Quanto tempo sem postar! Sinto vergonha da minha falta de tempo para coisas que são tão importantes, como esse pequeno espaço que me realiza e me faz sentir útil para tantas pessoas.
E que surpresa, receber tantos feedbacks lindos de garotas incríveis! Tenho que declarar que uma das maiores felicidades que explodem dentro de mim vem desses comentários singelos, cheios de entusiasmo e identificações. Sinto um carinho verdadeiro, uma conexão entre nossos problemas e angústias, e estarei aqui para vivenciar essa troca sempre.
Isso me leva ao assunto que tem sido “trending topic” ultimamente, e que foi confirmado por uma amiga querida que está passando por uma situação de sofrimento. Da série “coisas que queriam te enfiar goela abaixo”, apresento-lhes o tal “amor romântico”.
Idealizado por fábulas, contos e religiões, usado e abusado pela indústria cultural, ele permanece entre nós, imortal. A base é um casal heterossexual, com papéis sexuais bem definidos e em um ambiente extremamente favorável, que repentinamente se fartam de um amor intocável e permanecem felizes para sempre no mar de rosas. Curiosamente, o mito é vendido para uma esmagadora maioria de mulheres.
De brinde, ganhamos a instituição do casamento, que legitima definitivamente aquele amor invencível e nos condena a uma vida inteira de companheirismo, paixão e harmonia. É relativamente “mais fácil” terminar um namoro, mas um casamento é como se fosse um contrato que exige um esforço sacrificante para a manutenção do acordo, uma prisão disfarçada de escolha, que torna muito mais difícil uma decisão que deveria ser rápida e sem dor: livrar-se de quem nos faz mal.
Nos iniciam nesse mundo obscuro dos coraçõezinhos quando ainda somos muito crianças para resistir, ganhamos lições diversas que nos convencem a precisar de outra pessoa para sermos “completas”.Essa pessoa é, claro, um homem. Junto com os mandamentos da busca ofegante por um amor de conto de fadas, nos empurram um ideal feminino de submissão, fragilidade e “entrega”. Aprendemos que ser mulher é querer um homem, e dedicar boa parte de nossas energias para que essa relação tenha sucesso – mesmo que a duras penas.
Enquanto isso, nossos queridos irmãozinhos aprendem valores um tanto diferentes. São incentivados a ter coragem, ousadia, independência e principalmente autonomia, ao mesmo tempo em que recebem a cartilha do dominador. Aprendem que serão sempre o centro das atenções das mulheres, cuidados por mães, professoras e namoradas, e que as terão à disposição.
Ao invés de bonecas imbecis e bebês de plástico, do treinamento rigoroso da maternidade e servidão, ganham jogos de estratégia, carrinhos e bolas de futebol. Aprendem que a coletividade pode conseguir muitos aliados, enfrentam o mundo ao ar livre muito cedo e desenvolvem a capacidade de raciocínio lógico.
Tudo isso faz uma grande diferença, somos discriminadas pelo gênero desde a infância e construídas sob um modelo patético de “mulher”. Nossa vulnerabilidade não é genética, não veio da mão do deus macho, é obra de uma educação medíocre embasada em preconceitos e estereótipos. Somos condicionadas a não nos sentir completas, nunca, de forma alguma.
Coincidentemente, a solução apresentada para todos os nossos problemas de auto-estima e auto-realização é um parceiro homem. “Tá precisando é de uma rola bem grande”, como diriam as criaturinhas desprezíveis ocupando espaço por aí. Se estamos “sozinhas”, somos solitárias ou lésbicas,desprezadas pelo tão importante e fundamental macho da espécie. Se reclamamos de algo, somos histéricas ou “mal-comidas”, afinal, todos os nossos problemas só podem ter origem na falta de um pinto entrando e saindo, oras!
Daí, se resolvemos nos relacionar com um cara e descobrimos que ele é um merdinha, e então trocamos, e fazemos isso repetidas vezes na incessante busca de um cara menos incompetente, nos chamam de “putas”. Dizem até que não estamos nos dando “valor”, quando na verdade isso só oculta a falta de qualquer valor ou apreço que eles sintam por nós, um verdadeiro nojo. Enquanto isso, eles trocam de parceiras o tempo todo e se orgulham de separar o ato sexual de qualquer afeto e consideração.
