão feminina, esquece-se de que o pai escolhe se vai ser pai, enquanto a mãe é condenada à maternidade, esquece-se de que milhões de mulheres ainda não têm direito à informação, à sexualidade sadia e aos métodos contraceptivos adequados. Nunca vi uma vez sequer um “Pro-Life” questionando quais os motivos de uma mulher para abortar, parecem estar convictos de que mulheres querem e gostam do aborto, ou simplesmente querem fugir de uma responsabilidade, fazem questão de demonizar as mulheres e desconsiderar suas condições.

E lutar pelos direitos animais não tem relação alguma com políticas de criminalização do aborto, ou você realmente acha que funcionaria uma política de criminalização da carne?

O aborto é um procedimento altamente invasivo, um estupro do corpo feminino, um ato que provoca seqüelas físicas e principalmente psicológicas. Legalização do procedimento significa mais informação sobre o mesmo, possibilidade de controle estatístico preciso do aborto, identificação das razões, maior preocupação com políticas de educação sexual e acesso a métodos contraceptivos, e principalmente milhares de vidas de mulheres salvas. O curioso é que os países onde o aborto é crime são justamente aqueles em que o aborto mais MATA, tanto os fetos quanto as mulheres que se arriscaram no ato clandestino (Pesquisas do Instituto Guttmacher ).

mapa do aborto

A única diferença entre você e um feto é tempo, afinal todos nós um dia fomos fetos. Qual é a escolha que esse feto tem em relação a sua morte? Ou você acha simplesmente que um punhadinho de células não pensa e nunca pensará?

Se a questão é a crença pessoal de que a formação da vida não deve ser interrompida, não deveríamos nem usar métodos anticoncepcionais. Já que o amontoado de células mesmo antes de possuir SNC já é considerado uma fase essencial de uma vida com pensamentos, emoções e escolhas, logo a fertilização também deveria ser uma etapa sagrada que exige profundo respeito. E pessoalmente, acho que o punhado de células antes do desenvolvimento do SNC não pensa não, claro que ele viria a pensar após o nascimento, mas aí já são questões religiosas, o meu foco na questão do aborto é política, afinal a minha opinião influenciará a vida de milhões de pessoas.

Dê pelo menos uns dez anos para que ele te responda ou pense que tipo de vida uma mulher vai ter quando ela mesma tira a vida do seu filho.

Eu não faria um aborto, então não preciso pensar no meu feto dez anos depois escolhendo se queria nascer ou não, deixo isso para as mulheres que optaram pela interrupção. Como já disse antes, acredito sim que haja conseqüências psicológicas pós-aborto, e que elas poderão ser discutidas mais abertamente e expostas com precisão no momento de decisão da mulher que teve uma gravidez indesejada. Lembrando que o “filho” não é apenas da mulher, é do homem responsável também, mesmo que a conduta Pro-Life não o castigue como tal.

Sem moralismos, é apenas encarar um fato com todas as suas implicações.

Eu já considerei todas as implicações com as quais tive contato para formar esse posicionamento, mas sempre aceito novos questionamentos.

O fato de sermos mulheres ou homens, não é caráter decisório para alguém ser bom ou mal, afinal em ambos os sexos existem pessoas boas e más.


A questão não é moral de indivíduos, nunca disse que mulheres são boazinhas e homens são malvados, eu digo que as mulheres sofrem opressão dos homens, e a opressão tem caráter negativo.

Sinceramente, por que em vez de enfiar uma teoria que deixa as características humanas esteriotipadas em gênero masculino ou feminino, você não tenta pegar o que realmente é determinante para que as pessoas se comportem de maneira boa ou ruim?

O estereótipo de gêneros é obra do patriarcado, gêneros não são puramente biológicos, ou seja, seu pênis não faz seu gênero masculino. É justamente contra esses estereótipos que eu estou lutando, o gênero masculino não determina maldade, assim como o gênero feminino não determina feminilidade, fragilidade, sujeição, futilidade, etc.

Já disse que os homens também são vítimas da construção do gênero masculino, com a diferença essencial de que a cartilha masculinista é focada na dominação sobre o gênero feminino, ou seja, a maioria se acomoda confortavelmente no próprio estereótipo.

