Pra que vida? Lavem roupa.

Olha só que graça, o jornal semioficial do Vaticano, o L’Osservatore Romano, publicou um artigo em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. O título? “A Máquina de lavar e a liberação das mulheres — ponha detergente, feche a tampa e relaxe”. Podia ser apenas um artigo infeliz considerando um fator altamente estúpido das nossas vidas, que é o eletrodoméstico que lava nossas roupas, mas para piorar (e muito) a situação, a geringonça foi considerada superior ao acesso ao mercado de trabalho e à própria pílula anticoncepcional.

Bento nojento

Não contestarás

O artigo relata como a máquina de lavar é mais importante para a libertação da mulher ocidental, contando a história dos diversos modelos que já foram fabricados. A primeira premissa que tiramos disso é que apenas mulheres podem e devem lavar roupas, mesmo que isso tenha evoluído até o ato simplório de regular um botão. Afinal, o que importa não é a ação de lavar roupa em si, mas o peso sócio-cultural que cai sobre os ombros femininos de cuidar de tarefas domésticas. Que audácia seria um homem mexer na sagrada máquina de lavar, estaria simplesmente atacando um dos maiores símbolos da sujeição feminina.

Laundry

Lavar roupa não tem gênero

A pílula anticoncepcional com certeza desaponta o Vaticano, graças à ela temos o direito como indivíduos de decidir sobre nossos corpos, ou mesmo de manter um planejamento “familiar” (entenda como qualquer família, não necessariamente nuclear) da forma que bem entendermos. Já o acesso ao mercado de trabalho, parece piada realmente ter que confrontá-lo com a máquina de lavar, é uma clara representação do quanto vale a autonomia de uma mulher para o Vaticano: porra nenhuma. Esse artigo é cara-de-pau o suficiente para mostrar à todos qual a opinião do catolicismo sobre as mulheres, não vivam, não transem, não produzam, não falem, apenas lavem a merda da roupa.

Mas não pensem vocês que só por parecer inegavelmente estúpido o Vaticano não exija cautela, é um inimigo e tanto pra combater. Pois vejam só, a maior prova de que o condicionamento patriarcal do catolicismo ainda é influente e perigoso, está no fato de que o autor do artigo é ninguém menos do que uma mulher.


Mulheres, não me matem de vergonha, por favor caguem no Vaticano.

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  1. #1 por Michel Amary Neto em 31/03/2009 - 16:41

    Bom texto Cely. Acho que o Vaticano está precisando lavar a roupa suja e rever alguns conceitos assim como o Islã, o Judaismo e por ai vai. O problema é que ao invés da roupa, a lavagem é cerebral (diga a autora do artigo né?).

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