Não é uma fórmula perfeita? Faça-as sentirem-se incompletas e então lhes dê uma cara-metade. Um homem perfeito, romântico, que atenda a todas as nossas necessidades e finalmente dê algum sentido à nossa existência supérflua e cruel. Alguém pra nos dizer o quanto parecemos bonitas, já que enxergamos mosntros nos espelhos e nos sentimos culpadas por isso. Finalmente alguém pra nos convencer de que somos alguém e não alguma coisa, como sempre nos ensinaram, uau. Mas a verdade, mulheres, é que não precisamos de um salvador, muito menos de um príncipe.
Definição de romance pelo dicionário: fantasia. O que mais precisamos dizer?! Não é real, não é saudável e muito menos justo.Se você só se sentiu completa depois de conhecer um homem e se apaixonar, significa que uma parte de você sempre esteve vazia, e isso é péssimo. Se você não consegue ficar sozinha, quer dizer que está sujeita a uma relação de dependência, auto-depreciação e possessividade. É um clichê dos grandes, mas é verdadeiro demais: Antes de se tornar “nós”, precisamos ser “eu”.
Antes de proclamar as palavras mágicas “não sei o que seria de mim sem você”, pense no quanto você está se anulando na situação. Nunca se sinta um fracasso se ainda se sentir dependente de um cara, não se esqueça que você foi totalmente condicionada a ver as coisas dessa maneira. O caminho? Mais uma vez a desconstrução, e isso só é possível com auto-conhecimento.
Conhecer a si própria e ter autonomia não significa excluir os relacionamentos amorosos. Eu acredito em relações justas, em que o companheirismo é essencial e o afeto cria uma união harmoniosa e cheia de respeito, sem dependência, possessividade e ilusão. O amor romântico nada mais é do que uma mentira, porque promete uma relação eterna que tem como base apenas o misterioso sentimento “amor”, quando na verdade se parece mais com uma paixão cega, infantil e inconsequente.
Se podemos chamar algo de amor, com certeza não é essa sensação obscura que nos condena a viver acorrentadas a uma pessoa, desejando sua presença em cada passo das nossas vidas e projetando nela grandes objetivos. Insisto que em uma relação real ambos devem perseguir seus objetivos juntos, prestar apoio mútuo e construir uma base sólida de respeito e cumplicidade, sem o contrato ditatorial do “pra sempre”.
Quantas mulheres permanecem com homens que as espancam? Ou as humilham? Quantas mulheres você conhece que suportaram traições? Quantas abriram mão de desejos próprios por causa dos parceiros? Quantas sofrem com um ciúme doentio e se auto-depreciam por causa dele? Quantas já abaixaram a cabeça para uma condição do companheiro e sofreram caladas? Quantas vêm desabafar com você o inferno que está sendo o relacionamento delas e a falta de coragem pra tomar uma decisão?
A vida real é muito mais hostil com as mulheres. Aqui fora os príncipes são muito mais autônomos, seguros de si e treinados para a indiferença. E estarão sempre prontos para se aproveitar dessa insegurança enraizada dentro de nós, construindo verdadeiros romances poéticos enquanto nos sugam toda a individualidade. Isso não quer dizer que homens não têm sentimentos, quer dizer que estão muito mais preparados para lidar com eles, porque têm como base suas próprias realizações.

E como mudar? Como sair da posição de vítima do patriarcado e retomar o poder sobre a própria vida? Tudo o que eu tenho são experiências próprias e um punhado de conselhos sinceros.
Em primeiro lugar, descubra algo que você ame muito fazer. Eu descobri que amava escrever, lutar por causas sociais, ajudar as minorias e ver resultados de todo o trabalho que eu puder fazer.Muitas descobrem a realização em um esporte, na música, nas artes plásticas, na filantropia, na carreira, são inúmeras possibilidades, e todas temos muitas.
Depois, descubra milhares de coisas menores que você ame fazer. Identifique suas preferências, muitas de nós nunca paramos para pensar nisso! Procure um tipo de leitura, cinema ou música que você adore, vá ao teatro, invista em coisas que te dêem prazer e acrescentem conhecimento. Una-se com outras mulheres, jogue futebol, jogue videogame, faça um cosplay, vá dançar.