Infelizmente esses estereótipos são poderosíssimos, não entendo como você não consegue enxergar como a construção de gênero é determinante no comportamento! Como um homem machista, competitivo, dominador e sexualmente agressivo pode se comportar de uma maneira “boa”? Como uma mulher que tem seu corpo mercantilizado, sofre discriminação e abuso, é subjulgada pelo poder do macho e tem suas escolhas controladas pela indústria cultural pode estar se comportando de uma maneira “boa” ou “adequada”? A solução para você então é ignorar completamente a desigualdade dos sexos ao longo da História e transformar em uma unidade humana de iguais sentimentos, desejos e condições, e assim estudaremos os determinantes da moral dessa massa disforme? Não consigo conceber essa idéia de forma alguma.

Existem bons livros de filosofia para isso, comece com a filosofia clássica como Aristóteles ou Platão.

“As mulheres são limitadas por natureza.
(…) A mulher é como se fosse um macho estéril.”
Aristóteles, 384-322 a.C., filósofo grego, Política

“No que respeita aos animais, o macho é por natureza superior e dominador e a fêmea inferior e dominada. E o mesmo deve necessariamente aplicar-se ao mundo humano.”Aristóteles, 384-322 a.C., filósofo grego, Política

“A coragem do homem revela-se no comando, e a da mulher na obediência.” Aristóteles, 384-322 a.C., filósofo grego, Generation of Animals

Mera coincidência?

Talvez o fato de Platão ter declarado que as piores reencarnações possíveis são as de mulheres e escravos, e que a reencarnação perfeita é a de um homem branco também nos diga algo. Reflexo da sociedade grega? Pois é, reflexo que chega até os dias de hoje incrustado no gênero. De forma alguma eu nego a importância da Filosofia para a interpretação e transformação do mundo, mas negar o papel das teorias feministas que tratam dos gêneros nesse processo é tratar o assunto com ignorância e preconceito.

Essas teorias modernas de genêros só servem para simplificar as coisas, quando na verdade do mundo é bem mais complexo do que realmente aparenta.

Acima de homem e mulheres, somos humanos, e por mais que algumas características influam em nosso comportamento não explicam toda a miséria e nem toda a graça que coexistem em nossa existência.

É claro que as questões morais e éticas são absolutamente complexas, e a teoria de gêneros ao contrário do que você pensa não simplifica as relações, é uma parte não menos complexa delas. Conforme eu for expondo meus pensamentos neste espaço não me limitarei a discutir feminismo, tenho milhares de temas para explorar, considerações sobre situações e teorias diversas, embora você não pareça entender como as questões femininas serão abrangentes na maioria dos casos. Elas fazem parte da minha realidade, do meu dia-a-dia, não estão apenas na imaginação de umas poucas mulheres que ousaram contestar sua condição, lembre-se que eu terei sempre exemplos próximos e reais do que estou expondo aqui. Gostaria de poder dizer que acima de mulher sou humana, mas infelizmente parece que minha condição feminina busca me classificar como inferior a um indivíduo, não só a mim como a todas as outras mulheres. Quando pudermos afirmar que as mulheres enfim são tão indivíduos quanto os homens, livres da construção do gênero, talvez possamos legitimar o estudo geral da “miséria e graça” da nossa existência.

Desculpe-me pela intromissão, mas acho que sua inteligência não deveria ser desperdiçada nessas bobagens.

Você peca em determinar minhas convicções como bobagens e afirmar que estou desperdiçando “inteligência”, além de ser um tanto quanto hostil não parece compreendê-las ou mesmo se esforçar para tal.  Talvez você mesmo devesse dar uma chance às reflexões propostas no meu blog, mesmo que seja para refutá-las anonimamente, ao menos leia com a devida atenção.

Leituras recomendadas:

A mulher eunuco – Germaine Greer

A mulher inteira – Germaine Greer

A sujeição das mulheres – John Stuart

O Segundo Sexo – Simone de Beauvoir

Memórias da Transgressão – Gloria Steinem

PS: Se o anônimo desejar, poderá me indicar uma obra em especial de um filósofo que prometa anular ou diminuir o papel das “teorias modernas do gênero” e questões de libertação da mulher na existência e organização humana, farei questão de ler e comentar devidamente.

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  1. #1 por Michel Amary Neto em 15/05/2009 - 16:25

    Pelo menos o anônimo percebeu que você é inteligente. Tem besta pra tudo né?

    Concordo em gênero, número e grau com praticamente tudo que argumentou. Só a questão dos filósofos gregos que há um porém.
    Devemos ter em mente o contexto histórico em que estavam inseridos. Por volta de 500ac à 400 a.c. a “Grécia” era uma região descentralizada, onde apareciam as primeiras Cidades-Estados. Foi um grande avanço de ordem política e cultural (Atenas) e militar (Esparta) embora estruturamente a sociedade estuvesse apoiada em um sistema patriarcal e escravista. As mulheres tinham o papel social ofuscado e os escravos eram povos colonizados pelos gregos.

    Sobre Aristóteles, a questão da mulher como outros pontos da filosofia aristotélica é falha. O contexto histórico e a lógica social implantada na época talves justifiquem o pensamento do autor, embora estivesse equivocado (devemos lembrar que a antiguidade clássica é o periodo anterior a pré história, o homem esta engatinhando para um desenvolvimento social). Aristóteles via a mulher de forma submissa e considerava também a politica de forma patriarcal, isso infelizmente repercutiu por muitos séculos, e tem influencia até hoje, devido sua capacidade de persuação e influência política.

    Não sou advogado de Aristoteles até porque discordo dele nesse quesito da igualdade entre generos, mas sobre Platão considero uma interpretação errada. Platão buscava igualdade em todos os aspectos, foi um dos primeiros homens a adotar e defender o vegetarianismo e a relação de liberdade animal, e segundo sua obra tinha uma visão “positiva” em relaçao a mulher. Embora, Platão tenha sido mestre de Aristóteles, suas visões eram discordantes. No “Banquete” Sócrates é diretamente influenciado por Diotimia. Na “Republica” (seu grande legado) o genero feminino é colocado com a mesma capacidade de ascensão dos genero masculino na Politéia (assembléias das cidades estados), podem inclusive realizar as mesmas tarefas e ocupar mesmos cargos. Quando cita Platão, devemos interpretar como uma sátira, uma ironia à sociedade em que vivia (lembrando que sua dialética é sempre muito indireta). Nascer “mulher” ou escravo era nascer no inferno graças as estruturas patriarcais, no pensamento “belo” do grego voce só teria chance sendo uma homem branco de castas. Considero a citação mais a constatação de um fato da epóca com tom de crítica do que uma defesa e aceitação do patriarcado.

    É importante perceber também é que devemos evitar os anacronismos. Por isso o contexto histórico é importante, analisar uma época com valores de outra, isso é, tentar entender um autor segundo a moral atual é um erro crucial nas ciencias humanas.

    Continue escrevendo muito e defendendo seus pontos de vista Cely !!

    Parabéns, beijão!

    • #2 por Diana em 04/07/2010 - 3:02

      Acho que você quis dizer que a Antiguidade Clássica é o período imediatamente posterior à pré-história; ou que é anterior à Idade Média.

  2. #3 por Deborah Sá em 20/05/2009 - 12:34

    Concordo com tudo. E sou pró-choice. Se os homens engravidassem o aborto seria sagrado 😉

    Tudo deles ganhar caráter de força. O fálico é o exemplo mais claro disso. Agora tudo que vem da mulher é sujo ou mesmo invisível. A secreção da excitação da mulher mesmo, não tem nome.
    Do homem é porra e o da mulher?

  3. #4 por pedro keppler em 26/05/2009 - 17:18

    eu sou pró-aborto. meu sonho é fazer um churrasco de bebê. bem suave, só no sal grosso. bavaria para acompanhar.