Deixe o relacionamento dos seus sonhos para o momento em que estiver mais completa, você terá muito mais para compartilhar e estará sempre pronta para fazer as melhores escolhas sem cometer sacrifícios. Se não der certo, agradeça por ter percebido os erros a tempo, e procure alguém que possa te acompanhar e trazer mais prazeres. Defina suas regras, respeite suas próprias decisões, seja firme, e nunca, nunca mesmo, seja tolerante a ponto de se machucar.
Algo que eu sempre tenho em mente é que exercitar o perdão nem sempre é um bom negócio. Vivemos tensionadas, se não pudermos confiar em alguém com certeza essa pessoa não merece nossa companhia.Estabeleça limites para atitudes que você não gosta, e não tenha qualquer receio ou medo de se arrepender na hora de dar um basta no relacionamento. Não é questão de imaginar que “tem mais um monte por aí”, e sim que uma relação que não é mais agradável e causa mais aborrecimentos do que alegrias não tem lugar na vida de uma pessoa auto-realizada.
Não espere ser protegida, espere compartilhar segurança. Não espere ganhar, espere uma troca. Não aceite conviver com um homem que define seus papéis na relação apenas pelo seu gênero, por mais que ele pareça afetuoso, conteste e exija, seja uma voz ativa e tomadora de decisões.
Relacionamentos não se baseiam apenas em amor, tenha em mente que uma relação sem respeito e cooperação não vale a pena. Que adianta ficar com um cara que te considera menos capaz de realizar uma tarefa, só porque ele é carinhoso? Carinho não realiza ninguém, só serve como bengala de frustrações, você precisa de alguém que te admire, te estimule e confie na sua capacidade. E, acima de tudo, precisa de respeito às suas decisões, desejos e necessidades, não deixe de fazer algo que quer para satisfazer alguém que deveria lhe querer o bem. Agregue valor à sua própria confiança, um homem que mente e trai não merece segunda chance, pois isso é sinal de que ele não reconhece seus direitos de escolha.
Nesse ponto o casamento colabora com nossas prisões privadas. Muitas mulheres temem o divórcio porque acreditam que uma “união de tantos anos merece maior esforço e tolerância para continuar”, mas quase sempre esses esforços significam anulação, sofrimento e negação. Elas se sacrificam pela manutenção de um relacionamento perdido, porque temem prestar contas ao Estado com seu contrato de união civil e à religião com seu deus falocêntrico impiedoso.Por esses e outros motivos condeno o casamento como uma união anti-amor, patriarcal e desigual, fundada em sexismo e heteronormatividade.
As mulheres carregam nas costas uma História de submissão e sacrifícios pelo amor romântico, enquanto permaneciam exploradas pelos “donos de seus corações”. Não esqueçam nunca que já fomos consideradas propriedades, já estivemos restritas a um cárcere privado e que ainda hoje muitas de nós não podem nem escolher o homem que estará no “comando”.Ainda existem injustiças horríveis cometidas contra as mulheres em nome de amores romãnticos, somos diariamente iludidas, enganadas e desprezadas. Cabe a nós mudar nossa realidade através desse exercício de consciência que eu proponho, da desconstrução, vamos recuperar a autonomia que nos arrancaram e acabar com nossa dependência instituída por essa educação precária.
Amem, mulheres! Mas amem primeiro a si mesmas, sejam pessoas realizadas e completas, mulheres inteiras. Não vamos esperar a misericórdia dos homens, vamos nos fortalecer para construir relacionamentos mais justos.
são tão importantes, como esse pequeno espaço que me realiza e me faz sentir útil
para tantas pessoas.
E que surpresa, receber tantos feedbacks lindos de garotas incríveis! Tenho que
declarar que uma das maiores felicidades que explodem dentro de mim vem desses
comentários singelos, cheios de entusiasmo e identificações. Sinto um carinho
verdadeiro, uma conexão entre nossos problemas e angústias, e estarei aqui para
vivenciar essa troca sempre.
Isso me leva ao assunto que tem sido “trending topic” ultimamente, e que foi
confirmado por uma amiga querida que está passando por uma situação de sofrimento.