  4. #5 por Maurício em 22/08/2009 - 14:21

    Interessante ver que vc defende o dia em que as mulheres possam viver em pé de igualdade com os homens……gostaria de ver esse tipo de idéia divulgada nos meios jurídicos para acabar com as pensões judicias que mutas “mulheres” acham que tem direito…minha ex é uma delas….rssssss.

    • #6 por whothehelliscely em 26/08/2009 - 11:49

      Porque sua ex quer pensão? Ela tem alguma limitação para o trabalho, filhos, um salário injusto ou problemas relacionados?

  5. #7 por Luciano em 10/02/2010 - 21:40

    Lógica:
    1) “Eu não apóio o ato de abortar, eu apóio a legalização do aborto.” Héin?!?
    2) “Quem defende a criminalização ignora que os abortos continuam ocorrendo da mesma forma…” Que tal, então, legalizarmos os estupros e a corrupção, já que, legalizando ou não, também irão continuar ocorrendo da mesma forma?
    3)”o pai escolhe se vai ser pai, enquanto a mãe é condenada à maternidade”. Feminismo (usando a palavra com a mesma conotação em que você usa “machismo”) puro. Em um texto no qual você defende a legalização do aborto, é óbvio que o pai é quem não tem direito algum de escolha, você está defendendo o direito da mulher, e tão somente dela, decidir se deixará ou não a criança nascer. A mulher é quem mais tem opções quando está grávida: pode ter o filho e colocar o pai no “pau”; pode ter o filho e entregá-lo à adoção; pode ter o filho e entregá-lo ao próprio pai (eu criaria um filho sozinho e com muita alegria); e pode abortar. Quem carece de opções, na sua lógica, é o homem (e o bebê). Acho que você está se confundindo.
    4) “milhões de mulheres ainda não têm direito à informação, à sexualidade sadia e aos métodos contraceptivos adequados” Hipocrisia. Quem trepa sabe muito bem o que acontece se gozar (ou deixar gozar) dentro, ou não? Quem não conhece camisinha no Brasil? Porra… é foda, viu: “Engravidei, eu não sabia desse negócio de “píula” anti o quê, mesmo? Ah, mas Cytotec eu conheço, sei como escreve e sei onde vende”.
    5) “Nunca vi uma vez sequer um “Pro-Life” questionando quais os motivos de uma mulher para abortar”. Nem verá. Simplesmente porque eles são exatamente isso, Pro-Life, e para eles não há justificativa, motivo ou razão para se tirar a vida de uma criança. Eu, particularmente, acredito que casos de anencefalia e de gravidezes que coloquem em risco a vida da mulher podem, sim, justificar o aborto. “E em caso de estupro?”. Não. Há opções, como a entrega à adoção. A criança não tem culpa do pai (ou dos pais) que tem.
    6)” e principalmente milhares de vidas de mulheres salvas.” Faça um esforço e descubra quantas vidas de mulheres foram perdidas no Brasil por conta de abortos mal-sucedidos. Garanto que você irá se surpreender com a quantidade. Peraí, deixa eu fazer as contas para você e vou pegar os dados de gente totalmente a favor da legalização do aborto e do “direito sobre seus corpos” (http://psolsp.org.br/?p=2909). No Brasil, entre 2002 e 2005 (quatro anos, portanto) morreram 697 mulheres por conta de abortos mal feitos. Dá uma média de 174,25 mulheres por ano. Em 2005 foram realizados, 1.054.243 (deixe-me escrever: um milhão, cinquenta e quatro mil, duzentos e quarenta e três abortos… registrados). Bom, faça uma regra de três simples. A mãe tem 99,98347155257374% de chance de sobreviver a um aborto (ou tentativa). O bebê, obviamente, tem 0%. Minto, às vezes a mãe tenta e não consegue “tirar” o infeliz e ele acaba nascendo retardado ou sem um braço, uma perna… mas, quem liga? Para isso não há estatísticas, já procurei.
    7) “Se a questão é a crença pessoal de que a formação da vida não deve ser interrompida, não deveríamos nem usar métodos anticoncepcionais.” Você distorceu o comentário do rapaz anônimo. Ele, obviamente, se refere à vida já concebida, só não soube expressar isso claramente. Penso, veja que eu não disse “acho”, que ele tenha querido dizer por “feto” isso aqui (http://pt.wikipedia.org/wiki/Feto) e por “punhadinho de células” o embrião. Você simplificou a resposta dele para facilitar a sua, logo a sua resposta é que é irrelevante e baseada em preconceitos e chacota. Outra coisa, se você acredita que a vida começa com o SNC, então você defende a criminalização do aborto a partir da quinta semana de gravidez, que é quando o SNC começa a se desenvolver? Ou você não defende essa “quantidade” de vida? Que quantidade de vida você defende? A partir de quando um embrião ou feto ou pessoa tem direito à vida e ao seu próprio corpo? Veja, não estou brincando, seu pensamento é que me parece um pouco confuso.
    8) “claro que ele viria a pensar após o nascimento” aos 8 meses e meio não? Aos seis meses um bebê já sobrevive fora do corpo da mãe. Tenho uma priminha linda para provar isso, que, aliás, foi vítima de uma tentativa de aborto (por isso nasceu aos seis meses) e hoje tem dificuldades imensas para falar. Ah, a mãe tem nível superior. Educadíssima.
    10)”mas aí já são questões religiosas”. Héim?

    • #8 por whothehelliscely em 11/02/2010 - 18:31

      1) “Eu não apóio o ato de abortar, eu apóio a legalização do aborto.” Héin?!?

      R: Sim, são duas coisas diferentes. Eu acho o aborto ruim para a mulher também, uma consequência de má educação e condições para as mães. A legalização pode inclusive permitir que tenhamos mais dados sobre essas ocorrências e criemos programas voltados para a solução do problema, a exemplo de outros países. O que não dá é pra ser crime! Não resolve nada.

      2) “Quem defende a criminalização ignora que os abortos continuam ocorrendo da mesma forma…” Que tal, então, legalizarmos os estupros e a corrupção, já que, legalizando ou não, também irão continuar ocorrendo da mesma forma?

      R: Nesse caso a comparação não faz sentido, porque a criminalização do aborto também determina que as mulheres com condições para pagar o aborto seguro saiam ilesas e as mulheres pobres morram de hemorragia. E comparar com estupro e corrupção é ridículo, estamos falando de um direito de decisão sobre o próprio corpo, não com um ato brutal contra o próximo (não considero embriões sem sistema nervoso como próximos) nem contra roubo de dinheiro de milhares.

      3)”o pai escolhe se vai ser pai, enquanto a mãe é condenada à maternidade”. Feminismo (usando a palavra com a mesma conotação em que você usa “machismo”) puro. Em um texto no qual você defende a legalização do aborto, é óbvio que o pai é quem não tem direito algum de escolha, você está defendendo o direito da mulher, e tão somente dela, decidir se deixará ou não a criança nascer. A mulher é quem mais tem opções quando está grávida: pode ter o filho e colocar o pai no “pau”; pode ter o filho e entregá-lo à adoção; pode ter o filho e entregá-lo ao próprio pai (eu criaria um filho sozinho e com muita alegria); e pode abortar. Quem carece de opções, na sua lógica, é o homem (e o bebê). Acho que você está se confundindo.

      Não se usa feminismo com conotação de machismo, porque feminismo é apenas o combate ao machismo e não algo que defende superioridade feminina. Não são poucos os homens que de alguma forma obrigam a mulher a abortar, você sabe disso. Vamos enfrentar a realidade, mulheres grávidas são INDESEJADAS, culpadas, não conseguem emprego, são humilhadas pelos familiares muitas vezes.E não, a informação contraceptiva não chega a todos, isso é ilusão de classe média. Você acha que ela tem ótimos direitos? A parte mais pesada não é do pai, no máximo ele paga uma pensão mais que merecida, e não, os homens não criariam os filhos com a alegria que você alega, se você o faria ótimo. Sobre adoção, agora parece que vai ficar um pouco mais fácil entregar uma criança no Brasil, e se isso ajudar a diminuir abortos ótimo, o que não justifica a criminalização do mesmo porque muitas mulheres não querem passar por uma gestação. Inclusive, muitas das mulheres que abortam são casadas e já tem filhos, e são vítimas de falha do anticoncepcional, são casais criminosos?