Da série “coisas que queriam te enfiar goela abaixo”, apresento-lhes o tal “amor
romântico”.
Idealizado por fábulas, contos e religiões, usado e abusado pela indústria
cultural, ele permanece entre nós, imortal. A base é um casal heterossexual, com
papéis sexuais bem definidos e em um ambiente extremamente favorável, que
repentinamente se fartam de um amor intocável e permanecem felizes para sempre no
mar de rosas. Curiosamente, o mito é vendido para uma esmagadora maioria de
mulheres.
De brinde, ganhamos a instituição do casamento, que legitima definitivamente
aquele amor invencível e nos condena a uma vida inteira de companheirismo, paixão
e harmonia. É relativamente “mais fácil” terminar um namoro, mas um casamento é
como se fosse um contrato que exige um esforço sacrificante para a manutenção do
acordo, uma prisão disfarçada de escolha, que torna muito mais difícil uma decisão
que deveria ser rápida e sem dor: livrar-se de quem nos faz mal.
Nos iniciam nesse mundo obscuro dos coraçõezinhos quando ainda somos muito
crianças para resistir, ganhamos lições diversas que nos convencem a precisar de
outra pessoa para sermos “completas”.Essa pessoa é, claro, um homem. Junto com os
mandamentos da busca ofegante por um amor de conto de fadas, nos empurram um ideal
feminino de submissão, fragilidade e “entrega”. Aprendemos que ser mulher é querer
um homem, e dedicar boa parte de nossas energias para que essa relação tenha
sucesso – mesmo que a duras penas.
Enquanto isso, nossos queridos irmãozinhos aprendem valores um tanto diferentes.
São incentivados a ter coragem, ousadia, independência e principalmente autonomia,
ao mesmo tempo em que recebem a cartilha do dominador. Aprendem que serão sempre o
centro das atenções das mulheres, cuidados por mães, professoras e namoradas, e
que as terão à disposição.
Ao invés de bonecas imbecis e bebês de plástico, do treinamento rigoroso da
maternidade e servidão, ganham jogos de estratégia, carrinhos e bolas de futebol.
Aprendem que a coletividade pode conseguir muitos aliados, enfrentam o mundo ao ar
livre muito cedo e desenvolvem a capacidade de raciocínio lógico.
Tudo isso faz uma grande diferença, somos discriminadas pelo gênero desde a
infância e construídas sob um modelo patético de “mulher”. Nossa vulnerabilidade
não é genética, não veio da mão do deus macho, é obra de uma educação medíocre
embasada em preconceitos e estereótipos. Somos condicionadas a não nos sentir
completas, nunca, de forma alguma.
Coincidentemente, a solução apresentada para todos os nossos problemas de auto-
estima e auto-realização é um parceiro homem. “Tá precisando é de uma rola bem
grande”, como diriam as criaturinhas desprezíveis ocupando espaço por aí. Se
estamos “sozinhas”, somos solitárias ou lésbicas,desprezadas pelo tão importante e
fundamental macho da espécie. Se reclamamos de algo, somos histéricas ou “mal-
comidas”, afinal, todos os nossos problemas só podem ter origem na falta de um
pinto entrando e saindo, oras!
Daí, se resolvemos nos relacionar com um cara e descobrimos que ele é um merdinha,
e então trocamos, e fazemos isso repetidas vezes na incessante busca de um cara
menos incompetente, nos chamam de “putas”. Dizem até que não estamos nos dando
“valor”, quando na verdade isso só oculta a falta de qualquer valor ou apreço que
eles sintam por nós, um verdadeiro nojo. Enquanto isso, eles trocam de parceiras o
tempo todo e se orgulham de separar o ato sexual de qualquer afeto e consideração.
Não é uma fórmula perfeita? Faça-as sentirem-se incompletas e então lhes dê uma
cara-metade. Um homem perfeito, romântico, que atenda a todas as nossas
necessidades e finalmente dê algum sentido à nossa existência supérflua e cruel.
Alguém pra nos dizer o quanto parecemos bonitas, já que enxergamos mosntros nos
espelhos e nos sentimos culpadas por isso. Finalmente alguém pra nos convencer de
que somos alguém e não alguma coisa, como sempre nos ensinaram, uau. Mas a
verdade, mulheres, é que não precisamos de um salvador, muito menos de um
príncipe.
Definição de romance pelo dicionário: fantasia. O que mais precisamos dizer?! Não
é real, não é saudável e muito menos justo.Se você só se sentiu completa depois de
conhecer um homem e se apaixonar, significa que uma parte de você sempre esteve
vazia, e isso é péssimo. Se você não consegue ficar sozinha, quer dizer que está
sujeita a uma relação de dependência, auto-depreciação e possessividade. É um
clichê dos grandes, mas é verdadeiro demais: Antes de se tornar “nós”, precisamos
ser “eu”.
Antes de proclamar as palavras mágicas “não sei o que seria de mim sem você”,
pense no quanto você está se anulando na situação. Nunca se sinta um fracasso se
ainda se sentir dependente de um cara, não se esqueça que você foi totalmente
condicionada a ver as coisas dessa maneira. O caminho? Mais uma vez a
desconstrução, e isso só é possível com auto-conhecimento.
Conhecer a si própria e ter autonomia não significa excluir os relacionamentos
amorosos. Eu acredito em relações justas, em que o companheirismo é essencial e o
afeto cria uma união harmoniosa e cheia de respeito, sem dependência,
possessividade e ilusão. O amor romântico nada mais é do que uma mentira, porque
promete uma relação eterna que tem como base apenas o misterioso sentimento
“amor”, quando na verdade se parece mais com uma paixão cega, infantil e
inconsequente.
Se podemos chamar algo de amor, com certeza não é essa sensação obscura que nos
condena a viver acorrentadas a uma pessoa, desejando sua presença em cada passo
das nossas vidas e projetando nela grandes objetivos. Insisto que em uma relação
real ambos devem perseguir seus objetivos juntos, prestar apoio mútuo e construir
uma base sólida de respeito e cumplicidade, sem o contrato ditatorial do “pra
sempre”.
Quantas mulheres permanecem com homens que as espancam? Ou as humilham? Quantas
mulheres você conhece que suportaram traições? Quantas abriram mão de desejos
próprios por causa dos parceiros? Quantas sofrem com um ciúme doentio e se auto-
depreciam por causa dele? Quantas já abaixaram a cabeça para uma condição do
companheiro e sofreram caladas? Quantas vêm desabafar com você o inferno que está
sendo o relacionamento delas e a falta de coragem pra tomar uma decisão?
A vida real é muito mais hostil com as mulheres. Aqui fora os príncipes são muito
mais autônomos, seguros de si e treinados para a indiferença. E estarão sempre
prontos para se aproveitar dessa insegurança enraizada dentro de nós, construindo
verdadeiros romances poéticos enquanto nos sugam toda a individualidade. Isso não
quer dizer que homens não têm sentimentos, quer dizer que estão muito mais
preparados para lidar com eles, porque têm como base suas próprias realizações.
E como mudar? Como sair da posição de vítima do patriarcado e retomar o poder
sobre a própria vida? Tudo o que eu tenho são experiências próprias e um punhado
de conselhos sinceros.
Em primeiro lugar, descubra algo que você ame muito fazer. Eu descobri que amava
escrever, lutar por causas sociais, ajudar as minorias e ver resultados de todo o
trabalho que eu puder fazer.Muitas descobrem a realização em um esporte, na
música, nas artes plásticas, na filantropia, na carreira, são inúmeras
possibilidades, e todas temos muitas.
Depois, descubra milhares de coisas menores que você ame fazer. Identifique suas
preferências, muitas de nós nunca paramos para pensar nisso! Procure um tipo de
leitura, cinema ou música que você adore, vá ao teatro, invista em coisas que te
dêem prazer e acrescentem conhecimento. Una-se com outras mulheres, jogue futebol,
jogue videogame, faça um cosplay, vá dançar.
Deixe o relacionamento dos seus sonhos para o momento em que estiver mais
completa, você terá muito mais para compartilhar e estará sempre pronta para fazer
as melhores escolhas sem cometer sacrifícios. Se não der certo, agradeça por ter
percebido os erros a tempo, e procure alguém que possa te acompanhar e trazer mais
prazeres. Defina suas regras, respeite suas próprias decisões, seja firme, e
nunca, nunca mesmo, seja tolerante a ponto de se machucar.