      4) “milhões de mulheres ainda não têm direito à informação, à sexualidade sadia e aos métodos contraceptivos adequados” Hipocrisia. Quem trepa sabe muito bem o que acontece se gozar (ou deixar gozar) dentro, ou não? Quem não conhece camisinha no Brasil? Porra… é foda, viu: “Engravidei, eu não sabia desse negócio de “píula” anti o quê, mesmo? Ah, mas Cytotec eu conheço, sei como escreve e sei onde vende”.

      Aí é que você se engana meu amigo, já pensei assim também. Pois saiba que o papo do tira fora é lei na periferia, e eu vi isso de perto com meninas de lá. Quem passa o papo são os caras, e quem deixa as garotas crescerem sem direito a saber sobre sexo são as famílias. Mulher não deve trepar, é proibido ainda.E vai ver se tem pílula mesmo no postinho, em Mauá por exemplo quando fui procurar com uma prima minha não achei.

      5) “Nunca vi uma vez sequer um “Pro-Life” questionando quais os motivos de uma mulher para abortar”. Nem verá. Simplesmente porque eles são exatamente isso, Pro-Life, e para eles não há justificativa, motivo ou razão para se tirar a vida de uma criança. Eu, particularmente, acredito que casos de anencefalia e de gravidezes que coloquem em risco a vida da mulher podem, sim, justificar o aborto. “E em caso de estupro?”. Não. Há opções, como a entrega à adoção. A criança não tem culpa do pai (ou dos pais) que tem.

      R: Vida de uma criança, é aqui que está o erro, não considero embriões até a formação do sistema nervoso como pessoas, crianças, ou qualquer coisa do tipo. Dizer que nem no caso de estupro se deve abortar já é coisa de troglodita, nem preciso me dar ao trabalho de responder.

      6)” e principalmente milhares de vidas de mulheres salvas.” Faça um esforço e descubra quantas vidas de mulheres foram perdidas no Brasil por conta de abortos mal-sucedidos. Garanto que você irá se surpreender com a quantidade. Peraí, deixa eu fazer as contas para você e vou pegar os dados de gente totalmente a favor da legalização do aborto e do “direito sobre seus corpos” (http://psolsp.org.br/?p=2909). No Brasil, entre 2002 e 2005 (quatro anos, portanto) morreram 697 mulheres por conta de abortos mal feitos. Dá uma média de 174,25 mulheres por ano. Em 2005 foram realizados, 1.054.243 (deixe-me escrever: um milhão, cinquenta e quatro mil, duzentos e quarenta e três abortos… registrados). Bom, faça uma regra de três simples. A mãe tem 99,98347155257374% de chance de sobreviver a um aborto (ou tentativa). O bebê, obviamente, tem 0%. Minto, às vezes a mãe tenta e não consegue “tirar” o infeliz e ele acaba nascendo retardado ou sem um braço, uma perna… mas, quem liga? Para isso não há estatísticas, já procurei.

      Não considero esse “pré-bebê” (de novo falo do embrião) como uma vida mais importante que a vida da mãe.

      7) “Se a questão é a crença pessoal de que a formação da vida não deve ser interrompida, não deveríamos nem usar métodos anticoncepcionais.” Você distorceu o comentário do rapaz anônimo. Ele, obviamente, se refere à vida já concebida, só não soube expressar isso claramente. Penso, veja que eu não disse “acho”, que ele tenha querido dizer por “feto” isso aqui (http://pt.wikipedia.org/wiki/Feto) e por “punhadinho de células” o embrião. Você simplificou a resposta dele para facilitar a sua, logo a sua resposta é que é irrelevante e baseada em preconceitos e chacota. Outra coisa, se você acredita que a vida começa com o SNC, então você defende a criminalização do aborto a partir da quinta semana de gravidez, que é quando o SNC começa a se desenvolver? Ou você não defende essa “quantidade” de vida? Que quantidade de vida você defende? A partir de quando um embrião ou feto ou pessoa tem direito à vida e ao seu próprio corpo? Veja, não estou brincando, seu pensamento é que me parece um pouco confuso.

      Eu defendo justamente até a formação do SNC, é esse meu pensamento.

      8) “claro que ele viria a pensar após o nascimento” aos 8 meses e meio não? Aos seis meses um bebê já sobrevive fora do corpo da mãe. Tenho uma priminha linda para provar isso, que, aliás, foi vítima de uma tentativa de aborto (por isso nasceu aos seis meses) e hoje tem dificuldades imensas para falar. Ah, a mãe tem nível superior. Educadíssima.

      Onde eu neguei que com 8 semanas e meia um feto não pensa? Falava de outro pensamento no contexto, racionalizar uma situação. Porque será que ela tentou abortar? Ok, Pro-lifes não ligam pra isso, mas experimente perguntar o que aconteceu.

      10)”mas aí já são questões religiosas”. Héim?

      Eu chamo de questão religiosa achar que um embrião sem SNC é vida.

  6. #9 por Luciano em 12/02/2010 - 13:53

    Só mais duas perguntas para esclarecer um pouco mais suas respostas:

    a) O que você quer dizer exatamente por: “Eu defendo justamente até a formação do SNC, é esse meu pensamento.”? Digo, “até” a formação do SNC você defende o aborto e/ou a legalização dele (já que você diferencia as duas coisas)?

    b) E após a formação do SNC, você defende o quê?

    Ao responder, por favor leve em conta a sua frase: “não considero embriões até a formação do sistema nervoso como pessoas, crianças, ou qualquer coisa do tipo”. Peço que leve em conta essa frase, porque dela se depreende que após a formação do SNC você já consideraria essas “coisas” como pessoas ou bebês, e, portanto, com tanto direito à vida quanto a possível mãe, ou não? Eu só estou te alertando para que não haja mais contradições em suas respostas, porque vi tantas ao longo das primeiras que ainda estou pensando em como é que vou arranjar tempo para responder a tanta coisa… mas garanto que vou tentar.

    • #10 por whothehelliscely em 12/02/2010 - 20:57

      Defendo o direito legal do aborto até a formação, ainda não faria o mesmo e não apóio um procedimento tão invasivo.

      Após a formação, se realmente um o feto pode sentir dor, então acho que se torna moralmente injustificável, a não ser em casos específicos como estupro de menores. São muitos os países que definem critérios para realizar um aborto legal, não é só chegar no hospital e dizer “tio, quero abortar aí”…

      Pode dizer o que você acha, cara, não estou competindo com você.

  7. #11 por whothehelliscely em 19/02/2010 - 1:10

    Luciano, te respondo e publico seu comentário assim que tiver um tempinho, que a coisa tá feia aqui.

    Abs

  8. #12 por Gabriela em 16/12/2010 - 19:42

    Não aguento mais ouvir discurcinho irritante “probre do fetinho que não teve escolha”, não podem pensar que seria muito pior para ele existir num mundo onde ele não é bem vindo? A mulher transou e engravidou, o filho será o castigo que ela terá que suportar por não ter se prevenido(esse é um pensamento comum, deveria ser também cobrada do homem a prevenção da gravidez). Agora me responda: Que criatura vai conseguir ser feliz vindo ao mundo dessa forma? Por quê será que os orfanatos estão lotados? Não se sabe nem mais o quê fazer com tanta criança abandonada. Mesmo quando não são abandonados, eles não recebem o afeto que necessitam crescem revoltados com o mundo, viram drogados e marginais. Quanto sofrimento desnecessário. Alguns podem até vir com um argumentinho tolo “não precisa ser asssim, a criancinha abandonada pode achar um lar, alguém da família pode cuidar” . Essas coisas podem até acontecer, pena que quase não acontecem. Existe muita gente que adora uma história bonita, essas pessoas nunca visitaram um orfanato ou subiram o morro de uma favela. O abandono é muito pior que o aborto, ninguém merece vir ao mundo sem ser desejado.

    • #13 por cely em 23/12/2010 - 22:20

      Concordo!

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