Algo que eu sempre tenho em mente é que exercitar o perdão nem sempre é um bom
negócio. Vivemos tensionadas, se não pudermos confiar em alguém com certeza essa
pessoa não merece nossa companhia.Estabeleça limites para atitudes que você não
gosta, e não tenha qualquer receio ou medo de se arrepender na hora de dar um
basta no relacionamento. Não é questão de imaginar que “tem mais um monte por aí”,
e sim que uma relação que não é mais agradável e causa mais aborrecimentos do que
alegrias não tem lugar na vida de uma pessoa auto-realizada.
Não espere ser protegida, espere compartilhar segurança. Não espere ganhar, espere
uma troca. Não aceite conviver com um homem que define seus papéis na relação
apenas pelo seu gênero, por mais que ele pareça afetuoso, conteste e exija, seja
uma voz ativa e tomadora de decisões.
Relacionamentos não se baseiam apenas em amor, tenha em mente que uma relação sem
respeito e cooperação não vale a pena. Que adianta ficar com um cara que te
considera menos capaz de realizar uma tarefa, só porque ele é carinhoso? Carinho
não realiza ninguém, só serve como bengala de frustrações, você precisa de alguém
que te admire, te estimule e confie na sua capacidade. E, acima de tudo, precisa
de respeito às suas decisões, desejos e necessidades, não deixe de fazer algo que
quer para satisfazer alguém que deveria lhe querer o bem. Agregue valor à sua
própria confiança, um homem que mente e trai não merece segunda chance, pois isso
é sinal de que ele não reconhece seus direitos de escolha.
Nesse ponto o casamento colabora com nossas prisões privadas. Muitas mulheres
temem o divórcio porque acreditam que uma “união de tantos anos merece maior
esforço e tolerância para continuar”, mas quase sempre esses esforços significam
anulação, sofrimento e negação. Elas se sacrificam pela manutenção de um
relacionamento perdido, porque temem prestar contas ao Estado com seu contrato de
união civil e à religião com seu deus falocêntrico impiedoso.Por esses e outros
motivos condeno o casamento como uma união anti-amor, patriarcal e desigual,
fundada em sexismo e heteronormatividade.
As mulheres carregam nas costas uma História de submissão e sacrifícios pelo amor
romântico, enquanto permaneciam exploradas pelos “donos de seus corações”. Não
esqueçam nunca que já fomos consideradas propriedades, já estivemos restritas a um
cárcere privado e que ainda hoje muitas de nós não podem nem escolher o homem que
estará no “comando”.Ainda existem injustiças horríveis cometidas contra as
mulheres em nome de amores romãnticos, somos diariamente iludidas, enganadas e
desprezadas. Cabe a nós mudar nossa realidade através desse exercício de
consciência que eu proponho, da desconstrução, vamos recuperar a autonomia que nos
arrancaram e acabar com nossa dependência instituída por essa educação precária.
Amem, mulheres! Mas amem primeiro a si mesmas, sejam pessoas realizadas e
completas, mulheres inteiras. Não vamos esperar a misericórdia dos homens, vamos nos fortalecer para construir um mundo mais justo.
















É triste e desesperador ligar a televisão, folhear revistas e jornais, assistir a filmes ou qualquer coisa que venha da mídia ou da indústria cultural no geral. Todos os padrões opressores e sem sentido estão por toda a parte, legitimados, normatizados, enfiados nas nossas gargantas. Nosso corpo tem preço, é vendido e reproduzido na forma de pornografia e prostituição. Mulheres estão mutilando seus seios para enfiar uma prótese de silicone, implorando pelo direito de se sentirem bem com seus corpos. “Coloquei porque me sinto melhor de seios grandes, foi por mim e não pelos outros,” diz a moça com seus seios novos de alguns milhares de reais, com a ingênua ideia de que sua repulsa por seus seios pequenos veio de si mesma. A pressão para moldar o corpo feminino é tamanha que temos o silicone, a lipoaspiração e todos esses tratamentos estéticos dementes sendo vendidos como nunca.



